As candidaturas ao ensino superior estão a diminuir em 2025, com menos sete mil estudantes inscritos até ao final de julho face ao mesmo período do ano anterior. Até quarta-feira, apenas 40.883 jovens tinham formalizado a sua candidatura na primeira fase do concurso nacional de acesso. A manter-se esta tendência, será o quarto ano consecutivo de quebra, refletindo um conjunto de fatores que combinam dificuldades demográficas, económicas e mudanças no sistema de acesso.
A redução do número de nascimentos nas últimas décadas continua a ter efeitos no universo de candidatos ao ensino superior. Simultaneamente, os custos crescentes com a frequência universitária, nomeadamente para os estudantes deslocados, colocam novos entraves. Ainda assim, o EXPRESSO aponta que as recentes alterações nas regras de conclusão do secundário e de acesso ao ensino superior, como a obrigatoriedade de realização de três exames nacionais incluindo Português, terão tido um peso determinante neste abrandamento.
Do congelamento das propinas às queixas formais sobre incumprimento da lei
O debate das propinas entrou numa nova fase, cruzando a decisão de manter os valores congelados com a denúncia da JS à Provedoria de Justiça por alegado incumprimento da devolução legal prevista para jovens licenciados.
Alunos do secundário obrigados a fazer exames mesmo a disciplinas já concluídas
Segundo o Expresso, os alunos com disciplinas já finalizadas, mas sem exame nacional realizado, terão de se submeter a provas para
Em declarações ao EXPRESSO, Eduardo Filho, presidente da Future, afirmou que estas novas exigências dificultaram o acesso de muitos alunos à primeira fase. Sublinhou ainda que o Governo não concretizou a lei que permitiria aos estudantes conhecer, antes da candidatura, o resultado dos pedidos de bolsa, agravando a incerteza. Segundo Eduardo Filho, em declarações ao semanário, “as opções do Governo são claras sobre o agravamento da dificuldade em aceder ao ensino superior”.
Também Pedro Teixeira, antigo secretário de Estado e atual diretor do CIPES, declarou ao EXPRESSO que, apesar do aumento dos pedidos de apoio, os critérios de elegibilidade para as bolsas não foram atualizados em 2024 nem em 2025, travando a sua expansão. O antigo governante salientou ainda a quebra nas classificações dos exames nacionais como um fator adicional. Ainda assim, considerou que, caso os números finais superem os valores pré-pandemia, tal será “um muito bom resultado”, tendo em conta o contexto adverso.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.