Setenta cadeiras vazias foram esta quarta-feira colocadas na Alameda da Universidade de Lisboa, numa instalação simbólica organizada pela Federação Académica de Lisboa (FAL). Cada cadeira representava 100 estudantes que, segundo estimativas da FAL, abandonaram o ensino superior no ano letivo de 2022/2023 — um total de sete mil alunos. Esta iniciativa, inserida nas comemorações do Dia Nacional do Estudante, procurou chamar a atenção para o agravamento de um problema que não é novo, mas que tem vindo a crescer. “Há oito anos que não se registava uma taxa de abandono tão elevada”, alertou Sofia Loureiro, vice-presidente da FAL.
A intervenção foi acompanhada por vários cartazes com dados preocupantes: a taxa de abandono no último ano letivo foi de 11,73%, com destaque para cursos como osteopatia, engenharia civil, informática de gestão e enfermagem. Os números são particularmente alarmantes nos institutos politécnicos, onde o abandono atinge os 13,88%, contrastando com os 9,39% registados nas universidades. De notar que quatro dos cinco cursos com maiores taxas de desistência são ministrados por instituições privadas, o que levanta questões sobre as condições de permanência nestes estabelecimentos.
Qvo vadis?
O DIÁRIO DE NOTÍCIAS da Madeira recebe um espaço de opinião com o painel do PEÇO A PALAVRA, uma produção da ACADÉMICA DA MADEIRA na TSF MADEIRA. Neste episódio, o tema é a integração e o papel da praxe neste processo.
Estudantes passam a dispor de consultas de psicologia e de nutrição
A partir de 30 de setembro, os estudantes terão acesso a consultas de psicologia e nutrição, através de um programa governamental.
Entre os principais motivos apontados para este fenómeno estão o cansaço académico, a dificuldade de adaptação e, sobretudo, os problemas financeiros. Pedro Neto Monteiro, presidente da direção-geral da FAL, sublinhou que muitos estudantes não conseguem suportar os custos do alojamento, enfrentam atrasos no pagamento de bolsas ou até a ausência de apoio adequado em graus mais avançados, como o doutoramento. Defende que é urgente reforçar os apoios sociais e criar estruturas dentro das instituições que possam detetar e acompanhar casos de risco de abandono.
Quem passa pela Alameda sente o peso da realidade. Oriana, Madalena e Igor, estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pararam para observar a instalação. Madalena, deslocada de Leiria, admite que os custos são pesados. Paga cerca de 500 euros por um quarto — um valor suportado pela família, mas que está longe de ser acessível para quem vive com o salário mínimo. “Conheço colegas que desistiram. Sabia que era um problema, mas não imaginava que os números fossem tão altos”, confessou.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Massimo Virgilio.