Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

Reino Unido prepara regresso ao Erasmus a partir de 2027

Reino Unido prepara regresso ao Erasmus a partir de 2027

O Governo britânico prepara o regresso ao programa Erasmus, num sinal político de reaproximação à União Europeia e de reforço da mobilidade académica após o Brexit.
Radcliffe Camera, Universidade de Oxford, Reino Unido.

O Reino Unido deverá voltar a integrar o programa Erasmus a partir de janeiro de 2027, num movimento que representa uma inversão clara da decisão tomada após o Brexit. A informação tem sido avançada por vários órgãos de comunicação social, entre os quais o PÚBLICO, o britânico The Guardian e a BBC, que referem que o entendimento político já existe e que o anúncio formal deverá enquadrar-se num pacote mais vasto de cooperação entre Londres e Bruxelas.

Segundo a BBC, o regresso ao Erasmus surge na sequência de negociações mais amplas sobre mobilidade juvenil e cooperação educativa, sendo encarado pelo Governo britânico como uma forma de oferecer mais oportunidades internacionais aos jovens, depois de anos em que o programa nacional alternativo, o Turing Scheme, foi criticado por não assegurar reciprocidade nem cobrir adequadamente estudantes europeus a entrar no Reino Unido. A BBC sublinha ainda que universidades e associações estudantis têm pressionado o executivo para recuperar um modelo de intercâmbio mais estável e reconhecido internacionalmente.

Os FATUM na Torre de Londres

Os FATUM, o grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA, passaram pela Torre de Londres, numa atuação privada e pouco conhecida. Foi em 2016, quando os integrandes do grupo atuaram por convite do capelão católico da guarda pessoal de Sua Majestade Britânica.

Tal como recorda o The Guardian, antes da saída da União Europeia o Reino Unido era um dos principais destinos do Erasmus, recebendo mais estudantes estrangeiros do que aqueles que enviava para fora. Apesar de ser um contribuinte líquido para o programa, o impacto positivo na internacionalização das universidades, na investigação e na diplomacia académica era amplamente reconhecido. A ausência do Erasmus foi apontada, nos últimos anos, como um fator de perda de competitividade do ensino superior britânico.

De acordo com informação veiculada pela BBC, o modelo em discussão prevê que os estudantes britânicos continuem a pagar propinas à sua instituição de origem durante os períodos de mobilidade, mantendo o princípio central do Erasmus. Estão igualmente a ser considerados mecanismos de apoio financeiro para garantir que estudantes de contextos económicos mais frágeis não fiquem excluídos das oportunidades de mobilidade, uma das críticas feitas ao sistema atualmente em vigor.

O regresso ao Erasmus é também interpretado como um sinal político relevante do governo liderado por Keir Starmer, que tem defendido uma relação mais próxima e funcional com a União Europeia, sem reverter formalmente o Brexit. Para além do simbolismo, trata-se de uma decisão com efeitos concretos na circulação de estudantes, docentes e investigadores, bem como na integração do Reino Unido em redes académicas europeias.

Para as instituições de ensino superior e para os estudantes, a reentrada no Erasmus representa a recuperação de um instrumento estruturante da experiência universitária europeia. A possibilidade de estudar, estagiar ou ensinar noutro país europeu volta a ser vista como parte integrante da formação académica, num contexto em que a mobilidade internacional é cada vez mais determinante para o desenvolvimento pessoal, científico e profissional.

Luís Eduardo Nicolau
com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Mingrui He.

Palavras-chave