Jorge Gomes Miranda, vencedor do Prémio Autores 2024 para Melhor Livro de Poesia, reflete em Emoção Artificial sobre a relação entre humanos e máquinas. Nesta obra, os robôs assumem características profundamente humanas, enquanto exploram emoções e dilemas éticos. Como descreve o autor em entrevista ao Público, a intenção foi “trazer essas máquinas para lugares, situações, emoções e perplexidades profundamente humanas, procurando tornar também rebelde o algoritmo”. A singularidade do tema posiciona-o no cruzamento entre ciência e literatura.
Na entrevista ao jornal, Jorge Gomes Miranda revela que a motivação para abordar a inteligência artificial na poesia surgiu da sua curiosidade por ciência e tecnologia. “Sou um leitor omnívoro e entre os meus interesses conta-se a leitura de livros e revistas de divulgação científica e tecnológica”, explica ao Público. A obra, editada pela Gradiva, reflete esta intersecção, aludindo ao conceito de “pensamento complexo” de Edgar Morin e à coexistência das humanidades com as ciências.
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A crítica social e ética é uma constante em Emoção Artificial. Jorge Gomes Miranda destaca que, enquanto criadores das máquinas, “talvez os profissionais da ciência da computação consigam […] inventar modelos de linguagem e de ação que não eliminem o inexorável humano”. No entanto, alerta para os perigos do uso da IA para fins destrutivos, citando como exemplo os drones militares. Além disso, vê com preocupação o impacto na educação e na criatividade humana: “A criatividade pessoal apaga-se para dar lugar à repetição de padrões e significados.”
Apesar do tom reflexivo, a poesia do autor premiado não abdica do humor, como no poema “O robot vai trabalhar à experiência numa lavandaria”. Para o escritor, a poesia deve ser plural e aberta, capaz de explorar temas inesperados. “Esperemos que os robôs do futuro sejam mais humanos do que certos humanos”, conclui, resumindo a esperança e inquietação que permeiam esta obra singular.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Lyman Hansel Gerona.