Com um cartaz de luxo e um preço completamente acessível de 4,90 euros por sessão, existindo ainda a possibilidade de os clientes NOS poderem usufruir do desconto 2=1 aplicado ao valor normal da bilheteira, a 4.ª edição do Festival Screenings Funchal acontece nos Cinemas NOS do Forum Madeira, durante o mês de outubro.
Pedro Pão, programador do Festival, adianta que a edição “presta homenagem à riqueza formal e temática do noir” que, “mais do que estilo visual, trata-se de uma forma de olhar o mundo, um cinema onde tudo é posto em causa, onde a verdade está sempre por um fio, e onde cada escolha tem um preço”. Como se pode ler no livreto do programa, o “film noir não é propriamente um género, mas antes uma forma cinematográfica marcada por um conjunto de atmosferas, inquietações e ambivalências” que nasceu entre 1940 e 1950, “forjado no seio do cinema clássico de Hollywood” e distinguindo-se por um “olhar desencantado sobre o mundo moderno, enredos que colocam em causa o heroísmo tradicional e protagonistas divididos entre o desejo e a culpa, a lucidez e o engano”.
Os detalhes da programação podem ser consultados no livreto do festival.
3 de outubro, 21:00
SORRY, WRONG NUMBER
De Anatole Litvak
4 de outubro, 21:00
IN A LONELY PLACE
De Nicholas Ray
10 de outubro, 21:00
DOUBLE INDEMNITY
De Billy Wilder
11 de outubro, 21:00
THE MALTESE FALCON
De John Huston
17 de outubro, 21:00
THE STRANGE LOVE OF MARTHA IVERS
De Lewis Milestone
18 de outubro, 21:00
THE BIG SPLEEP
De Howard Hawks
24 de outubro, 21:00
CLASH BY NIGHT
De Fritz Lang
25 de outubro, 17:00
Masterclass por Luís Miguel Oliveira
Na Galeria Porta 33
25 de outubro, 21:00
DEAD RECKONING
De John Cromwell
O programador destaca que “optou-se por não seguir uma ordem cronológica”, colocando, lado a lado, os protagonistas Barbara Stanwyck (3, 10, 17 e 24 de outubro) e Humphrey Bogart (4, 11, 18 e 25 de outubro), que são assumidos como as “duas figuras centrais”, “emparelhando as obras de forma a criar pontes temáticas”.
O festival revela ousadia ao apostar numa programação intensa e desafiante, podendo transformar o ato de ir ao cinema numa afirmação de resistência cultural: “com oito argumentos, que nos parecem suficientes para sustentar a tese de que, havendo uma oferta que o justifique e uma massa crítica que a saiba apreciar, ir ao cinema regularmente poderia ser, como noutros sítios, um hábito cultural tão natural quanto uma ida ao café”. Recorde-se, recentemente, o anúncio de fecho das salas de cinema do Madeira Shopping, “para dar lugar a uma cadeia de vestuário descartável, é motivo de regozijo e as considerações habituais sobre a morte do cinema”.
Uma nota final, de destaque, para o cartaz gráfico do Festival, criado por Jennifer Dionisio, artista e ilustradora independente, apaixonada por projetos criativos ligados ao cinema, televisão, livros e música, cujo trabalho combina estilo cinematográfico, referências vintage e uma forte dimensão de narrativa visual.
Luís Eduardo Nicolau
ET AL.
Com fotografia da película de Anatole Litvak.