Segundo um estudo divulgado pelo jornal Público, seis em cada dez estudantes do ensino superior sentem-se tristes ou deprimidos, e quatro em cada dez consomem medicamentos psicotrópicos pelo menos uma vez por semana. A investigação Ecossistemas de Ambientes de Aprendizagem Saudáveis, envolveu mais de 2300 estudantes de instituições públicas e privadas de todo o país. A psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo, sublinha que a amostra não é representativa, mas “ilustrativa”, pois abrange “todas as regiões e vários cursos” e evidencia uma “alta prevalência de sintomas de burnout, tristeza, solidão, fracas expectativas futuras e mal-estar”.
De acordo com o Público, a maioria dos inquiridos revelou sintomas persistentes: “nas últimas quatro semanas senti-me fisicamente exausto” é uma frase com que se identificam mais de 60%. O relatório aponta ainda que 31% dos participantes apresentam três ou mais sinais de burnout, incluindo exaustão, irritabilidade e tristeza. “Estamos a assistir a um agravamento dos sintomas”, alerta Tânia Gaspar, que identifica também uma possível banalização do consumo de psicofármacos entre os jovens: “há muitos jovens a tomar porque o amigo toma, o vizinho, o familiar”.
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A apresentação pública do projeto “Saúde Escolas: Projeto de Monitorização em Saúde [SEE_App]” aconteceu no dia 18 de maio de 2022, no Colégio dos Jesuítas, na cidade do Funchal. Este
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14.º Congresso Nacional em Psicologia da Saúde – Psicologia e Saúde em Tempos de Crise 8, 9 e 10 setembro, Universidade
Os dados recolhidos mostram igualmente dificuldades no equilíbrio entre a vida académica e pessoal. Mais de metade dos estudantes referem que as instituições não promovem esse equilíbrio e 13% relatam ter sido vítimas de assédio ou outras formas de abuso. Segundo o mesmo estudo, citado pelo Público, “os estudantes reclamam mais empatia por parte de quem os ensina” e esperam uma universidade que “promova o bem-estar das pessoas”, o que representa uma mudança de paradigma. Uma das exigências mais repetidas é a de “professores que nos respeitem, que se preocupem connosco, que acompanhem o nosso ritmo de aprendizagem”.
Apesar dos sinais preocupantes, o estudo também revela alguma esperança: dois terços dos inquiridos dizem que o seu percurso académico dá sentido à sua vida. No entanto, apenas metade acredita que a futura remuneração lhes permitirá concretizar os seus projectos pessoais e profissionais. Este diagnóstico, como refere o Público, surge num contexto marcado por crises sucessivas — pandemia, recessão, guerra — e será apresentado publicamente no lançamento do novo Observatório Ibérico dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Priscilla du Preez.