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Extinção da FCT regressa ao Parlamento

Extinção da FCT regressa ao Parlamento

A decisão do Governo de extinguir a FCT e criar uma nova agência para a ciência e a inovação volta a ser escrutinada politicamente, agora através de um processo de apreciação parlamentar impulsionado pelo PS.
Votação final global do Orçamento do Estado para 2026, na Assembleia da República (Lisboa, 27 de novembro de 2025). Fotografia de Gonçalo Borges Dias / GPM.

A extinção da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a criação de uma nova agência que junta ciência e inovação voltam a estar no centro do debate político, depois de deputados do Partido Socialista terem avançado com um pedido de apreciação parlamentar ao decreto-lei do Governo. A iniciativa leva o tema, pela primeira vez, à Assembleia da República, abrindo caminho a um debate que pode resultar em alterações ao diploma ou, no limite, na sua revogação, segundo noticiou o PÚBLICO. 

Os socialistas justificam este passo com a identificação de falhas estruturais no processo conduzido pelo Executivo, apontando a ausência de estudos que fundamentem a necessidade de uma “transformação institucional radical” e a inexistência de uma consulta pública ampla ao setor científico. A decisão governamental, anunciada no verão pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, surpreendeu a comunidade académica e científica, sobretudo pela rapidez com que avançou numa primeira fase.

Após críticas públicas e a intervenção do Presidente da República, o Governo acabou por rever a natureza jurídica da nova entidade, afastando a ideia inicial de uma sociedade anónima e optando por uma entidade pública empresarial. Ainda assim, a versão final do diploma, publicada em dezembro, manteve pontos controversos, incluindo uma tutela repartida por vários ministérios e uma reorganização profunda dos mecanismos de financiamento da investigação.

Com a apreciação parlamentar agora em curso, o futuro do novo modelo permanece em aberto. O debate no Parlamento poderá clarificar opções, introduzir correções ou mesmo travar a extinção da FCT, prolongando um clima de incerteza que tem marcado os últimos meses no sistema científico nacional e que continua a gerar reservas entre investigadores, instituições e decisores políticos.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Gonçalo Borges Dias / GPM.

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