Foi um dia para recordar pois, pelo menos neste século, não há registo de uma manifestação estudantil no Colégio dos Jesuítas do Funchal. Cerca de trinta estudantes estiveram no Dia da Universidade da Madeira (UMa) com cartazes sobre o Ensino Superior.
Dia da Universidade da Madeira
O Dia da Universidade da Madeira é uma data de grande importância para toda a comunidade académica da região. Celebrado anualmente a 6 de maio, este dia assinala ligação da UMa com a abertura das aulas no antigo Colégio dos Jesuítas do Funchal.
Cadeiras vazias denunciam abandono crescente no ensino superior
Uma instalação com 70 cadeiras vazias na Universidade de Lisboa alertou para o abandono escolar no ensino superior, que atingiu sete
Segundo Ricardo Freitas Bonifácio, Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, tratou-se de uma manifestação em prol do respeito pela Universidade. O líder estudantil refere que os pontos de reivindicação, junto do ministério, passam por “um financiamento digno que permita que a UMa combata o abandono escolar e tenha mais mecanismos para apoiar a saúde mental e física e combater o assédio e a violência”. Além disso, o alojamento estudantil e a precariedade dos professores e investigadores foram outros pontos que constavam nas mensagens.
Na sessão solene do Dia da UMa, interveio o Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, que iniciou o seu discurso indicando que “Celebrar o Dia da Universidade é recordar a nossa História e prestar homenagem a toda a nossa comunidade.”
“Enquanto a Universidade da Madeira possuir uma comunidade interessada e participativa, estamos no bom caminho”, Ricardo Freitas Bonifácio.
Em 1570, a 6 de maio, abriam-se as aulas do Colégio dos Jesuítas do Funchal, de que “D. Sebastião determina a criação e o seu financiamento […] à custa do erário régio”, com “600 mil réis de renda cada um ano”, citou o Presidente, explicando, que “já no século XVI não aceitavam educação sem financiamento”.
Apontando o alojamento estudantil como problema crónico do Ensino Superior, devido ao estado deteriorado ou à falta de capacidade das instalações face à procura, Ricardo Freitas Bonifácio, explica que o problema “não está tanto no comportamento do mercado imobiliário, mas sim na falta de investimento adequado no alojamento estudantil, que dura há décadas.”
Há “falta de investimento adequado no alojamento estudantil, que dura há décadas”, Ricardo Freitas Bonifácio.
O líder estudantil alertou para o facto de, na UMa, “cerca de três centenas de estudantes abandonaram ou desistiram dos seus estudos”, desde o início do ano letivo, destacando certas medidas que a ACADÉMICA tem proposto a bem do sucesso escolar. Entre elas, “a criação de um plano de acesso gratuito à Internet para os estudantes do Ensino Superior nas suas habitações, durante a frequência dos cursos”; melhores bolsas de estudo para os estudantes; e “redução do valor das propinas”, através da “diminuição gradual […] até à sua eliminação”.
Em quase 600 estudantes participantes de um inquérito promovido pelo Observatório de Saúde Mental da ACADÉMICA, “40% dos inquiridos indicou já ter pensado em desistir do seu curso”, quase metade indicou já ter sentido necessidade de apoio psicológico ao longo do seu percurso académico e deles “metade não procurou ajuda, 42% procurou apoio fora da Universidade da Madeira e 8% procurou apoio dentro. Continuamos a viver uma pandemia silenciosa, mas não menos preocupante”, concluiu o Presidente.
“As pessoas não fingem problemas, elas fingem estar bem”
ACADÉMICA DA MADEIRA apresenta uma campanha sobre integração no ensino superior, alertando para a importância que os estudantes têm no bem-estar da sua comunidade.
Não foi um Dia da UMa fácil. Enquanto o reitor se enganou, o ministro não se comprometeu com aumentos
Se houve algum incómodo nas declarações do ministro Fernando Alexandre, o reitor da UMa parece não ter tido um dia fácil.
Além do acompanhamento dos desafios da comunidade estudantil e da luta por melhores condições de ensino, Ricardo Freitas Bonifácio destacou as ações da ACADÉMICA em prol dos estudantes, como o programa Embaixadores que visa “a promoção de atividades e programas de acolhimento, de acompanhamento”, a dinamização de “visitas escolares a todos os nossos colegas e a qualquer jovem” a partir do Colégio dos Jesuítas e de forma gratuita, além da promoção de “variados programas de apoio social e voluntariado, aplicando dezenas de milhares de euros em apoios.”
“Temos que nos afastar do medo, da indiferença e do conformismo e honrar todos os que lutaram e lutam por um Portugal mais justo, por um Estado ao serviço dos seus cidadãos.”, deixou o aviso o Presidente da ACADÉMICA.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Fotografia de Pedro Pessoa.