Segundo um estudo divulgado pelo jornal Público, seis em cada dez estudantes do ensino superior sentem-se tristes ou deprimidos, e quatro em cada dez consomem medicamentos psicotrópicos pelo menos uma vez por semana. A investigação Ecossistemas de Ambientes de Aprendizagem Saudáveis, envolveu mais de 2300 estudantes de instituições públicas e privadas de todo o país. A psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo, sublinha que a amostra não é representativa, mas “ilustrativa”, pois abrange “todas as regiões e vários cursos” e evidencia uma “alta prevalência de sintomas de burnout, tristeza, solidão, fracas expectativas futuras e mal-estar”.
De acordo com o Público, a maioria dos inquiridos revelou sintomas persistentes: “nas últimas quatro semanas senti-me fisicamente exausto” é uma frase com que se identificam mais de 60%. O relatório aponta ainda que 31% dos participantes apresentam três ou mais sinais de burnout, incluindo exaustão, irritabilidade e tristeza. “Estamos a assistir a um agravamento dos sintomas”, alerta Tânia Gaspar, que identifica também uma possível banalização do consumo de psicofármacos entre os jovens: “há muitos jovens a tomar porque o amigo toma, o vizinho, o familiar”.
Um dia vou ser feliz, porque não agora?
Com o ritmo de vida cada vez mais rápido e com o crescente número de pressões e exigências, é com alguma frequência que se vê refletido nos rostos das pessoas
Um em cada quatro universitários toma medicação psiquiátrica
Um estudo revela que um em cada quatro universitários em Portugal toma medicação psiquiátrica, enquanto quase metade apresenta sintomas depressivos, destacando
Os dados recolhidos mostram igualmente dificuldades no equilíbrio entre a vida académica e pessoal. Mais de metade dos estudantes referem que as instituições não promovem esse equilíbrio e 13% relatam ter sido vítimas de assédio ou outras formas de abuso. Segundo o mesmo estudo, citado pelo Público, “os estudantes reclamam mais empatia por parte de quem os ensina” e esperam uma universidade que “promova o bem-estar das pessoas”, o que representa uma mudança de paradigma. Uma das exigências mais repetidas é a de “professores que nos respeitem, que se preocupem connosco, que acompanhem o nosso ritmo de aprendizagem”.
Apesar dos sinais preocupantes, o estudo também revela alguma esperança: dois terços dos inquiridos dizem que o seu percurso académico dá sentido à sua vida. No entanto, apenas metade acredita que a futura remuneração lhes permitirá concretizar os seus projectos pessoais e profissionais. Este diagnóstico, como refere o Público, surge num contexto marcado por crises sucessivas — pandemia, recessão, guerra — e será apresentado publicamente no lançamento do novo Observatório Ibérico dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Priscilla du Preez.


