A FIANDEIRA é o 4.º volume de uma coleção que Rafaela Rodrigues tem realizado sobre as profissões tradicionais da Madeira, na sequência de O PESCADOR, A BORDADEIRA e O LEVADEIRO, todos editados pela CADMUS. Como refere a autora: «Quando construí O PESCADOR não o fiz a pensar num conjunto/coleção, mas quando acabei, apercebi-me que havia, e ainda há, muitas histórias relacionadas com profissões típicas da ilha por contar.»
Este novo volume será lançado no dia 31 de outubro, no Museu Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava, a partir das 17:30. A sessão contará com a apresentação por Eduardo Jesus, Secretário Regional de Economia, Turismo e Cultura.
Rafaela Rodrigues é ilustradora, mas é também a autora dos textos que, a par das suas muito características ilustrações, falam aos leitores de A FIANDEIRA, uma das profissões das mais esquecidas ou invisíveis atualmente, resultante da industrialização da produção dos fios de lã.
O barrete de orelhas, por exemplo, símbolo por excelência do vilão, o camponês da Madeira, é um importante património cultural ligado a vários saberes tradicionais, desde a criação e a tosquia da ovelha, passando pela produção do fio até ao manusear das agulhas para o fazer.
Rafaela Rodrigues explica como surgiu a ideia: «A FIANDEIRA tornou-se parte integrante de um projeto maior que começou com o Projeto Velo, criado em 2023, em parceria com o Coletivo Enfia o Barrete. Teve o apoio do Museu Etnográfico da Madeira e consistiu numa semana de trabalhos em que a lã regional esteve sempre no centro das conversas. Visitamos tosquias, pastores e fiandeiras. Realizamos oficinas e uma conversa com a investigadora Rosa Pomar que veio até à ilha para estudar o que se faz por aqui.»
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A FIANDEIRA é um tributo a quem ainda sabe a arte de trabalhar a lã bruta e transformá-la em fio que, depois, nos vai aquecer em peças únicas de vestuário tradicional.
Rafaela Rodrigues, a autora, é uma designer e ilustradora portuguesa nascida além-mar, na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 1990. Ainda muito jovem, mudou-se com os pais para a ilha da Madeira, mais propriamente para Machico, de onde é oriunda a família. Na infância, mostrou aptidão para o desenho e, através dele, contar as histórias que lhe povoavam a imaginação.
Chegado o momento de escolher a sua formação superior, a vocação falou mais alto, licenciando-se em Design, pela Universidade da Madeira, e realizando, seguidamente, o mestrado em Ilustração, na Escola Superior Artística do Porto-Guimarães.
Enquanto autora, tem vindo a ilustrar obras, mostrando o que refere como a sendo a sua ilustração de autor, em que as personagens, ternurentas, apresentam um corpo em forma de pepino, com bracinhos delgados e olhos amendoados e muito expressivos. O formato dos seus bonecos, que faz as delícias de miúdos e graúdos, surgiu-lhe de forma “bastante intuitiva” sublinha, e é uma constante em muitos dos seus trabalhos.
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Em 2022, lançou, através da Cadmus, a obra UMA CASA SEM NOME PARA DEPOIS, escrito por João Giz e por ela ilustrado. Um livro para a infância que explica aos mais jovens o que é a demência.
Rafaela Rodrigues é técnica superior da Casa de Cultura de Santa Cruz – Quinta do Revoredo, onde integra o serviço educativo e desenvolve iniciativas diversas para a infância e para a comunidade escolar.
Da parceria da artista com a editora, entre os quais conta ainda com VIDAS (DES)CONHECIDAS: LOURDES CASTRO, trabalho conjunto com Carlos Diogo Pereira (texto), que teve o apoio da própria pintora e o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa e BARTOLOMEU, uma homenagem ao mundo da fotografia.
Timóteo Ferreira
ET AL.