A emissão do PEÇO A PALAVRA desta quarta-feira, às 16:00 na antena da TSF, vai abrir espaço ao debate sobre o ensino secundário, a qualificação dos jovens e o papel do associativismo estudantil. Nesta emissão, o programa aborda temas sensíveis como a ansiedade entre os estudantes, a pressão dos exames nacionais e o impacto crescente da inteligência artificial no estudo e na avaliação escolar. O acesso ao ensino superior, as escolhas sobre estudar em Portugal ou no estrangeiro, as propostas para mudar o currículo, são outros dos temas do programa que mergulha nas inquietações e nas ambições de quem vive hoje o ensino secundário por dentro.
Neste episódio, o painel é composto pelos líderes de três associações de estudantes da Madeira. Iago Fernandes, Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Francisco Franco, Miguel Barata, Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Jaime Moniz e Inês Pontes, Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Levada. A entrevista foi conduzida por Martim Peixoto e Manuel Gonçalves, da Académica da Madeira.
Em Portugal, existem mais de 1.500 associações jovens registadas. Os jovens do 3.º ciclo e do ensino secundário podem mostrar inclinação para integrar uma associação de estudantes quando procuram oportunidades de representar os seus pares e desenvolver competências práticas para além das aulas. De acordo com estudos internacionais sobre “school belonging”, pertencer a grupos extracurriculares, como uma associação de estudantes, está ligado a melhor motivação, menores taxas de abandono escolar e maior sucesso académico . Em Portugal, o envolvimento cívico e ambiental tem sido valorizado: 86 % dos jovens referem ter aprendido sobre sustentabilidade durante a sua formação, claramente acima da média europeia (72 %), conforme o Education and Training Monitor (2024) da União Europeia (UE), mostrando que atividades associativas também são vistas como meios para contribuir para causas relevantes. Assim, as estatísticas confirmam que as associações de estudantes não só fortalecem o sentido de integração escolar, como constituem um espaço para os jovens exercerem liderança, engajarem-se em projetos sociais e ambientais, e melhorarem o seu desempenho académico.
Iago Fernandes, Miguel Barata e Inês Pontes conversam sobre o papel das estruturas estudantis que lideram, as dificuldades que se deparam dentro do meio escolar e os desafios que as suas associações têm na defesa dos interesse dos estudantes, além dos objetivos que têm para promoção das suas atividades dentro das escolas e para incentivar os seus pares a terem um papel ativo nestas ações. O associativismo estudantil, entendem os três entrevistados, é uma das primeiras experiências de participação cívica, dando-lhes voz, sentido de responsabilidade e ferramentas para transformar a escola num espaço mais justo, solidário e aberto à mudança.
Mais de meia centena de associados aprovam as atividades e contas da ACADÉMICA DA MADEIRA
Unanimidade na assembleia-geral da ACADÉMICA DA MADEIRA, onde foram aprovados o Relatório de Atividades e Contas de 2024.
Número de candidatos ao ensino superior continua a cair
O número de candidatos ao ensino superior caiu mais de oito mil face a 2024, refletindo uma combinação de quebra demográfica,
As estatísticas nacionais, para o ensino secundário, que em Portugal passou a ser obrigatório a partir de 2009, mostram um crescimento assinalável, com dados estáveis desde o final da década passada, a rondar os 90% na taxa de conclusão. Em 1992, cerca de 20 % da população portuguesa, entre os 15 e os 64 anos, tinha completado o ensino secundário, segundo dados da OCDE, do relatório Education at a Glance. Este valor permaneceu praticamente inalterado ao longo da década de 1990, revelando um atraso estrutural no acesso à educação.
Em 2023, 55 % dos adultos portugueses tinham completado o ensino secundário, uma proporção significativamente inferior à média da OCDE, que se situa nos 79 %, conforme os relatórios do índice Better Life. Já em 2016, entre os jovens de 25 a 34 anos, a percentagem sem o secundário completo era ainda de 30 %. No entanto, em 2023, essa taxa caiu para 18 %, de acordo com o Education at a Glance (2023), colocando Portugal ligeiramente abaixo da média da OCDE, que era de 22 %. Esta evolução expressiva mostra um esforço sustentado na melhoria das qualificações da população jovem, mas também evidencia desigualdades persistentes. A taxa de conclusão no tempo previsto mantém-se mais baixa entre os cursos profissionais, e persistem diferenças significativas entre rapazes e raparigas, bem como entre estudantes de contextos socioeconómicos distintos.
O ensino profissional tem vindo a consolidar-se como uma via de qualificação relevante, embora enfrente desafios específicos. Segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), no ano letivo 2022-2023, a taxa de conclusão dos cursos profissionais atingiu os 87,8 %, com um ligeiro aumento face ao ano anterior. No entanto, apenas 63 % dos estudantes concluem no tempo previsto e 69 % dentro dos dois anos seguintes, o que revela dificuldades em assegurar percursos lineares. De acordo com o relatório Education and Training Monitor (2023) da Comissão Europeia, 83 % dos diplomados do ensino profissional estavam empregados entre um e três anos após a conclusão dos estudos, valor acima da média europeia, que situava em 79,7 %. Ainda assim, segundo o mesmo relatório, a taxa de emprego global dos jovens formados nesta via (76,7 %) permanece abaixo da média da União Europeia (81 %). A idade de ingresso mostra-se determinante: segundo a DGEEC, entre os estudantes que iniciaram o curso profissional com 15 anos ou menos, 84 % concluíram no prazo, ao passo que entre os que entraram com 17 anos ou mais, essa taxa caiu para apenas 41 %. Estes dados evidenciam que, embora o ensino profissional ofereça boas perspetivas de empregabilidade, importa reforçar o acompanhamento individualizado, sobretudo junto dos alunos que ingressam tardiamente, e melhorar a articulação entre formação escolar e contexto de trabalho.
Segundo o relatório Education at a Glance 2023, dois anos após o fim do ciclo do ensino secundário, cerca de 86 % dos estudantes completam o nível secundário, coloando Portugal na média da OCDE, com um desempenho “sólido” em termos internacionais. No país, a taxa de conclusão permanece elevada, com cerca de 90 %, mantendo Portugal entre as nações com resultados sólidos no secundário jovem. Destaca-se, ainda, que 77 % dos estudantes que iniciam o ciclo científico-humanístico completam-no no prazo e um extra de 10 % o conclui dentro dos dois anos seguintes, alcançando assim uma taxa de 87 % cumulativa.
Vocação e escolha de vida na música
O Diário de Notícias da Madeira recebe um espaço de opinião com o painel do PEÇO A PALAVRA, uma produção da ACADÉMICA DA MADEIRA na TSF MADEIRA. Neste episódio, o tema foi a música.
Ambiente e sustentabilidade em discussão
No DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Eduardo Ferreira escreve sobre os desafios do rico e frágil ecossistema da região.
O sistema educativo português apresenta maior solidez, com taxas de conclusão do ensino secundário bastante elevadas e relativamente estáveis nos últimos anos. Apesar dessa consistência, o painel considera que é fundamental continuar a investir no acompanhamento de estudantes em situações mais vulneráveis, sobretudo nas vias de ensino com maiores índices de abandono, de forma a assegurar que esses bons resultados não só se mantêm, como possam ainda ser melhorados.
O PEÇO A PALAVRA é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado. Na antena da rádio, o programa é repetido na quarta-feira seguinte.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Dorian Bogdańska.