Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

Investigadores pedem veto presidencial ao novo estatuto da carreira científica

Investigadores pedem veto presidencial ao novo estatuto da carreira científica

Investigadores e associações científicas pedem a Marcelo Rebelo de Sousa que vete o novo estatuto da carreira científica, alertando para falhas na sua aplicação e risco de agravamento da precariedade no setor.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está a ser pressionado para vetar o novo estatuto da carreira científica, devido a dúvidas sobre a sua aplicação e potenciais impactos no emprego dos investigadores. O diploma, apresentado pelo Governo como um passo em direção à estabilidade profissional dos cientistas, tem sido alvo de críticas por parte de associações do setor, que alertam para a falta de clareza em aspetos essenciais, como a transição para o novo regime e as fontes de financiamento necessárias para a sua concretização.

Um dos principais receios prende-se com o risco de o novo enquadramento não solucionar a precariedade que afeta há anos a investigação em Portugal. Muitos investigadores receiam que as novas categorias profissionais e requisitos impostos acabem por dificultar a progressão na carreira, sem garantias de contratos estáveis e devidamente remunerados. Além disso, persistem dúvidas sobre o impacto que este modelo terá na autonomia das instituições científicas e na sua capacidade de gerir recursos humanos de forma flexível e sustentável.

Face a estas preocupações, várias entidades e especialistas dirigiram-se a Marcelo Rebelo de Sousa, apelando a uma reflexão mais profunda antes da promulgação do diploma. Defendem que, sem ajustamentos, a legislação pode agravar os problemas existentes, em vez de os resolver. O pedido de veto surge acompanhado de questões sobre a viabilidade financeira das mudanças propostas e sobre a capacidade do sistema científico de absorver estas alterações sem comprometer a qualidade da investigação.

A decisão do Presidente será determinante para o futuro do estatuto da carreira científica. Se avançar sem alterações, o diploma poderá introduzir desafios adicionais num setor já marcado pela instabilidade. Se for devolvido ao Parlamento, abre-se a porta a um novo debate, que poderá permitir a introdução de melhorias. Enquanto isso, a comunidade científica mantém a pressão para que qualquer reforma traga garantias reais de valorização e estabilidade para os investigadores.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pexels Chokniti.

Palavras-chave