Passaram-se sete anos desde a primeira edição de LEVADAS DA MADEIRA. UMA ANTOLOGIA LITERÁRIA. A primeira edição, na versão em português, esgotou-se. Como referiu o organizador da obra, o professor Thierry Proença dos Santos, “Tratando-se de um belo livro-objeto, é natural que continue a ter procura”. Assim, a Imprensa Académica, na senda da sua valorização da cultura e do património regionais, em boa hora resolveu reeditar a obra em português.
Se na altura da 1.ª edição, a esperança era grande na candidatura das levadas a Património Mundial da UNESCO, o objetivo permanece, como lembra a editora: “Através desta obra, pretendemos enriquecer a ligação que envolve o percurso histórico e natural por que passaram as levadas, contribuindo para a difusão deste legado cuja defesa se assume como um imperativo intergeracional. A pertinência de candidatar as nossas levadas a Património da Humanidade, junto da UNESCO, mais do que um reconhecimento, apresenta-se como uma oportunidade para a contínua preservação e transmissão desse elemento público pela responsabilidade, à escala mundial, que essa distinção e enquadramento acarretam”.
A presente antologia literária pretende revelar histórias, registos e memórias que giram em torno de um tema principal: as levadas da Madeira.
Bernardo Martins distinguido com o prémio Emanuel Rodrigues
O autor, editado pela IMPRENSA ACADÉMICA, foi distinguido com o Prémio Emanuel Rodrigues pelo seu contributo académico e político para o estudo da autonomia madeirense.
Vicente Jorge Silva foi um dos grandes nomes do jornalismo português
A CADMUS apresenta VICENTE JORGE SILVA, de Rúben Castro e Manuel Salvador Roldán, uma obra que foi agraciada com o Alto
Das necessidades agrícolas de água à atual oferta turística, passando pelo setor energético, as levadas fazem parte da paisagem madeirense e, como tal, determinam várias atividades humanas, assim como a organização e gestão do território. Mas as levadas são muito mais do que isso, como lembra o professor Thierry: “As levadas constituem-se como património cultural e fonte abundante do imaginário madeirense. Esse imaginário fala, à boca pequena, de bruxas e musas, perigos e prazeres, medos e sonhos, sons e visões. A literatura dá-lhe sentido e força em letra de forma. A antologia apresenta uma mostra de discursos sobre esse tema, pelo viés de um olhar atento, empático e original. Esta segunda edição permitiu atualizar e completar a antologia”.
A obra está combinada com uma seleção fotográfica ímpar, da autoria de Francisco Correia, e que reforça um forte apelo visual e convida a uma viagem pela ilha da Madeira rural, em harmonia com a natureza.
Pretende-se, portanto, estabelecer uma relação entre o texto literário de autores consagrados da literatura madeirense e a fotografia, dada a natureza recíproca destes meios, de forma a estabelecer um diálogo entre a comunicação verbal e visual. É a Madeira de paisagens deslumbrantes longe dos centros urbanos, caracterizada por levadas, poios, furados, um mar de nuvens, a floresta Laurissilva, picos e palheiros.
Dada a sua amplitude, LEVADAS DA MADEIRA. UMA ANTOLOGIA LITERÁRIA pretende ser um convite a uma experiência de leitura, a um itinerário cultural, a uma forma alternativa de sensibilidade ao tema em causa, através da fruição estética, com todos os estímulos visuais e literários que residem, flutuem e corram de lá.
Timóteo Ferreira
ET AL.
Fotografia de Francisco Correia.