Milhares de estudantes encheram as ruas de Lisboa a 24 de março, no âmbito do Dia Nacional do Estudante, numa marcha que teve como destino final a Assembleia da República. Empunhando faixas com palavras de ordem como “Não recuamos! Gratuitidade já!”, exigiram o fim das propinas, mais alojamento público e melhores condições nas instituições de ensino. A iniciativa contou com o apoio de mais de duas dezenas de estruturas estudantis, tanto do secundário como do superior, e procurou lançar um sinal claro ao Governo.
Entre os manifestantes esteve Violeta Gregório, presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, que apontou o dedo às opções políticas em torno do financiamento do ensino superior. “O dinheiro existe, mas está a ser canalizado para outras áreas”, afirmou em declarações ao Público. A dirigente sublinhou ainda a situação vivida pelos estudantes deslocados, muitos dos quais acabam o mês a ter de escolher entre pagar a renda ou comer — quanto mais adquirir o material necessário às suas formações, como acontece no ensino artístico.
ACADÉMICA DA MADEIRA recordou a importância do ambiente
O hastear da Bandeira Verde do Programa Eco-Escolas da Escola Superior de Tecnologias e Gestão da Universidade da Madeira (UMa) integrou as comemorações do DIA NACIONAL DO ESTUDANTE. A data de luta e reivindicação também foi marcada pela criação do Conselho de Associações Académicas Portuguesas, representando 80 mil estudantes.
Manifestação reúne milhares no Dia Nacional do Estudante
A ACADÉMICA DA MADEIRA assinalou o DIA NACIONAL DO ESTUDANTE com um manifesto sobre alguns dos pontos que considera fundamentais
Ao longo do percurso, a manifestação foi ganhando força. Cravos foram lançados do topo do Elevador de Santa Justa e ouviram-se palavras de ordem que remetem para o espírito de Abril. Cartazes como “Nem congelada. Nem derretida. Queremos o fim da propina!” resumiam a indignação sentida. Os estudantes contestam ainda a intenção do ministro da Educação de descongelar o valor das propinas, elevando o tecto máximo atualmente fixado nos 697 euros, bem como a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.
Para muitos, a crise da habitação é o principal entrave ao acesso ao ensino. Henrique Calado, da NOVA, alertou que há alunos a desistir de estudar em Lisboa e no Porto por não conseguirem suportar os custos. Já David Pires, do Instituto Superior Técnico, lamenta o estado das infraestruturas na sua faculdade, como o pavilhão civil onde “chove lá dentro há anos”. A mensagem deixada pelos estudantes é clara: sem investimento e medidas concretas, a equidade no ensino superior continuará fora do alcance.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de arquivo da AAUM.
