Um grupo de voluntárias da ACADÉMICA DA MADEIRA uniu-se, em 2024, para promoção das dádivas de sangue. O programa criado, intitulado GOTAS DE ESPERANÇA, teve início do final do ano passado e continua em 2025, passando pela promoção de notícias relacionadas com o tema.
Uma nova abordagem à gestão do sangue dos doentes, conhecida como Patient Blood Management (PBM), promete revolucionar o sistema de saúde em Portugal, noticiou o Público. Implementada corretamente, esta estratégia pode reduzir em até 50% a necessidade de transfusões, prevenindo complicações, diminuindo o tempo de internamento e gerando poupanças significativas. A PBM valoriza o sangue do próprio doente e centra-se em corrigir anemias prévias a intervenções cirúrgicas, tornando as transfusões menos frequentes e mais seguras.
De acordo com João Mairos, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia (AWGP), a anemia atinge 75% das populações cirúrgicas a nível global, e, em Portugal, um em cada cinco adultos é anémico. “Se corrigirmos a anemia prévia à cirurgia ou à intervenção hospitalar, reduzimos a necessidade de ser transfundido”, afirmou ao Público. Segundo o especialista, ao corrigir a hemoglobina para níveis adequados antes de uma cirurgia, “o risco de transfusão baixa significativamente”.
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Estudos recentes realizados em Portugal indicam que o PBM pode evitar cerca de 594 mortes prematuras por ano e economizar até 68 milhões de euros ao sistema de saúde. Além disso, reduz as taxas de morbilidade e mortalidade, aliviando a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Quando se transfunde, há um aumento da morbilidade, do tempo de internamento hospitalar, das infeções associadas aos cuidados de saúde e da mortalidade”, explicou Mairos, sublinhando que a transfusão deve ocorrer apenas quando absolutamente necessária.
Embora algumas unidades hospitalares, como o Hospital das Forças Armadas, já adotem a PBM, a implementação nacional enfrenta desafios. Desde 2018, foram realizados estudos-piloto e estabelecidas normativas para incentivar esta prática. No entanto, a falta de liderança e de articulação entre diferentes especialidades médicas tem dificultado a sua generalização. “Em termos de organização nacional, falha qualquer coisa – na minha opinião, falha a liderança e a comunicação entre as especialidades médicas”, apontou o presidente do AWGP ao Público.
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O Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) defende que a PBM deve ser integrada de forma mais abrangente no SNS. O organismo destacou que “a atual visibilidade dos programas de PBM conduziu ao desenvolvimento e implementação de várias ações nos hospitais do SNS, que iam ao encontro das recomendações da OMS, em 2010, e da Comissão Europeia, em 2017”. No entanto, aponta a necessidade de maior formação e sensibilização sobre a estratégia, bem como a criação de plataformas tecnológicas que permitam monitorizar o programa em tempo real.
Em última instância, João Mairos conclui que “se doar sangue salva vidas, a PBM salva o seu sangue”. A generalização desta abordagem pode representar não apenas uma melhoria na segurança do doente, mas também um passo significativo para a sustentabilidade do SNS.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Aman Chaturvedi.
