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O associativismo e a juventude

O associativismo e a juventude

Hoje, às 16:00, há emissão em direto do PEÇO A PALAVRA. O médico João Pedro Vieira, antigo dirigente associativo, fala sobre a participação cívica.
Tiago Caldeira Alves e Ismael Da Gama, do painel do PEÇO A PALAVRA de 17 de julho de 2024, um programa da TSF Madeira 100FM e da ACADÉMICA DA MADEIRA.

O episódio do PEÇO A PALAVRA desta quarta-feira, emitido em direto às 16:00 desta quarta-feira, discute o papel que os jovens têm na participação cívica, em especial através de movimentos sociais organizados dentro do associativismo jovem e também de manifestações inorgânicas que surgem na sociedade. Em Portugal, existem mais de 1.500 associações jovens registadas. Este movimento nacional engloba milhares de jovens e de projetos apoiados pelo setor privado e público. O setor da economia social em Portugal, do qual o associativismo faz parte, representa cerca de 5% do PIB. Embora o associativismo jovem seja uma fração deste total, é uma parte importante do ecossistema, especialmente em áreas como a educação, a cultura, o ambiente, o desporto e a ação social. Este setor inclui associações, cooperativas e fundações que geram atividade económica e oferecem serviços essenciais.

Nesta emissão do programa, o painel do Peço a Palavra será composto por Ismael da Gama, finalista da licenciatura de Engenharia Informática na UMa e coordenador da unidade de Política do Ensino Superior na Associação Académica, além de embaixador da Startup Portugal na Madeira. Com ele, integra o painel Maria Beatriz Ricardo, estudante de Medicina na UMa e membro da unidade que gere o voluntariado na Associação Académica. Como convidado, João Pedro Vieira, que é médico interno de Saúde Pública e antigo estudante da Universidade da Madeira, tem desempenhado um papel ativo no associativismo, passando pela Associação Académica da Universidade de Lisboa, pela Associação de Basquetebol da Madeira e pelo Clube Amigos do Basquetebol, entre outras estruturas.

Em Portugal, de acordo com a legislação, são associações de jovens as associações juvenis e as associações de estudantes. O associativismo jovem na Europa está em crescimento e diversificação, com os jovens cada vez mais envolvidos em causas sociais e ativismo digital. No entanto, os níveis de participação variam entre países, e há desafios financeiros e organizacionais a superar. Um estudo da European Youth Forum, de 2019, indicou que cerca de 50% dos jovens europeus estão envolvidos em algum tipo de organização ou associação jovem, seja de caráter desportivo, cultural, ambiental ou político. Em países como a Finlândia e a Suécia, mais de 70% dos jovens estão envolvidos em organizações de voluntariado ou associações jovens. Já em países do sul da Europa, como Portugal e Itália, esse número é significativamente mais baixo, situando-se entre 20 e 30%.

Estamos a criar uma ditadura do sucesso?

Depois do final da 1.ª fase dos Exames Nacionais, quando perto de 157 mil estudantes se submeteram às provas que determinam a entrada numa licenciatura de quase metade dos estudantes que se apresentaram a exame, a ansiedade é grande para confirmar se as respostas estão certas até que as notas sejam divulgadas, no próximo dia 15 de julho.

A União Europeia apoia ativamente o associativismo jovem através de programas como o Erasmus+, que financia projetos de associações juvenis focados na educação não formal, no desenvolvimento de competências e na participação cívica. Em 2020, o programa Erasmus+ destinou mais de 500 milhões de euros para projetos de juventude em toda a Europa, abrangendo milhares de jovens e associações.

Enquanto os dados podem indicar que a ação cívica tradicional, como a participação partidária, tenha diminuído entre os jovens, outras formas de envolvimento, como o voluntariado, o associativismo juvenil e o ativismo digital, continuam a crescer e a ganhar relevância em Portugal.

De acordo com o estudo “A Participação Política dos Jovens em Portugal”, de 2020, promovido pelo Arquivo Português de Informação Social, a filiação partidária entre os jovens tem vindo a diminuir drasticamente nas últimas décadas. Em 1983, cerca de 20% dos jovens participavam ativamente em partidos políticos, mas em 2020 esse número caiu para menos de 7%. Esta queda é atribuída a uma crescente desilusão com a política tradicional e à perceção de que os partidos políticos não refletem adequadamente as preocupações e os interesses da juventude. A falta de confiança nas instituições políticas e as crises económicas e sociais também contribuíram para este distanciamento.

Até quando vamos desperdiçar?

“continuaremos a perpetuar um sistema eficaz em esconder o falhanço dos profissionais despreparados para ensinar” Ao longo da vida levantam-nos cartazes com a indicação “tenha modos”. Reclamar e elogiar são

No entanto, o estudo destaca que, apesar deste afastamento dos partidos, os jovens estão cada vez mais envolvidos em outras formas de participação cívica, como o ativismo digital, o voluntariado e os movimentos sociais. Estas formas de participação tendem a focar-se em questões globais como as alterações climáticas, os direitos humanos e a igualdade de género, mostrando que os jovens continuam a ser politicamente ativos, embora de maneiras diferentes. Este comportamento sublinha a necessidade de reconhecer estas novas formas de envolvimento como parte integral da participação política e cívica contemporânea.

