Num artigo de opinião publicado no DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Rute Agulhas parte de um episódio aparentemente simples: a presença de um sinal “Kiss & Ride” à entrada de uma faculdade em Lisboa. A autora questiona o que significa criar zonas de largada rápida para pais deixarem filhos numa instituição frequentada por jovens de licenciatura, mestrado e doutoramento, muitos deles já adultos.
A psicóloga considera que este detalhe “diz muito sobre a cultura de sobreproteção que se instalou”. Para Rute Agulhas, o ensino superior deveria ser o espaço onde os jovens consolidam “autonomia, responsabilidade e capacidade de decisão”, mas continua a transmitir sinais de dependência parental que podem atrasar esse processo.
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O artigo critica também situações em que pais intervêm diretamente na vida académica de filhos adultos, pedindo reuniões para discutir “notas, trabalhos, horários ou conflitos”. A autora resume o problema numa frase forte, “quando a presença parental se transforma em muleta, a autonomia atrofia.”
A reflexão termina com uma provocação sobre o papel das universidades na passagem para a vida adulta. Em vez de um “Kiss & Ride”, Rute Agulhas escreveria à entrada das instituições “Zona de Autonomia – Pais, por favor, deixem os vossos filhos crescer!”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Filipe T. Soares.