Em artigo publicado no PÚBLICO, Amílcar Falcão analisa a proposta do Governo de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que prevê limitar a 60% a taxa de endogamia nas universidades. O autor reconhece a necessidade de reformar o sistema, mas critica a chamada “regra cega”, afirmando que “a endogamia positiva é a que está associada à meritocracia”. E questiona: “Se tenho uma pessoa excecional na minha universidade, que obtém o grau de doutor numa área que está alinhada com a estratégia científica da instituição, qual a razão para a impedir de concorrer (competitivamente) à universidade onde se doutorou?”.
Governo quer limitar contratações no ensino superior, mas eficácia da medida gera dúvidas
O Governo pretende limitar a contratação de doutorados pelas universidades onde concluíram o grau, mas a eficácia da medida levanta dúvidas entre especialistas e responsáveis académicos.
UMa com a maior queda de colocados do país
A variação entre os colocados nos dois últimos anos letivos indica que a queda da UMa foi de 25,1 %. Um
O reitor da Universidade de Coimbra distingue entre “endogamia positiva” e “endogamia negativa”. Esta última, explica, resulta “dos encostos, das cunhas e dos amiguismos” e “deve ser combatida até ao limite”. Contudo, defende que isso não se faz “impedindo as pessoas de se candidatarem a concursos públicos internacionais”, mas sim através de “normas fundamentadas e transparentes no momento do recrutamento”. Segundo o autor, a solução passa por “editais claros e transversais”, júris sem conflitos de interesse e penalizações efetivas para eventuais conluios.
Reitor deseja continuar porque “precisava de mais tempo” para o seu projeto
Sílvio Fernandes, reitor da Universidade da Madeira, anunciou a recandidatura ao cargo, destacando avanços institucionais, desafios financeiros e projetos futuros, como o curso de Medicina integralmente na Região e a duplicação da capacidade habitacional para estudantes.
Congelamento das propinas é “retrocesso histórico” no ensino superior
O ministro da Educação, Ciência e Inovação classificou o chumbo ao aumento das propinas como um erro grave que ameaça a
Amílcar Falcão considera ainda que a fórmula apresentada pelo Governo “acaba por acentuar o centralismo e contrariar a coesão territorial”. Como alerta, “os melhores das instituições periféricas vão acabar todos em Lisboa” e “os melhores de Lisboa apenas terão de atravessar a rua”. Segundo o autor, o combate à endogamia negativa deve assentar na transparência e no mérito, e não em restrições automáticas que “colocam em causa a autonomia científica e o direito ao trabalho”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Zhijian Dai.