As vagas no Ensino Superior

O menor número de vagas abertas ao Ensino Superior público mostra ter havido uma mudança de prioridades nas famílias portuguesas, em tempos de grandes dificuldades económicas para a classe média. Como lidaram as universidades com esta realidade?

Os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência apontaram para uma descida de 1,6% na oferta das universidades e politécnicos públicos em relação ao ano lectivo 2012-2013. Esta descida torna o número de vagas abertas neste ano equiparável ao das de 2009-2010 (51 352 vagas a licenciaturas), sendo que, às vagas disponíveis na primeira fase do concurso geral de acesso, acresceram ainda as dos concursos locais, as da Universidade Aberta, de instituições de Ensino Superior militar e policial, cursos de especialização tecnológica e do concurso destinado a estudantes com mais de 23 anos.

Para a situação contribuíram medidas importantes na redução da enorme despesa que o Estado tem com este nível de ensino. Do governo central deixou de sair dinheiro para financiar cursos com menos de 10 alunos inscritos, levando ao fecho de primeiros anos, com progressivo desaparecimento dessas licenciaturas.

Várias instituições de Ensino Superior optaram por medidas de reestruturação da sua oferta formativa, com muitos cursos fechados por não estarem de acordo com as imposições ministeriais, bem como os de regimes pós-laborais a darem lugar a nova aposta nos formatos diurnos, direccionando-se mais aos concursos para os jovens graduados do Ensino Secundário e seus equivalentes.

Ao todo cerca de 40 cursos, que funcionaram em 2012-2013, não abriram vagas este ano. Das áreas mais afectadas, as que estão ligadas aos serviços de segurança (com fecho de 28% da oferta, em relação a 2012/2013) e à construção (da ordem dos 16%). Classe profissional na vanguarda da contestação política, por ser das mais sensíveis a reformas governamentais, os professores viram reduzida a oferta dos seus cursos profissionalizantes ou ligados à educação. Na sequência do corte de 20% imposto pelo governo às universidades, como medida preventiva do desemprego associado à Educação, abriram menos 16% de cursos de formação de professores e educadores e de Ciências da Educação.

Acrescem às preocupações do MEC, de universidades e de politécnicos públicos, a diminuição da procura de futuro no Ensino Superior. Os alunos que acabam o Secundário ponderam, cada vez mais, em tirarem uma licenciatura, muito devido ao factor económico.

Mesmo aqueles que já se encontram a frequentar o Ensino Superior tentam superar dificuldades hercúleas para se manterem na universidade, obrigando estas instituições a intervirem com novas medidas de apoio aos mais carenciados. As perspectivas não são as ideais e só uma melhoria na conjuntura económica do País irá atrair um maior número de estudantes para o ensino universitário.

Rui Santos

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