Outro dado relevante vem do Barómetro da Juventude 2021, que revela que uma percentagem considerável de jovens, cerca de 30%, expressa desinteresse pelos partidos políticos como forma eficaz de participação política. Muitos jovens preferem outras formas de ativismo e participação, como o voluntariado, o associativismo juvenil e o ativismo digital.

Se o associativismo está em alta, é também notório o seu papel preponderante na qualificação dos jovens. O Eurofound, a Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, destaca que os jovens que participam em atividades associativas ou de voluntariado desenvolvem competências transversais, como a liderança, o trabalho em equipa, a resolução de problemas e a comunicação. Essas competências são altamente transferíveis e procuradas no mercado de trabalho europeu. Outro indicador de destaque sobre o papel do associativismo é o Estudo Europeu sobre Voluntariado e Empregabilidade, de 2016, que conclui que os jovens que participam em associações ou voluntariado têm 30% maior probabilidade de encontrar emprego do que aqueles que não o fazem. A participação em associações jovens facilita a criação de redes profissionais e de contacto, muitas vezes essenciais para a entrada no mercado de trabalho. As associações e outras organizações sociais oferecem oportunidades de estágio, de mentoria e de participação em eventos e conferências, o que pode ser um ponto de acesso a futuras oportunidades de emprego. Dados do European Youth Forum mostram que o 55% dos jovens que participam em organizações juvenis reportam ter ampliado as suas redes profissionais graças à participação associativa​.

Fiquei colocado, e agora?

Foram conhecidos os resultados do Concurso Nacional de Acesso e quase 50 mil estudantes ficaram colocados. Abre-se um período difícil para os que não ficaram colocados e para os que rumam para o Ensino Superior, a procura de apoios sociais e habitação.

Em Portugal, o estudo “Associativismo Juvenil” da Federação Nacional das Associações Juvenis, publicado em dezembro de 2021, conclui que os domínios de atuação das associações são bastante diversificados, refletindo a natureza específica de cada uma, a sua missão e objetivos, mas também evidenciam uma forte presença em áreas como a cultura, o lazer e o património, bem como na educação e formação, no desporto ou na participação cívica e ação social. Estas são as áreas em que o associativismo juvenil, de forma geral, se revela mais forte, consistente e com maior continuidade, o que pode destacar o seu papel social enquanto prestador de serviços para os jovens e para a comunidade em geral. Estes domínios de atuação traduzem-se numa variedade de atividades e ações, sejam pontuais ou sistemáticas, mas a maioria das associações realiza as suas ações de forma anual.

Vários investigadores como Damon Timothy Alexander, Jo Barraket, Jenny M. Lewis e Mark Considine analisaram a relação entre a participação em atividades cívicas e políticas e a integração em associações voluntárias. Esta ligação está bem estabelecida e documentada na literatura científica e técnica. Nestes estudos, menos claros foram os impactos relativos do tempo que as pessoas dedicam a atividades em grupo, a intensidade associativa, e do número e tipo de grupos em que os indivíduos participam, a abrangência associativa. Em termos de envolvimento cívico, os autores questionam a comparação entre ser membro de um grupo de costura ou de um sindicato. Será que faz diferença se a filiação numa associação se resume a um pagamento anual ou envolve um compromisso significativo de tempo e energia? Os resultados publicados pelos investigadores mostram que, embora a intensidade associativa esteja positivamente relacionada com o envolvimento cívico, a abrangência associativa, o número de grupos em que uma pessoa participa, é um fator mais determinante para o nível de participação cívica e política. Os dados apurados pelo estudo “Civic Engagement and Associationalism” também sugerem que, apesar de todas as formas de associativismo serem importantes para promover maiores níveis de atividade cívica, nem todas têm o mesmo impacto.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o trabalho voluntário, incluindo o associado ao associativismo jovem, representa cerca de 0,6% do PIB. Este valor reflete a importância do trabalho voluntário em várias áreas sociais e o impacto económico que gera ao substituir serviços que, de outra forma, exigiriam financiamento público ou privado.

O associativismo também estimula o empreendedorismo social, proporcionando aos jovens um ambiente para experimentar ideias inovadoras que possam ter impacto na sociedade. Muitas iniciativas associativas tornam-se posteriormente projetos empresariais ou cooperativas de sucesso. O Relatório sobre o Empreendedorismo Social Europeu aponta que 15% das startups sociais na Europa têm origem em associações juvenis ou em redes de voluntariado, demonstrando o papel do associativismo como catalisador de iniciativas empresariais​.

Qvo vadis?

O DIÁRIO DE NOTÍCIAS da Madeira recebe um espaço de opinião com o painel do PEÇO A PALAVRA, uma produção da ACADÉMICA DA MADEIRA na TSF MADEIRA. Neste episódio, o tema é a integração e o papel da praxe neste processo.

Sobre o envolvimento dos jovens em grupos formais e informais, há bons exemplos na Europa, com a Suécia que se destaca pela elevada participação cívica dos jovens, com mais de 70% envolvidos em organizações jovens, como movimentos desportivos, culturais e ambientais. O país é também um centro para o ativismo climático, com movimentos como o “Fridays for Future”, liderado por Greta Thunberg, que mobilizou milhões de jovens globalmente. Além disso, mais de metade dos jovens suecos participa regularmente em voluntariado, e o país possui um dos mais altos índices de participação cívica na Europa, com uma forte cultura de inclusão e políticas que promovem o envolvimento juvenil​

O Peço a Palavra discute o vasto mundo da participação cívica dos jovens através de movimentos associativos, enquanto espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Henrique Santos.

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