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Estudantes marcham por ensino superior gratuito e digno

Estudantes marcham por ensino superior gratuito e digno

Milhares de estudantes manifestaram-se em Lisboa exigindo o fim das propinas, mais alojamento público e melhores condições no ensino superior.
Conselho de Associações Académicas Portuguesas mobilizou centenas de estudantes em Lisboa, para manifestação de 21 de março de 2024. Fotografia da Associação Académica da Universidade do Minho.

Milhares de estudantes encheram as ruas de Lisboa a 24 de março, no âmbito do Dia Nacional do Estudante, numa marcha que teve como destino final a Assembleia da República. Empunhando faixas com palavras de ordem como “Não recuamos! Gratuitidade já!”, exigiram o fim das propinas, mais alojamento público e melhores condições nas instituições de ensino. A iniciativa contou com o apoio de mais de duas dezenas de estruturas estudantis, tanto do secundário como do superior, e procurou lançar um sinal claro ao Governo.

Entre os manifestantes esteve Violeta Gregório, presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, que apontou o dedo às opções políticas em torno do financiamento do ensino superior. “O dinheiro existe, mas está a ser canalizado para outras áreas”, afirmou em declarações ao Público. A dirigente sublinhou ainda a situação vivida pelos estudantes deslocados, muitos dos quais acabam o mês a ter de escolher entre pagar a renda ou comer — quanto mais adquirir o material necessário às suas formações, como acontece no ensino artístico.

ACADÉMICA DA MADEIRA recordou a importância do ambiente

O hastear da Bandeira Verde do Programa Eco-Escolas da Escola Superior de Tecnologias e Gestão da Universidade da Madeira (UMa) integrou as comemorações do DIA NACIONAL DO ESTUDANTE. A data de luta e reivindicação também foi marcada pela criação do Conselho de Associações Académicas Portuguesas, representando 80 mil estudantes.

Ao longo do percurso, a manifestação foi ganhando força. Cravos foram lançados do topo do Elevador de Santa Justa e ouviram-se palavras de ordem que remetem para o espírito de Abril. Cartazes como “Nem congelada. Nem derretida. Queremos o fim da propina!” resumiam a indignação sentida. Os estudantes contestam ainda a intenção do ministro da Educação de descongelar o valor das propinas, elevando o tecto máximo atualmente fixado nos 697 euros, bem como a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.

Para muitos, a crise da habitação é o principal entrave ao acesso ao ensino. Henrique Calado, da NOVA, alertou que há alunos a desistir de estudar em Lisboa e no Porto por não conseguirem suportar os custos. Já David Pires, do Instituto Superior Técnico, lamenta o estado das infraestruturas na sua faculdade, como o pavilhão civil onde “chove lá dentro há anos”. A mensagem deixada pelos estudantes é clara: sem investimento e medidas concretas, a equidade no ensino superior continuará fora do alcance.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de arquivo da AAUM.

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