TOVAS INTEMPORAIS é o título do novo álbum dos FATUM, gravado em março de 2025. É o primeiro trabalho do grupo dentro da Associação para Promoção da Herança Madeirense e a integrar instrumentistas e vozes femininas, evidenciando que, assim como a Academia, as tradições estudantis também se adaptam aos novos tempos. Trata-se também do primeiro álbum a deixar o formato físico sendo disponibilizado para o público exclusivamente nas plataformas digitais. O álbum, nos próximos meses, receberá novos temas que serão gravados.
O trabalho compõe-se de faixas emblemáticas que representam diferentes estilos e facetas do cancioneiro de Coimbra como a balada, a serenata e o fado clássico. A eles junta-se a canção de intervenção, que não sendo exclusiva dos estudantes, teve nos artistas de Coimbra das manifestações maiores da arte ao serviço da mobilização e conscientização social.
Cada uma das cinco faixas escolhidas para este álbum carrega consigo uma história rica e um significado especial, tanto para o grupo como para a música portuguesa em geral.
Com poema de Reinaldo Ferreira e música de Luís Cília, “Menina dos Olhos Tristes” é uma canção de intervenção profundamente marcante. Originalmente gravada em 1965, para o EP Portugal Resiste, tornou-se bandeira contra a opressão da Ditadura e um aos horrores da Guerra Colonial. A canção foi imortalizada por vozes icónicas como as de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, sendo ainda hoje uma referência no repertório da música de intervenção portuguesa. Os FATUM estrearam a sua interpretação desta canção no dia 24 de abril de 2024, durante o concerto comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril, realizado no Parque de Santa Catarina, no Funchal. Este momento foi particularmente simbólico, unindo a tradição musical à celebração da liberdade conquistada pela Revolução dos Cravos.
HISTORY TELLERS é um dos vencedores dos prémios Caixa Social de 2023
O circuito de visitas “HISTORY TELLERS: Funchal Cultura Viva”, promovido pelo programa HERANÇA MADEIRENSE da ACADÉMICA DA MADEIRA e criado com a Associação Teatro Bolo do Caco, foi um dos 36 vencedores, entre 777 projetos, do prémio atribuído pela Caixa Geral de Depósitos.
Os FATUM, ouvidos em 58 países, anunciam novo videoclipe: “Barco Negro”
Dia 25 de dezembro os FATUM, o grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA, apresenta um novo videoclipe. O grupo acumula
“Canção das Lágrimas”, cujo verso principal — “Lágrimas que a gente chora” — ecoa como um um fado-canção de amor, celebrizado pelo açoriano Fernando Machado Soares, sendo considerada uma das mais antigas obras do cancioneiro coimbrão, remontando a 1927. A autoria é atribuída a Armando do Carmo Goes, tio do célebre cantor e autor Luís Goes. Esta obra transporta consigo o peso da tradição e da memória coletiva da música portuguesa, sendo uma escolha natural para os FATUM, que têm como missão preservar e divulgar este património.
Luís Goes, nome maior do fado de Coimbra que nos deixou já neste século, é recordado na sua composição musical “Romagem à Lapa”, com poema de Leonel Neves, uma balada melancólica que descreve poeticamente a Lapa dos Esteios, um local romântico situado sobre o rio Mondego, em Coimbra. Ligando o contemporâneo às raízes do fado de Coimbra, esta canção invoca uma Lapa que já no século XIX era símbolo da boémia estudantil, com sentimentos nostálgicos e imagens da cidade universitária, berço de Luís Goes.
“Rua Larga” é uma obra também imortalizada por Luís Goes, mas a versão dos FATUM é gravada na voz de uma mulher. Com letra e música de Carlos de Figueiredo, fala da antiga Rua Larga de Coimbra, que era um espaço onde a cidade e as faculdades se misturavam até à reformulação urbanística dos anos 1940, seguindo o projeto de Luís Cristino da Silva (autor do monumento a João Gonçalves Zarco, que leva a estátua da autoria de Francisco Franco, no centro do Funchal). A atual alameda universitária também chamada Rua Larga, estende-se da estátua de D. Dinis (fundador da universidade), da autoria de Francisco Franco, e termina na Porta Férrea da Universidade de Coimbra. Esta canção, porém, é uma memória afetiva da velha Rua Larga, da história da cidade e das mudanças que marcaram Coimbra ao longo do tempo.
