Entre bronzeadores e árvores de Natal

Quando pensamos no Natal, vem-nos logo à cabeça uma celebração associada ao mês de Dezembro e às baixas temperaturas que já se fazem sentir nessa altura. Contudo, cada vez mais, é frequente repararmos que os estabelecimentos comerciais começam a expor os seus produtos natalícios em meados do mês de Setembro, fazendo com que os clientes se deparem ora com bronzeadores, ora com árvores de Natal, nos expositores.

O Natal é celebrado no mês de Dezembro e tal acontece porque a Igreja Católica, aproximadamente no século III d.C, decidiu adoptar uma celebração pagã do nascimento do Deus Sol, de modo a facilitar a conversão dos povos pagãos ao Cristianismo, religião seguida pelo Império Romano. No entanto, nos últimos anos o Natal revestiu-se de muitos outros significados, esbatendo-se o seu simbolismo religioso e ganhando muitas conotações comerciais. Estamos em posição de não sabermos precisamente quando começa o Natal!

Será mesmo em Dezembro? Ou será quando são colocadas as decorações nas ruas? Talvez seja mesmo no início de Setembro, quando as grandes superfícies decidem colocar os enfeites natalícios à venda. No meio de tantas questões, e como se não fossem suficientes, surge uma outra: Porquê é que as lojas começam a comercializar artigos de Natal logo em Setembro?

Certamente, ao serem expostos tais produtos, o comerciante perde espaço para expor outros que se adequam mais à época. Contudo, o economista Robert H. Frank, autor do livro O Economista Natural, afirma que este acontecimento se verifica já que tudo se originou como uma espécie de bola de neve. Iniciou-se na altura em que um deles, “o Sr. X”, decidiu antecipar nem que fosse para meados de Novembro a exposição das decorações natalícias, de modo a ter alguma vantagem em relação aos seus concorrentes. Muito provavelmente quando um concorrente do “Sr. X” se apercebeu da medida deste, decidiu continuar com este esquema de antecipações fazendo com que os seus produtos fossem expostos no início de Novembro. Como já se deve ter apercebido, este processo de antecipar o Natal, de modo a obter alguma vantagem competitiva em relação aos outros retalhistas, alongou-se de tal forma que provocou que, na actualidade, nos seja quase impossível definir quando começa o Natal.

De facto, entende-se termos um início do Natal no fim do Verão se tivermos em conta que os artigos natalícios são produtos sazonais, e igualmente pelo facto de quase todas as pessoas, quando vão à procura das decorações, terem já predefinida uma ideia daquilo que querem comprar. Esta estratégia de fazer com que o Natal comece muito mais cedo, visa escoar o maior número de produtos típicos desta quadra, que posteriormente tornam-se obsoletos para os comerciantes, já que seriam poucas as pessoas a comprarem-nos em Janeiro.

Sérgio Rodrigues
Estudante de Economia

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