Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

Relações internacionais em debate no PEÇO A PALAVRA

Relações internacionais em debate no PEÇO A PALAVRA

Relações internacionais em debate: um programa que coloca em perspetiva a diplomacia, os conflitos atuais e a ausência destes temas no universo académico.
Mafalda Brazão liderou o painel do PEÇO A PALAVRA de 9 de julho com os convidados Rubina Berardo e João Eduardo Olim.

A emissão do PEÇO A PALAVRA desta quarta-feira, às 16:00 na antena da TSF, trata sobre um assunto que não está no topo das preocupações dos jovens, mas que é central na vida de todos os cidadãos, especialmente num cenário internacional marcado por relações tensas, nacionalismos e confrontos bélicos em vários pontos do mundo. Nesta emissão, o programa centra-se nas relações internacionais, numa Europa unida, perante um mundo cada vez mais multipolar, instável e em rápida transformação.

Neste episódio, o painel é composto por Rubina Berardo, licenciada em Ciência Política e Economia pela University of East Anglia, com mestrado na LSE e pós-graduação em Guerra da Informação na Academia Militar, antiga deputada e ex-miliante do PSD; e João Eduardo Olim, licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa e a concluir o mestrado em Direito Internacional e Europeu. A moderar o debate, Mafalda Brazão, estudante de Medicina na UMa e responsável pela Secção de Promoção de Saúde da Académica da Madeira.

Este ano, o Observatório da Vida Estudantil da ACADÉMICA DA MADEIRA realizou um inquérito aos estudantes sobre as eleições legislativas. os estudantes da UMa puderam optar por três áreas em simultâneo: Educação, Saúde, Habitação, Trabalho, Justiça, Ambiente, Defesa, Relações Externas. Os estudantes inquiridos na UMa destacaram, em primeiro lugar, a Educação, escolhida por 80,40% dos inquiridos. Seguiram-se a Saúde, com 73,60%, e a Habitação, com 67,20%, evidenciando uma clara preocupação com os pilares do bem-estar social. No fim da lista, as Relações Externas foram apontadas como prioridade por apenas 2,80% dos estudantes.

A aparente menor atenção dos jovens inquiridos às relações internacionais poderá ter várias explicações. Talvez questões mais próximas, como a habitação, a saúde ou a educação, lhes pareçam mais urgentes e relevantes no dia a dia. É também possível que a política externa seja vista como um domínio distante, técnico e pouco acessível, o que afasta o interesse. A forma como estes temas são abordados, ou ignorados, na escola e na comunicação social poderá igualmente pesar. Além disso, não se pode excluir a hipótese de que muitos jovens sintam que têm pouca margem de intervenção nas decisões tomadas a esse nível, o que pode contribuir para um certo alheamento.

Falta de motivação e insatisfação com o curso como principais riscos para o abandono e desistência na UMa

Os resultados do INQUÉRITO ANUAL AOS ESTUDANTES DA UMa, edição de 2022-2023, foram divulgados pela ACADÉMICA DA MADEIRA. Os resultados dos inquiridos indicam que as razões financeiras têm menor peso no risco de abandono e desistência, a maioria dos estudantes continua a entender que o percurso académico até ao 12.º ano não os preparou para a realidade curricular do Ensino Superior e aumenta a necessidade de apoio psicológico.

É neste sentido que o PEÇO A PALAVRA decide discutir vários temas da atualidade que marcam a agenda das relações internacionais. Um inquérito conduzido pelo Pew Research Center, publicado em dezembro de 2023, revela uma divisão clara entre os europeus quanto à forma como os seus países devem conduzir a política externa: 49% consideram que os interesses nacionais devem prevalecer, enquanto 47% preferem que se tenham também em conta os interesses de outros países. Esta proximidade nas opiniões sugere uma perceção cada vez mais nítida da complexidade das relações internacionais e da dificuldade em equilibrar o pragmatismo estratégico com a exigência de cooperação num mundo interdependente.

