Pegadas de dinossauros com cerca de 168 milhões de anos, descobertas há duas décadas numa pedreira desativada em Pedrógão, Torres Novas, foram finalmente tornadas públicas no final de dezembro passado. A revelação foi feita por João Carvalho, da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia, que destacou a preservação do local até ao momento ideal para inclusão no geomonumento local. “Eu sempre disse […] que quando precisassem um dia, depois eu dava a conhecer outras pegadas”, afirmou o investigador ao Público, explicando que a proteção da Pedreira do Galinha possibilitou agora esta divulgação.
O achado, localizado numa área de 10.800 metros quadrados em estrato calcário do Jurássico Médio, inclui pegadas de saurópodes de variados tamanhos. Para Vanda Santos, paleontóloga da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a descoberta é um marco significativo, com potencial para “trazer mais informação, complementar” ao conhecimento existente sobre o período, conforme declarou ao jornal. Além disso, a relevância científica das pegadas foi reconhecida pela inclusão de dois locais na lista dos 200 geossítios mais relevantes a nível mundial.
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O diretor regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Rui Pombo, destacou a importância de um estudo aprofundado para garantir a preservação do achado e fomentar uma visitação sustentável, integrando o novo local ao circuito turístico da região. “Conseguiremos, seguramente, encontrar esse dinheiro”, afirmou ao Público, referindo-se ao financiamento necessário para a conservação e promoção do local.
O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, reforçou a intenção de classificar o espaço como património cultural e turístico, assumindo o compromisso de preservar este tesouro nacional. “Este é um património riquíssimo que é nosso, é do país, é do mundo”, declarou ao jornal, destacando a relevância da descoberta para o reconhecimento da riqueza paleontológica portuguesa.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Showkat Chowdhury.