Um relatório da OCDE mostra que apenas 23% dos jovens portugueses entre os 25 e os 34 anos, cujos pais não concluíram o ensino secundário, conseguiram terminar um curso superior. Em contraste, esse número sobe para 73% entre os jovens cujos pais têm formação superior, uma diferença de 50 pontos percentuais, acima da média da OCDE. “Quando se compara entre países, esta diferença está entre as maiores”, afirmou Paulo Santiago, responsável da OCDE que apresentou os dados.
Na apresentação do relatório Education at a Glance 2025, a secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, reconheceu avanços, mas alertou que “em 2008, apenas 1% da população com baixos rendimentos tinha ensino superior, contra 15% da restante população. Desde então houve progresso, mas desigual: hoje a percentagem é de 11% para os mais desfavorecidos e 33% para os restantes”. Para a governante, é essencial “garantir equidade de oportunidades” para atingir a meta de 50% de diplomados em 2030.
Conselho de Reitores com novo Presidente
O reitor da Universidade de Lisboa assume a liderança do CRUP num momento marcado por reformas profundas no ensino superior português.
Extinção da FCT levanta alertas internos sobre o futuro da ciência
Num parecer crítico, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia identifica fragilidades sérias no modelo da nova Agência para a
Cláudia Sarrico destacou ainda o papel dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais, sublinhando que são uma porta de entrada no ensino superior para “públicos que antes ficavam de fora, ajudando a alargar a base social de quem frequenta o ensino superior”. Contudo, lembrou que apenas 1% dos jovens portugueses possui este diploma, quando a média da OCDE é de 7% e em Espanha chega a 15%. O Governo pretende, por isso, alargar esta oferta, articulando-a com as necessidades regionais e do mercado de trabalho.
A governante anunciou também medidas para rever o financiamento das instituições, introduzindo critérios de desempenho, e reforçou que se manterá a “exigência nos exames nacionais”, considerados “a garantia de que os alunos chegam ao ensino superior com um nível adequado de preparação”. A revisão da carreira académica está igualmente prevista, avançando para “uma carreira única, mas com perfis diferenciados”, enquanto se reforçam apoios sociais para que nenhum estudante abandone o curso por razões económicas.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Eliabe Costa.