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Os cursos profissionais são escolhas com futuro?

Os cursos profissionais são escolhas com futuro?

O programa desta semana analisa o papel dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais no ensino superior, debatendo o seu enquadramento, desafios e potencial enquanto via de formação qualificada.
Painel do PEÇO A PALAVRA emitido a 11 de novembro de 2025, com Mara Franco da Escola Superior de Tecnologias e Gestão da UMa; Isabel Fragoeiro da Escola Superior de Saúde; Jéssica Martins, diplomada no CTESP em Marketing Digital no Turismo e atualmente aluna do 1.º Ciclo em Direção e Gestão Hoteleira e Hugo Ferraz, diplomado do CTESP em Promoção da qualidade de vida e bem-estar da Pessoa Idosa.

A emissão do Peço a Palavra desta quarta-feira, às 16:00, na antena da TSF Madeira, lança o olhar sobre uma via ainda pouco compreendida do ensino superior, os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTESP). Estes cursos, que correspondem ao nível 5 do Quadro Europeu de Qualificações, continuam a ser marcados por alguma desinformação e preconceito, apesar de representarem uma alternativa sólida para muitos jovens. Combinando formação técnica com uma forte ligação ao mercado de trabalho, estes cursos abrem caminhos concretos para a empregabilidade e para a continuação de estudos em licenciaturas. O painel discute o papel dos CTESP no sistema de ensino superior, os perfis dos seus estudantes, a sua inserção nas universidades e os desafios que ainda enfrentam em matéria de reconhecimento e integração. Um debate necessário sobre o presente e o futuro desta via profissionalizante.

Neste episódio, o painel tem como convidados Mara Franco, presidente da Escola Superior de Tecnologias e Gestão da Universidade da Madeira, e Isabel Fragoeiro, vice-presidente da Escola Superior de Saúde e diretora do CTESP em Promoção da Qualidade de Vida e Bem-Estar da Pessoa Idosa. Junta-se, ainda, Jéssica Martins, diplomada no CTESP em Marketing Digital no Turismo e atualmente aluna da licenciatura em Direção e Gestão Hoteleira, e Hugo Ferraz, diplomado no CTESP em Promoção da Qualidade de Vida e Bem-Estar da Pessoa Idosa.

O painel debateu estigmas persistentes, como a ideia de que os CTESP são apenas uma alternativa para quem não conseguiu entrar numa licenciatura. O programa desconstrói esta percepção, explicando que esta visão não corresponde à realidade. De acordo com dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mais de 40% dos diplomados em CTESP prosseguem os seus estudos para ciclos de licenciatura. Para muitos estudantes, os cursos profissionais representam uma escolha consciente, prática e estruturada para entrar no ensino superior, conciliando formação técnica com a possibilidade real de progressão académica, como vincou Mara Franco.

Uma cidade universitária chamada Funchal

Defende-se o Funchal como verdadeira cidade universitária, exigindo investimento, residências e apoios para fortalecer a UMa, reter jovens, atrair estudantes e afirmar a Madeira como território de conhecimento para além do turismo.

Na antena da TSF, os antigos estudantes conversaram sobre outro preconceito frequente que associa os CTESP a uma menor valorização no mercado de trabalho. A presidente da Escola Superior de Tecnologias e Gestão referiu o crescimento que a procura por esses cursos tem experimentado, além da “aceitação no mercado de trabalho”, desde os estágios curriculares até às ofertas de trabalho. Por serem cursos concebidos em articulação com o tecido empresarial local e regional, os CTESP têm vindo a destacar-se pela sua componente prática e pela capacidade de resposta às necessidades concretas das empresas. De acordo com um relatório da Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação (2022), a taxa de empregabilidade dos diplomados em CTESP ronda os 70% nos seis meses após a conclusão do curso, superando em muitos casos a média de outros ciclos de ensino superior.

