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Governo mantém mandatos renováveis dos reitores e reforça papel da comunidade académica na eleição

Governo mantém mandatos renováveis dos reitores e reforça papel da comunidade académica na eleição

O novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior mantém os mandatos dos reitores renováveis por quatro anos e prevê que sejam eleitos pela comunidade académica, enquanto reitores defendem maior autonomia das universidades no modelo de eleição.
Luís Montenegro na inauguração de residência de estudantes da Universidade Lisboa Ventura Terra Lisboa, 21 de novembro de 2024. Fotografia de Diana Quintela/Portal do Governo.

Na semana passada, o Governo aprovou uma nova versão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), mantendo o mandato dos reitores e presidentes dos institutos politécnicos em quatro anos, renovável por mais quatro, em vez do mandato único de seis anos inicialmente proposto. Além disso, a eleição passará a ser feita pela comunidade académica, a partir de dois candidatos “seleccionados previamente” pelo Conselho Geral. No entanto, algumas universidades defendem que cada instituição deve ter autonomia para definir o modelo de eleição que melhor se combine à sua realidade.

Entre as alterações ao RJIES está a mudança na ponderação dos votos na eleição dos reitores. O peso do voto dos antigos estudantes foi reduzido para “igual ou superior a 15%” – anteriormente proposto em 25% –, enquanto o dos docentes e investigadores de carreira foi reforçado para “no mínimo, 50%”. Já o dos estudantes terá “um peso igual ou superior a 20%” e o do pessoal técnico e administrativo “igual ou superior a 10%”. Segundo o Público, O presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), João Guerreiro, defendeu, ao analisar a proposta inicial, que a participação dos antigos alunos deveria ser “mais moderada”.

Reitor confuso sobre a representatividade dos estudantes?

Na audição pública, Sílvio Fernandes defendeu mais financiamento para a Universidade da Madeira, apelou ao poder político e destacou a importância do mecenato para o desenvolvimento académico. Uma das declarações que o JM Madeira reproduziu levantou dúvidas.

Os reitores das universidades de Lisboa, do Porto, de Coimbra, do Minho e do Iscte manifestaram reservas quanto à imposição de um modelo único de eleição dos dirigentes académicos, sublinhando que essa decisão “contraria qualquer intenção de reforçar a autonomia universitária”. Para estes responsáveis, o Governo deve definir a composição do colégio eleitoral, mas cada instituição deve ter liberdade para decidir como alargar esse colégio, ponderando, por exemplo, o voto universal ou um sistema de representação proporcional.

Outra questão levantada prende-se com a maior aproximação entre universidades e institutos politécnicos. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou que o objetivo é permitir maior integração e cooperação entre os dois subsistemas, sem eliminar as suas diferenças. “Mantemos o sistema binário. A distinção faz sentido para salientar a importância de garantirmos uma oferta de formação mais técnica, mais ligada às empresas. Mas [o sistema] deixa de ser estanque, de ser rígido. Vamos ter mais diversidade, mais competição, mais inovação”, afirmou em declarações reproduzidas pelo jornal.

Os reitores mostraram abertura para esta aproximação, mas exigem, segundo o Público, “critérios claros quanto às condições em que as instituições podem manter, ou definir, o seu estatuto de ‘Universidade’, ‘Universidade Politécnica’ ou ‘Instituto Politécnico’”. Na sua perspetiva, a classificação das instituições deve basear-se em requisitos rigorosos, como a oferta de cursos e a existência de centros de investigação, e não ser determinada de forma arbitrária pelos governos.

Além disso, a revisão do RJIES prevê mudanças na acreditação de cursos, permitindo que processos de avaliação sejam conduzidos por agências internacionais, e um reforço da autonomia orçamental das instituições. Outra novidade é a limitação da contratação de doutorados pela mesma instituição onde obtiveram todos os seus graus, medida que visa reduzir a endogamia académica. Contudo, esta restrição só se aplicará a instituições com um “índice de endogamia superior a 50%” e aos estudantes que iniciarem doutoramento após a entrada em vigor da lei.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.

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