O madeirense Edmundo de Bettencourt, tenor e autor incontornável da canção de Coimbra, volta a ser celebrado pelo grupo FATUM, depois de, no ano passado, ter lançado nas redes sociais um vídeo gravado na Alta de Coimbra com o fado “Saudades de Coimbra”, de Bettencourt e António de Sousa, com música de Mário Faria da Fonseca. Este tema foi originalmente gravado em Lisboa, em 1929, em discos de 78 rotações pela Columbia Gramophone Co., interpretado pelos três autores (voz de Bettencourt e violas de cordas de aço de Sousa e Faria da Fonseca), acompanhados pela guitarra de Artur Paredes (pai de Carlos Paredes). Artur juntou-se também a Faria da Fonseca e Bettencourt, no mesmo contexto, para gravação de outro tema dos dois artistas, o “Fado dos Olhos Claros”. Esta serenata de amor, do alvorecer do Modernismo em Portugal, é outro marco na estética musical coimbrã de há 100 anos. Sabe-se que Edmundo de Bettencourt chegou a alterar o verso original “Olhar de luar e água” para “Oh olhar de luar na água”, com o qual fez posterior gravação. O “Fado dos Olhos Claros” encerra o novo álbum dos FATUM que, recuperando o poema original, interpretam a versão de 1929.
Para o último sarau do ano letivo, os FATUM voltam ao Colégio dos Jesuítas
No próximo dia 28 de julho, sexta-feira, às 21:00, os FATUM, grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA, trará toda a magia da Canção de Coimbra ao Colégio dos Jesuítas do Funchal. Como é habitual, a entrada será gratuita, permitindo a todos desfrutar do espetáculo.
Depois das atuações no Reino Unido, os FATUM regressam ao Colégio dos Jesuítas do Funchal
O grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA regressa ao Colégio dos Jesuítas do Funchal para a habitual atuação quinzenal. Vários
A gravação do álbum foi realizada nos estúdios de Paulo Ferraz, à semelhança dos álbuns anteriores gravados pelo grupo. A parceria com o produtor musical madeirense garante a continuidade da sonoridade característica e da qualidade que marcaram os outros trabalhos dos FATUM, refletindo a confiança dos artistas nos técnicos e no ambiente criativo proporcionado pelo espaço, que já se tornou parte essencial do processo artístico do grupo.
A escolha das músicas é mais do que o compromisso dos FATUM com a preservação das tradições musicais portuguesas. Trata-se da reinterpretação das obras à luz das sensibilidades contemporâneas, com o envolvimento dos jovens músicos, estudantes e antigos estudantes da Universidade da Madeira. No processo, foram envolvidos formandos dos FATUM, sublinhando o papel pedagógico do grupo na transmissão de um legado musical às novas gerações.
O álbum conta com um elenco diversificado de intérpretes que refletem a riqueza musical do grupo. As vozes principais são Carlos Diogo Pereira, Manuel Gonçalves e Mafalda Brazão. Nas guitarras portuguesas, na variante de Coimbra, estão Hugo Branco, Ismael da Gama, David Freitas e Pedro Gouveia, este último como guitarrista convidado e antigo membro dos FATUM. A acompanhar estarão ainda as guitarras clássicas ou violas de David Freitas, Beatriz Ricardo, Diogo Freitas e Carlos Abreu.
A distribuição das interpretações pelas diferentes faixas foi cuidadosamente planeada para destacar as qualidades individuais dos músicos enquanto mantém a coesão sonora característica do grupo.
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Fundados em janeiro de 2010, o grupo completou 15 anos de existência em janeiro último e são o grupo o residente do Colégio dos Jesuítas do Funchal — um edifício histórico com mais de 400 anos e parcialmente classificado como Monumento Nacional, desde 1940 — onde realiza quinzenalmente concertos que atraem tanto residentes locais como turistas.
Ao longo destes anos, os FATUM lançaram quatro álbuns e construíram uma forte presença digital através das redes sociais e plataformas musicais online, com dezenas de milhar de ouvintes de todo o mundo. Este esforço tem permitido ao grupo levar a música portuguesa além-fronteiras.
Em 2024, o FATUM foi o primeiro grupo fora de Coimbra a integrar a Serenata dos Antigos Estudantes, realizada na Sé Nova de Coimbra, no contexto das Festas da Rainha Santa Isabel. Em janeiro de 2025 integraram o Fado Funchal, organizado pela Câmara Municipal do Funchal, numa serenata na Capela de Nossa Senhora da Neves, em São Gonçalo, além de uma digressão pelo Reino Unido, que incluiu concertos no sul de Inglaterra e na ilha de Jersey.
Com o início do ano letivo, os FATUM ganham nova vida, com seis novos membros na sua formação, entre raparigas e rapazes estudantes de diferentes licenciaturas, que se distribuem em dois guitarras de Coimbra, dois guitarras clássicas e dois solistas.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira.
ET AL.
Com fotografia editada por Pedro Pessoa.