Acresce ainda a ideia errada de que os CTESP não permitem continuar os estudos. Jéssica Martins, que ingressou numa licenciatura da UMa após a conclusão do curso profissional, referiu “a importância que a sua experiência curricular” representa na nova fase do seu percurso académico. De acordo com a legislação, todos os diplomados podem candidatar-se diretamente a uma licenciatura, sendo frequentemente atribuídas equivalências a unidades curriculares já concluídas, representando uma vantagem em relação a outros percursos académicos. Em algumas instituições de ensino superior, mais de 60% dos estudantes que concluem um CTESP prosseguem para o primeiro ciclo, aproveitando a formação técnica adquirida como base para um percurso académico mais longo e completo.

Atualmente, os cursos profissionais representam uma parte significativa do percurso formativo dos jovens em Portugal. Segundo o relatório estatístico da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), cerca de 45% dos alunos do ensino secundário optam por vias profissionalizantes, número que tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos anos. Esta tendência reflete uma valorização crescente do ensino técnico e da formação prática como resposta às exigências do mercado de trabalho e ao combate ao abandono escolar. Em paralelo, o número de diplomados de cursos profissionais que prossegue estudos no ensino superior tem aumentado, com os CTESP a desempenharem um papel fundamental como ponte entre a formação secundária e os ciclos superiores de ensino.

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Neste cenário, os cursos profissionais “afirmam-se como uma alternativa sólida para muitos jovens que procuram formação especializada e uma entrada mais direta no mercado de trabalho”, como referiu Isabel Fragoeiro. Com dois anos de duração e estágios integrados em empresas e instituições locais, estes cursos têm permitido uma maior ligação entre o ensino superior e o tecido económico da região. No caso da Madeira, muitos diplomados encontram oportunidades na própria comunidade, o que contribui para a fixação de jovens qualificados e para uma resposta mais ajustada às necessidades concretas da economia regional.

Apesar da crescente valorização dos cursos técnicos superiores profissionais, persistem desafios estruturais que não podem ser ignorados. Um dos mais evidentes é a falta de reconhecimento social e académico que continua a marcar estes cursos. Muitos estudantes sentem que os CTESP são vistos como uma opção “de recurso”, não apenas por familiares ou colegas, mas até por certos empregadores. O painel discutiu “como é que esta visão ainda persiste, quando tantos diplomados seguem para licenciaturas e se inserem com sucesso no mercado de trabalho?”.

Outro obstáculo prende-se com a visibilidade dos CTESP nas escolas secundárias. Alguns jovens concluem o 12.º ano se considerarem estas formações ou sem compreenderem o que realmente oferecem. A falta de informação representa um desafio e pode limitar o leque de escolhas e impedir que mais estudantes descubram percursos adequados ao seu perfil e ambições. Ao mesmo tempo, “a integração dos CTESP nas universidades nem sempre é plena e deve continuar a merecer o esforço de toda comunidade educativa”. Em algumas instituições, estes cursos funcionam à margem da vida académica, com menor acesso a espaços, recursos e oportunidades de participação.

A nível europeu, o ensino profissional tem vindo a ganhar peso e prestígio, refletindo uma mudança de paradigma nas políticas de qualificação. De acordo com dados da Comissão Europeia, cerca de 48% dos alunos do ensino secundário na União Europeia estão matriculados em percursos de formação profissional, sendo que, em vários países, essa percentagem ultrapassa os 60%, como é o caso da Alemanha, Áustria ou Finlândia. Estes sistemas têm demonstrado taxas elevadas de empregabilidade e uma forte articulação entre escola e mercado de trabalho. Em linha com “as recomendações do Plano de Ação para a Educação Digital e da Agenda Europeia para as Competências, os cursos técnicos e profissionais assumem um papel central na transição verde e digital, contribuindo para sociedades mais inclusivas e qualificadas”, como referido pelo painel.

O Peço a Palavra é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado. Na antena da rádio, o programa é repetido na quarta-feira seguinte.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Dorian Bogdańska.

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