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O futuro da medicina começa na formação dos médicos

O futuro da medicina começa na formação dos médicos

A formação médica precisa de integrar literacia de futuros, competências digitais e humanismo clínico para preparar médicos capazes de responder a um sistema de saúde em rápida transformação.

A reflexão de Pedro Póvoa no Expresso parte de uma ideia simples e exigente. A transformação da medicina não resulta de uma rutura com o conhecimento acumulado, mas da velocidade com que mudam as doenças, as expectativas sociais e as tecnologias disponíveis. Nesse contexto, a formação médica deixa de poder assentar apenas na transmissão de conteúdos científicos e passa a exigir uma preparação mais ampla para lidar com a incerteza, com contextos clínicos mutáveis e com responsabilidades crescentes perante os doentes e a sociedade.

O autor identifica três eixos que devem estruturar essa mudança. O primeiro é a literacia de futuros, entendida como a capacidade de pensar o futuro de forma informada, antecipando cenários e tomando decisões num quadro em que a evidência ainda está em construção. Não se trata de prever com rigor o que virá, mas de formar médicos capazes de reconhecer riscos sistémicos, trabalhar com incerteza e participar ativamente na definição de futuros desejáveis para a saúde.

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O segundo eixo prende-se com as competências digitais, que deixaram de ser um complemento opcional. Pedro Póvoa sublinha que dominar sistemas de informação, telemedicina, proteção de dados e avaliação crítica da inteligência artificial é hoje uma condição básica de qualidade, segurança e equidade nos cuidados de saúde. A educação médica, defende, tem de integrar de forma estruturante estas dimensões, garantindo uma base comum que permita usar a tecnologia sem perder o controlo ético e clínico das decisões.

O terceiro eixo, talvez o mais sensível, é o humanismo clínico. Num tempo de elevada sofisticação tecnológica, o risco não está na substituição do médico pela máquina, mas na erosão da relação de cuidado. O texto alerta para a necessidade de proteger deliberadamente a dimensão humana da medicina, reforçando a formação em comunicação, empatia e ética, incluindo nos dilemas digitais. A articulação entre literacia de futuros, competências digitais e humanismo surge, assim, como condição essencial para formar médicos capazes de decidir com rigor técnico e responsabilidade humana num mundo cada vez mais complexo.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de David Matos.

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