A música é uma vocação para muitos. Porém, construir uma carreira nesse meio é um desafio sobretudo num mercado pequeno como é o do nosso país e os desafios trazidos pelas novas tecnologias. A instabilidade financeira e a necessidade de adaptação tornam essencial a resiliência dos músicos. Apesar das diversas carreiras possíveis no mundo do espetáculo musical, muitos acumulam funções devido à precariedade das profissões neste nicho cultural.
Os músicos podem atuar como professores, maestros, compositores, membros de bandas ou orquestras, organizadores de eventos ou músicos independentes. A maioria deseja atuar e viver da sua arte, mas o ensino surge como uma alternativa estável. A realidade do setor empurra muitos para múltiplas outras ocupações, combinando a criação musical com atividades complementares para garantir sustento.
Com a digitalização, surgem novas oportunidades e desafios. As redes sociais e outros meios de comunicação permitem que artistas alcancem maior visibilidade, enquanto a música de rua continua a ser um espaço autêntico de expressão. Mas será que todas essas funções permanecerão no futuro? O desejo de criar música sempre existirá, mas o mercado exige adaptação constante.
Concerto de Ano Novo da Orquestra Clássica da Madeira
A Orquestra Clássica da Madeira dá as boas-vindas ao Ano de 2023 com o grandioso e tradicional Concerto de Ano Novo, no dia 1 de janeiro, um dos seus concertos mais concorridos, ao som das populares valsas, marchas e polcas.
“De Chopin até à Lapa” chega ao Funchal
Esta sexta-feira, os guitarristas Bruno Costa e Nuno Botelho irão encher o Centro Cultural e de Investigação do Funchal com música
Na Madeira, organizar eventos é um desafio. O público está habituado a consumir cultura gratuitamente e a preferir os grandes arraiais. Isso dificulta a valorização de projetos independentes, exigindo inovação dos organizadores para garantir espaço a novas propostas musicais.
Assim como o desporto, a música pode ser uma ferramenta de bem-estar. Estudantes de qualquer área beneficiam da disciplina, criatividade e resiliência adquiridas na aprendizagem musical. Muitos ainda defendem que tocar um instrumento envolve o emocional, o intelectual e a relação física entre o que pensamos e sentimos. Esse processo torna a música um exercício profundo de autodescoberta.
A pressão e a competitividade no meio musical são enormes. Como disse Pedro Abrunhosa, no documentário Viagens, “um artista tem sempre de conquistar o seu público”. O sucesso não depende apenas do talento, mas também da capacidade de cativar e criar conexão com a audiência.
Ser da ilha, estudar no continente
Um programa sobre a experiência dos estudantes madeirenses que estudam fora da ilha, entre desafios de alojamento, apoios sociais, identidade insular e a construção de pertença longe de casa.
A TUMa organiza o ETUMa no início de dezembro
Entre 8 e 9 de dezembro, a TUMa organiza o XXVIII ETUMa – Festival de Tunas Universitárias da Madeira. Além da
O consumo de música mudou com as plataformas digitais. O acesso facilitado trouxe novas oportunidades, mas também dificuldades para os artistas, que enfrentam remunerações injustas e a necessidade de se adaptar a um mercado cada vez mais voltado para músicas curtas e virais.
Em relação à língua, os artistas portugueses tendem a cantar em inglês para alcançar mercados internacionais. Mais recentemente, o espanhol ganhou espaço devido à influência da música latina. Outras línguas, porém, ainda são pouco exploradas, limitando a diversidade cultural na música contemporânea.
Apesar dos desafios, a música continua a ser uma forma essencial de expressão e identidade. Cabe aos músicos e às estruturas culturais garantir que essa vocação possa ser sustentável e reconhecida.
Francisco Afonseca
Secção de Política do Ensino Superior da ACADÉMICA DA MADEIRA
Com fotografia de Priscilla du Preez.
