Segundo um estudo divulgado pelo jornal Público, seis em cada dez estudantes do ensino superior sentem-se tristes ou deprimidos, e quatro em cada dez consomem medicamentos psicotrópicos pelo menos uma vez por semana. A investigação Ecossistemas de Ambientes de Aprendizagem Saudáveis, envolveu mais de 2300 estudantes de instituições públicas e privadas de todo o país. A psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo, sublinha que a amostra não é representativa, mas “ilustrativa”, pois abrange “todas as regiões e vários cursos” e evidencia uma “alta prevalência de sintomas de burnout, tristeza, solidão, fracas expectativas futuras e mal-estar”.
De acordo com o Público, a maioria dos inquiridos revelou sintomas persistentes: “nas últimas quatro semanas senti-me fisicamente exausto” é uma frase com que se identificam mais de 60%. O relatório aponta ainda que 31% dos participantes apresentam três ou mais sinais de burnout, incluindo exaustão, irritabilidade e tristeza. “Estamos a assistir a um agravamento dos sintomas”, alerta Tânia Gaspar, que identifica também uma possível banalização do consumo de psicofármacos entre os jovens: “há muitos jovens a tomar porque o amigo toma, o vizinho, o familiar”.
XIII Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental
A Universidade da Madeira (UMa) recebe, entre os dias 26 e 28 de outubro, o XIII Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (ASPEM), este ano subordinado
Laboratório de Enfermagem
É mais uma das utilidades dadas pela UMa às suas salas, sendo esta desconhecida de muitos, mas muito apreciada por quem
Os dados recolhidos mostram igualmente dificuldades no equilíbrio entre a vida académica e pessoal. Mais de metade dos estudantes referem que as instituições não promovem esse equilíbrio e 13% relatam ter sido vítimas de assédio ou outras formas de abuso. Segundo o mesmo estudo, citado pelo Público, “os estudantes reclamam mais empatia por parte de quem os ensina” e esperam uma universidade que “promova o bem-estar das pessoas”, o que representa uma mudança de paradigma. Uma das exigências mais repetidas é a de “professores que nos respeitem, que se preocupem connosco, que acompanhem o nosso ritmo de aprendizagem”.
Apesar dos sinais preocupantes, o estudo também revela alguma esperança: dois terços dos inquiridos dizem que o seu percurso académico dá sentido à sua vida. No entanto, apenas metade acredita que a futura remuneração lhes permitirá concretizar os seus projectos pessoais e profissionais. Este diagnóstico, como refere o Público, surge num contexto marcado por crises sucessivas — pandemia, recessão, guerra — e será apresentado publicamente no lançamento do novo Observatório Ibérico dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Priscilla du Preez.