Inserido na programação da Feira do Livro do Funchal, este episódio terá como tema “Cultura e Juventude”, abordando sobretudo os desafios da leitura entre os jovens, o papel da literatura na sociedade e o impacto das iniciativas culturais na formação dos dos jovens.
A leitura enfrenta desafios cada vez mais complexos no século XXI, especialmente entre os jovens, que crescem imersos num ambiente dominado pelo digital. O acesso à informação é hoje mais amplo do que nunca, mas isso não significa necessariamente uma maior dedicação à leitura profunda e reflexiva.
Com a ascensão das redes sociais, das plataformas de streaming e dos conteúdos de curta duração, a capacidade de concentração e o hábito da leitura têm sido colocados à prova.
Como incentivar os jovens a desenvolverem o gosto pela leitura e a apreciação da literatura num mundo repleto de estímulos concorrentes? Será até necessário esse incentivo? O que se sabe sobre os hábitos de consumo de cultura dos jovens portugueses? Estas são questões a serem abordadas no episódio especial do PEÇO A PALAVRA, em direto da Feira do Livro.
O episódio conta com Mafalda Brazão, estudante de Medicina e responsável pela Secção de Promoção de Saúde da Académica da Madeira, e Carlos Diogo Pereira, professor, escritor e gestor de projetos juvenis. Estão convidadas Luísa Fidalgo, atriz e escritora portuense, cara conhecida da televisão e do teatro, e Catarina Faria, programadora cultural, responsável pela programação do Teatro Municipal Baltazar Dias e membro do Conselho de Cultura da Universidade da Madeira.
A juventude esteve em discussão
A empregabilidade, a formação, a habitação e a saúde em discussão na antena da TSF com André Alves. A produção da ACADÉMICA DA MADEIRA é transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, com repetição na semana seguinte, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado.
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Cláudia Sarrico defendeu empréstimos estudantis e alteração do sistema de propinas, mas modelo britânico inspira críticas por gerar dívida e desigualdade.
A Feira do Livro do Funchal, que este ano homenageia Luís de Camões pelos 500 anos do seu nascimento, continua a ser um espaço de celebração literária e cultural no panorama regional.
Realizada em período letivo, a organização da Feira tem trabalhado de ano para ano com as escolas para dinamização de atividades para os estudantes, sobretudo os mais pequenos. A realidade, porém, mostra que os hábitos de leitura dos jovens são perdidos pela maior parte deles, sobretudo ao nível do 3.º ciclo do ensino básico, voltando em força no ensino secundário. Um estudo recente da Universidade Católica indicou que 86,6% dos jovens entre os 18 e os 34 anos leram pelo menos um livro no último ano, sendo que 44,4% leu mais de cinco livros.
Será que o sistema de ensino e mais ainda, a oferta cultural dos municípios, está a acompanhar as novas formas de consumo de informação? Os clássicos da literatura ainda conseguem cativar as novas gerações? Como aproximar os livros do universo dos jovens sem perder a qualidade do conteúdo?
O último relatório do Instituto Nacional de Estatísticas para a Cultura, publicado no ano passado, indica que as câmaras municipais gastaram mais de 684 milhões de euros neste setor, sendo que pouco mais de 10% foi para bibliotecas e arquivos, por exemplo.
Na área literatura, o último relatório da Biblioteca Nacional registou que em 12 meses houve 9 283 autores publicados em Portugal, com mais de 12 mil títulos, dos quais perto de 11 mil foram primeiras edições, menos de 9 mil originais e cerca de 3,5 mil traduções de obras estrangeiras.
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O programa desta semana analisa o papel dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais no ensino superior, debatendo o seu enquadramento, desafios e potencial enquanto via de formação qualificada.
Uma cidade universitária chamada Funchal
Defende-se o Funchal como verdadeira cidade universitária, exigindo investimento, residências e apoios para fortalecer a UMa, reter jovens, atrair estudantes e
A faixa etária que mais compra livros em Portugal é a de são jovens entre os 25 e os 34 anos, segundo dados da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que têm mostrado um crescente interesse pela leitura, impulsionado tanto pelo maior acesso às plataformas digitais quanto pela busca por um equilíbrio entre a vida profissional e a cultura. Muito apontam o dedo à mudança de hábitos imposta pela Pandemia. Esse grupo etário, que abrange pessoas que estão no início de suas carreiras, mesmo que ainda longe de uma vida adulta estável, tornou-se mais focada em viver o momento, investido mais em livros, ou noutras formas de lazer doméstico.
A Luísa Fidalgo falará ainda sobre o lançamento do seu novo livro, Bola de Cristal 13, Um, Três, que acontece no mesmo dia, às 18:00, no Palco Principal da Feira. A sua obra tem sido descrita como uma fusão entre literatura e dramaturgia, explorando as fronteiras entre o real e o imaginário. Além disso, a peça publicada será ainda trazida a palco a 3 de abril, pelas 19:00 e a dramaturga Luísa abordará o espetáculo e a sua vida dedicada às artes de placo.
Já Catarina Faria falará da Feira e da aposta do Departamento de Cultura do Funchal em 2025. A Madeira, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, tem o menor investimento municipal em cultura por habitante. Em média, por ano, as câmaras gastam 44,3 euros por munícipe. Os dados mais recentes do INE mostram que as regiões com menor população, como o Alentejo (136,0 euros por habitante) e o Algarve (108,3 euros por habitante), investem mais na cultura por munícipe do que regiões mais populosas como a Grande Lisboa (54,1 euros) e a Península de Setúbal (48,1 euros), que tal como a Madeira estão abaixo da média nacional de 64,7 euros. A Madeira, porém, ao contrário de Lisboa e Setúbal não está entre as mais populosas, mas mesmo assim, apresenta investimento municipal de apenas 44,3 euros por habitante, o que torna ainda mais desafiador o trabalho de promoção da leitura e do acesso à literatura. Será o Funchal um oásis cultural no arquipélago, ou segue a tendência geral da região?
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Vítor Vasconcelos escreve na edição do DIÁRIO sobre os desafios que os jovens enfrentam após o final do curso.
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A discussão promete ser enriquecedora e provocadora, trazendo diferentes perspetivas sobre o papel da literatura na sociedade atual. Acreditamos que, mais do que nunca, é necessário refletir sobre os caminhos que podem levar os jovens a reencontrar o prazer da leitura e a valorizar a cultura como um elemento fundamental da sua formação.
O Peço a Palavra discute os temas ligados a juventude, pois os estudantes pediram a palavra. O nome do programa tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, com repetição na semana seguinte, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Mário Pereira.