“A manter-se a oferta, […] é de antever dificuldades em consolidar ou fazer crescer o número atual de alunos”

Intervenção do Presidente do Conselho Geral, Francisco Fernandes, na Sessão do Dia da Universidade, realizada a 10 de maio de 2023, no Colégio dos Jesuítas do Funchal.
Francisco J. V. Fernandes, Presidente do Conselho Geral; Sílvio Fernandes, Reitor e Ricardo Freitas Bonifácio, Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA. Na segunda fila, José Prada, Vice-Presidente da Assembleia Legislativa Regional; Ireneu Barreto, Representante da República para a RAM e Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional durante o cortejo académico do Dia da Universidade (maio de 2023).

A celebração do Dia da Universidade da Madeira, por ocasião do seu 35.º aniversário, volta a reunir-nos, a comunidade e a academia, mais do que num ritual, mas antes no cumprimento de um dever institucional, que se cumpre com prazer, e que representa um abrir de portas a quantos se reveem ou reconhecem na missão que cabe à UMa na Região Autónoma da Madeira.

Simultaneamente, é um momento de reflexão interna e de manifestação pública da vida da academia durante o ano de existência que termina, e de perspetiva para o 36.º ano desta Universidade, a mais jovem universidade pública portuguesa, e uma das de menor dimensão, mas, nem por isso, menos importante para a comunidade que lhe incumbe servir, nem representando menor empenhamento de quantos a servem.

A redução da natalidade na Região – a segunda mais significativa do país – coloca a necessidade de ponderação sobre a futura demografia académica, sendo certo que já nasceram os que, nas próximas duas décadas, serão nossos alunos. A manter-se a oferta, e pese embora a existente margem de recrutamento de origem nacional e internacional, é de antever dificuldades em consolidar ou fazer crescer o número atual de alunos, fator determinante no atual quadro de financiamento, o qual ignora – pesem embora alguns sinais positivos da atual tutela nacional – o ónus dos custos fixos, não pondera a limitada escala desta universidade, nem considera o custo determinante da ultraperiferia.

Isto, diga-se, se nada for feito.

Magnífico Reitor:

Nada fazer, não tem sido apanágio de Vossa Excelência e da sua equipa, cumprindo-me registar a vontade de cumprimento do seu projeto e a disponibilidade sempre presente para ouvir o Conselho Geral, e as opiniões dos seus membros.

Na senda das preocupações que a todos nos fazem refletir, parece-nos essencial que, com vista a garantir a estabilidade ou mesmo o crescimento do número de alunos, e aproveitando a experiência de sucesso já experimentado entre a UMa e a Faculdade de Medicina de Lisboa, se analise, de acordo com as necessidades da Região e as preferências dos alunos e das suas famílias, a criação de parcerias similares com outras Faculdades, a fim de criar uma oferta de cursos mais robusta.

“A redução da natalidade na Região – a segunda mais significativa do país – coloca a necessidade de ponderação sobre a futura demografia académica”

Outro caminho, hoje seguido pelas universidades de todo o mundo, é o do ensino à distância, capaz de captar alunos de qualquer parte do mundo, especialmente se os cursos forem ministrados em inglês. Neste momento é uma oferta que não está disponível na nossa universidade.

Também indisponíveis estão os cursos pós-laborais que, a existir, poderiam captar alunos mais velhos, os quais, por motivos vários, entraram no mercado de trabalho sem passar pelo ensino superior e que, dessa forma, se poderiam valorizar e acrescentar valor às suas áreas profissionais.

Finalmente, e por saber que se trata de algo que já tem em ponderação, Magnifico Reitor e Equipa Reitoral, permito-me reforçar a atenção que possa ser dedicada ao Porto Santo, neste caso com a dimensão dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais em áreas de carência local ou atrativas para outras geografias de língua
portuguesa, designadamente nas profissões do Turismo.

“Outro caminho, hoje seguido pelas universidades de todo o mundo, é o do ensino à distância, capaz de captar alunos de qualquer parte do mundo”

Caminhos que representam necessidade de financiamento, acolhimento da comunidade, esforço de adaptação do corpo docente, tudo apontando no sentido daquilo que justifica a existência desta universidade: os seus alunos.

Para estes, uma palavra de estímulo e compreensão do Conselho Geral, numa fase da vida coletiva de dificuldades acrescidas, às quais a universidade tem procurado atenuar através da Ação Social e dos contributos de algumas empresas e da Académica da Madeira, mas que urge robustecer com maior envolvimento do tecido económico, seja na forma mecenática, na atribuição de bolsas, facultando estágios ou proporcionando intercâmbios internacionais.

É dia também para agradecer ao Governo da Madeira e às mais diversas entidades regionais, designadamente Autarquias que, uma vez mais se nos juntam neste encontro anual em que transmitimos o pulsar desta universidade e o empenhamento para que continuemos a ser um parceiro fundamental do desenvolvimento da Região Autónoma, na medida que em persistimos no cumprimento de projetos que conciliam a oferta pedagógica com os objetivos estratégicos regionais de que são exemplo o curso de medicina, o turismo, o mar, a formação de professores, os cursos técnicos superiores profissionais e a investigação.

O Conselho Geral da UMa, que aqui represento, volta a manifestar a sua solidariedade para com a Universidade da Madeira, juntando a sua voz na defesa na nossa Universidade, grato a quantos, como convidados, manifestam igualmente que estão com a Universidade da Madeira.

Magnífico Reitor

Expresso na pessoa Vossa Excelência os votos de que este Dia da UMa seja um estímulo para si e para a sua equipa, votos extensivos ao corpo docente e não docente
e aos alunos para os quais e pelos quais existimos.

Muito obrigado!

Francisco J. V. Fernandes
Presidente do Conselho Geral da UMa
Com fotografia de Roberto Sousa.