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Não é o vestido que faz a mulher…

Não é o vestido que faz a mulher…

Este artigo tem mais de 1 ano

Há 100 anos, a Europa vivia tempos difíceis, marcados pela guerra, fome, pandemia, inflação, instabilidade política. Neste período viveu Luiza Susana Grande de Freitas Lomelino, autora de origem madeirense que assinava como Luzia e cuja história podemos descobrir no livro VIDAS (DES)CONHECIDAS: LUZIA de Xavier Miguel e Teresa Vieira.
Ilustração de Teresa Vieira da obra LUZIA de Xavier Miguel e Teresa Vieira, editada pela IMPRENSA ACADÉMICA como segundo volume da coleção VIDAS (DES)CONHECIDAS.

Luiza (ou Luísa, como escrevemos atualmente) teve uma vida que, mesmo marcada por diversas tragédias, é uma inspiração para todos os que desejam realizar os seus sonhos.

Órfã de ambos os pais desde a infância. Vítima de um marido iracundo, alcoólico e viciado no jogo. De compleição frágil, sofreu de depressão e de várias doenças físicas. Na velhice, viveu com dores incapacitantes que lhe limitavam os movimentos.

Com a cabeça na Lua!

Luna e o Bochechinhas, o livromante, são personagens criadas por Andreia Baptista e que têm feito as delícias das crianças da Madeira. No início de 2023, a escritora faz o balanço da receção do seu primeiro livro e fala de projetos futuros.

Por outro lado, que sempre que pôde, tomou as rédeas do seu destino.  Casou por amor, com quem quis e enfrentou o preconceito ao tornar-se uma das primeiras mulheres a divorciar-se em Portugal, mal foi aprovada a lei, no início da Primeira República. Enquanto se restabelecia da tuberculose em França, foi apanhada pela Grande Guerra, mas, em vez de regressar à relativa segurança da sua pátria, dedicou-se a ajudar os soldados feridos, confortando-os e responsabilizando-se pela correspondência com as suas famílias. Com o tempo, tornou-se numa das distintas figuras nos círculos intelectuais de Portugal, valorizando o papel da mulher na sociedade.

Não tanto conhecido é o facto de ter colaborado na criação de um museu na Quinta das Cruzes, a antiga residência funchalense dos Freitas Lomelino, seus avós maternos, contribuindo com mobiliário e outras peças do espólio destes morgados, uma das mais antigas linhagens nobres da Madeira.

Há 100 anos, a Europa vivia tempos difíceis, marcados pela guerra, fome, pandemia, inflação, instabilidade política.

Foi, porém, na escrita que singrou. Desde muito jovem que acalentava o sonho de ser escritora, chegando mesmo a enviar contos para alguns jornais, nem sempre com o êxito que ambicionava.

Em adulta, sob o pseudónimo de Luzia (anagrama do seu nome), resolveu publicar OS QUE SE DIVERTEM, obra que a Imprensa Académica também viria a escolher para iniciar a coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS. Este seu primeiro livro foi, desde logo, um sucesso, tornando Luzia numa das mais apreciadas autoras portuguesas do seu tempo.

A Luiza/ Luzia merece ser conhecida por todos como exemplo de perseverança, face aos obstáculos. Em VIDAS (DES)CONHECIDADAS: LUZIA temos a sua vida, contada a todas as idades, pelo ator e dramaturgo Xavier Miguel e pela artista visual e ilustradora Teresa Vieira.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com imagem da ilustração de Teresa Vieira.

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