A 23 de outubro de 2024, centenas de investigadores reuniram-se em Lisboa para protestar contra a precariedade laboral que persiste no setor da ciência em Portugal. Organizado por sindicatos e associações de investigadores, o protesto decorreu frente ao Ministério que tutela o Ensino Superior onde os manifestantes exigiram melhores condições de trabalho, estabilidade profissional e contratos justos.
Os investigadores, muitos dos quais com contratos a prazo ou com bolsas de investigação, denunciaram que a precariedade continua a ser a norma em universidades e centros de investigação, afetando negativamente não apenas a vida dos profissionais, mas também a qualidade da investigação realizada no país. Um dos manifestantes afirmou que “a falta de segurança laboral limita a continuidade e o desenvolvimento de projetos científicos cruciais para o progresso de Portugal.”
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Em abril, a Assembleia da República chumbou o diploma que previa o fim das taxas de admissão a provas de doutoramento. Em 2022, a ABIC apresentou uma petição para o fim das taxas cujo espírito não colheu o voto favorável da maioria dos deputados em São Bento.
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Entre as principais reivindicações estão a criação de contratos de trabalho que substituam as bolsas precárias, melhores salários e condições de trabalho dignas. Os protestantes sublinharam que a ciência é um setor estratégico que merece investimento adequado e que a constante rotatividade de investigadores, causada pela precariedade, prejudica o progresso científico e impede o país de reter talentos.
O protesto de Lisboa reflete um movimento mais amplo de luta dos trabalhadores da ciência em Portugal, que nos últimos anos têm intensificado os apelos ao governo para proceder a reformas profundas e sustentáveis no setor. Para os investigadores, é essencial garantir a estabilidade para que o país possa competir a nível internacional e fomentar uma cultura de inovação científica que traga benefícios a longo prazo para a sociedade.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bee Naturalles.