Centenas de bolseiros de investigação científica estão a enfrentar atrasos considerados inaceitáveis no pagamento das bolsas atribuídas no âmbito do concurso anual de 2025, uma situação que voltou a expor fragilidades estruturais no sistema de financiamento da ciência em Portugal. Perante este cenário, a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica convocou uma concentração de protesto para sexta-feira, dia 30 de janeiro, às 12h, em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, em Lisboa, com o objetivo de exigir uma resposta imediata por parte do Estado.
Os atrasos têm impactos diretos e profundos na vida pessoal e profissional de quem depende exclusivamente destas bolsas para desenvolver trabalho científico. Muitos bolseiros relatam dificuldades em assegurar despesas básicas, como habitação, alimentação ou transportes, num contexto já marcado pela precariedade laboral e pela ausência de direitos sociais equiparáveis aos de outros trabalhadores. Segundo a ABIC, esta não é uma situação excecional, mas sim um problema recorrente que se repete ano após ano, afetando sobretudo investigadores em início de carreira.
Um doutoramento em Ciências Biológicas que “pode ser atraente para estudantes de outros países da União Europeia”
Biólogos, químicos, bioquímicos, professores de ciências naturais são alguns dos profissionais que constituem o público-alvo do Doutoramento em Ciências Naturais aberto pela Universidade da Madeira.
Bolseiros exigem fim da precariedade na ciência
Em comunicado, a ABIC defende que a precariedade na ciência portuguesa só será resolvida com o fim do Estatuto do Bolseiro
A concentração pretende também chamar a atenção para a necessidade de mudanças estruturais que garantam previsibilidade e cumprimento rigoroso dos prazos de pagamento. Para além da regularização imediata das bolsas em atraso, os bolseiros exigem garantias claras de que estes constrangimentos não voltarão a ocorrer, sublinhando que a instabilidade financeira compromete não só a vida dos investigadores, mas também a continuidade e a qualidade dos projetos científicos em curso.
A mobilização apela à participação de todos os bolseiros atualmente afetados, bem como daqueles que, em anos anteriores, passaram por situações semelhantes, reforçando uma ação coletiva em defesa da dignidade do trabalho científico. A ABIC destaca ainda a importância da presença da comunicação social na concentração, considerando-a essencial para dar visibilidade pública ao problema e pressionar as entidades responsáveis a assumir as suas obrigações perante a comunidade científica.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de NIAID.