Vivemos numa época em que as exigências académicas colocam muita pressão sobre os estudantes, impactando negativamente a sua saúde mental. Neste cenário, o desporto surge como um aliado vital, contribuindo não apenas para o bem estar físico, mas também como um pilar essencial para a saúde e equilíbrio mental.
É sabido que o desporto, para além da melhoria da condição física, oferece muito mais, promovendo espaços para a socialização e incentivando os estudantes ao estabelecimento de relações interpessoais, de redes de apoio e de companheirismo. Praticar desporto não se resume à atividade em si. Através deste, os jovens aprendem valores como o trabalho de equipa e a resiliência que os ajudam a enfrentar e resolver os desafios, incluindo académicos, profissionais e pessoais.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a população adulta, entre os 18 e os 64 anos, deve realizar entre 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada semanalmente. Entre as crianças e adolescentes, essa recomendação sobe para 60 minutos diários.
Estudos médicos comprovam que a prática regular de atividade física tem impacto na saúde mental, através da redução de sintomas de ansiedade, de depressão e de stress, minorando a probabilidade de hipertensão e outras doenças. Além disso, melhora o humor através da libertação de endorfinas na corrente sanguínea. Para os estudantes, pressionados por prazos de avaliação e altas expectativas, esses benefícios são cruciais para o bom funcionamento do organismo e equilíbrio mental e não devem ser menosprezados.
A expansão do curso de Medicina não acontece como esperado
O PEÇO A PALAVRA, na antena da TSF e em podcast, em parceria com a ACADÉMICA DA MADEIRA, debateu a evolução e o impacto do curso de Medicina. Ao contrário do que o reitor da UMa afirmou, a entrega do plano de expansão para os outros anos “não ocorrerá” como indicado.
Movimento quotidiano afinal conta mais do que o ginásio
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A inatividade física em Portugal, porém, ainda é alarmante. Dados científicos revelam que apenas 22% dos portugueses pratica desporto regularmente, bem longe da média europeia. A falta de tempo é a razão mais apontada pelos inquiridos. Contudo, os números de praticantes de desporto federado tem vindo a aumentar com o passar dos anos. Não obstante, apesar do aumento do número de praticantes, o financiamento público diminuiu cerca de 43%, entre 1996 e 2024.
Enquanto estudante madeirense, recordo que, nos ensinos básico e secundário, a nossa região me ofereceu oportunidade de prática desportiva de lazer ou recreativa. O desporto escolar, a atividade de clubes ou de associações desportivas, com investimento público, através do Governo Regional e das autarquias, ou de empresas privadas, mostraram-me que, na Madeira, se reconhece a importância do desporto como atividade educativa complementar. Como é que ela se perdeu ao chegar ao ensino superior? Será que o desporto é valorizado em todo o país da mesma forma?
Creio que persiste a perceção de que o desporto é uma forma de distração para os estudantes. A Ciência, porém, comprova que, através da manutenção de uma rotina, a atividade física durante o período de exames pode melhorar o foco, a produtividade e a concentração, além de reduzir a ansiedade. A ideia de que o desporto e a atividade física roubam tempo ao estudo e impedem os estudantes de terem sucesso académico é mito e deve ser combatida.
As instituições de ensino devem promover ambientes que integrem cada vez mais o desporto na educação. Devem garantir acompanhamento e apoio psicológico para os estudantes e apostar na prática desportiva como vertente promotora de bem-estar físico, mental e emocional, como os estudos indicam ser.
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Manuel Luís Gonçalves escreve na edição de hoje do DIÁRIO sobre “o prazer da leitura, que requer tempo, introspeção e continuidade, entra em conflito com a lógica da recompensa imediata promovida pelos algoritmos no digital”.
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A promoção do desporto na população é também uma forma de contribuição para a produtividade de um país e criação de riqueza a longo prazo e isso deve começar com os mais jovens, em meio escolar.
Portugal, como nação, pode beneficiar ao investir mais na promoção do desporto nas escolas e universidades. Olhamos para modelos de outros territórios, como nos Estados Unidos ou na Escandinávia, com programas desportivos bem estruturados. Estes podem aumentar o rendimento académico, além de preparar os jovens para os desafios futuros. Na América, por exemplo, aposta-se no desporto ao nível universitário com bolsas de estudos, produzindo grandes desportista e ajudando ao financiamento das universidades, que se refletem em melhores condições para outras áreas, como a ciência ou a tecnologia. Apesar do ensino universitário ser privado e altamente dispendioso, os Estados Unidos possuem universidades de renome internacional e têm do melhores currículos desportivos da história, sendo o país mais medalhado de sempre nos Jogos Olímpicos, por exemplo.
A mensagem é clara, o desporto não é apenas uma atividade extracurricular nem acessória. É uma necessidade e um pilar para o desenvolvimento pessoal, para jovens estudantes, e para toda a comunidade. Ao priorizar a saúde mental através da atividade física e do convívio estamos a investir numa geração mais resiliente e preparada para os desafios de um mundo cada vez mais exigente e a tornar Portugal um país mais equitativo e de melhor preparado.
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Vítor Vasconcelos
Vice-Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA
Com fotografia de Razvan Chisu.