Um Eurobarómetro de maio de 2024 apresenta dados próximos ao estudo promovido na UMa. No estudo europeu, os dados indicam que os portugueses estão muito mais focados em temas como habitação (43 %), custo de vida (40 %) e saúde (31 %), significativamente acima da média europeia, enquanto os assuntos internacionais não surgem entre as prioridades nacionais. Este panorama sugere que, no debate público e mediático, os temas internos dominam, deixando os assuntos externos num plano secundário.

Quando os dados deste Eurobarómetro são detalhados para Portugal, os resultados permitem conhecer o que os madeirenses pensam. Na Madeira, a saúde é a principal preocupação dos residentes, com 36% a dar essa indicação, um valor que supera o de outras regiões como o Algarve (27%) ou os Açores (29%). Também no que toca à habitação, os madeirenses demonstram forte inquietação: 45% identificam este tema como prioritário, valor idêntico ao de Lisboa e apenas superado pelo Algarve. Em contraste, a educação motiva pouca atenção na Região, ao contrário do que foi indicado pelos estudantes da UMa inquiridos, com apenas 3% a referi-la, muito abaixo dos 11% registados no Norte do país. A criminalidade e a saída de pessoas e empresas não surgem entre as principais preocupações dos madeirenses, ao contrário do que se verifica no Alentejo, Açores ou Centro. Estes dados mostram que, na Madeira, as prioridades da população se centram sobretudo nos pilares essenciais do bem-estar, a saúde e a habitação, enquanto outras questões, embora relevantes noutros pontos do país, têm menor expressão regional.

Sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza, vários estudos recentes ajudam a perceber como os europeus encaram estes temas. Ainda segundo o Eurobarómetro de maio de 2024, 73% dos cidadãos da União Europeia continuam a apoiar o auxílio à Ucrânia, incluindo sanções e treino militar, embora se note uma diminuição do apoio ao prolongamento da guerra até à vitória ucraniana, com uma crescente preferência por uma solução negociada, especialmente em países como a França, a Itália ou a Alemanha.

Em 2025, a opinião pública europeia, sobre o conflito em Gaza, tornou-se marcadamente crítica em relação a Israel. Sondagens do YouGov revelam que, em países como o Reino Unido, a França, a Alemanha e Espanha, entre 63% e 70% dos inquiridos têm hoje uma perceção negativa da atuação israelita, com apenas uma minoria, entre 6% e 16%, a considerar a resposta proporcional. Na Alemanha, um estudo conduzido pelo instituto Allensbach para o Frankfurter Allgemeine Zeitung, divulgado a 20 de junho de 2025, mostrou que 65% dos alemães consideram as ações israelitas inadequadas e 73% admitem que há verdade na acusação de genocídio. Já em Espanha, segundo o Real Instituto Elcano, publicado em julho de 2025, 82% da população acredita que o que se passa em Gaza corresponde a um genocídio e 70% defende a imposição de sanções por parte da União Europeia. Este cenário traduz um afastamento crescente das posições israelitas por parte da opinião pública europeia, num momento em que o peso das imagens, dos números e da ausência de solução política começa a moldar de forma mais firme a perceção social do conflito.

Num contexto internacional cada vez mais marcado por conflitos prolongados, violações de direitos humanos e desafios à ordem multilateral, “os estudantes universitários não podem permanecer indiferentes”, como destacou a produção do PEÇO A PALAVRA. A universidade, enquanto espaço de formação crítica e cidadania ativa, “tem a responsabilidade de promover a reflexão informada sobre os grandes temas do nosso tempo, incluindo a guerra, a paz e a justiça internacional, sendo que ignorar estes assuntos pode ser abdicar de um papel fundamental que a juventude universitária sempre assumiu na história: o de questionar, mobilizar e propor caminhos alternativos”.

O PEÇO A PALAVRA é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado. Na antena da rádio, o programa é repetido na quarta-feira seguinte.

Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Henrique Santos.

Palavras-chave