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Trofa e Porto lideram entrada em Medicina

Trofa e Porto lideram entrada em Medicina

Um estudo recente mostra que a origem geográfica e o percurso escolar continuam a pesar de forma decisiva no acesso aos cursos de Medicina, reproduzindo desigualdades socioeconómicas no ensino superior.

Os municípios da Trofa e do Porto surgem como os que mais estudantes colocam nos cursos de Medicina em Portugal, concentrando, entre 2013-14 e 2022-23, cerca de 7% dos diplomados do ensino secundário que seguem esta área altamente seletiva. Os dados, avançados pelo PÚBLICO, revelam uma forte assimetria territorial, com maior incidência nas zonas Norte e Centro, e confirmam que o acesso à Medicina continua longe de ser uniforme à escala nacional.

Ao longo da última década, entraram em Medicina entre 839 e 1092 estudantes por ano, num total próximo de dez mil alunos, representando cerca de 2% dos diplomados do secundário que prosseguem estudos superiores. O estudo citado pelo PÚBLICO, desenvolvido por investigadores do CIPES com apoio do Edulog, demonstra que, apesar de a barreira geográfica ser atenuada neste curso face a outros, ela não desaparece, mantendo-se padrões claros de concentração em torno de determinados municípios e instituições.

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Um dos resultados mais relevantes aponta para o peso determinante do percurso escolar e do contexto socioeconómico. A proporção de alunos provenientes do ensino secundário privado surge como um dos principais fatores de progressão para Medicina, indicando que o capital económico e cultural das famílias continua a desempenhar um papel central. Um aumento de 10 pontos percentuais na frequência do ensino privado num concelho está associado a um acréscimo de 3% na entrada em Medicina, um impacto significativamente superior ao observado no conjunto dos restantes cursos.

A análise sublinha ainda riscos estruturais para a coesão territorial e para a futura fixação de médicos. A concentração da oferta de Medicina em poucas instituições, localizadas sobretudo em centros urbanos, pode agravar desequilíbrios regionais e limitar a capacidade de resposta em zonas periféricas. Como destaca o PÚBLICO, a mobilidade estudantil neste curso continua a refletir barreiras de equidade e efeitos de concentração que exigem atenção cuidada na formulação de políticas públicas para o ensino superior e para a saúde.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Derek Finch.

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