Com emprego em alta, estarão os trabalhadores felizes?

Com emprego em alta, estarão os trabalhadores felizes?

Faltando poucos dias para que 420 estudantes da UMa façam a cerimónia de graduação, o emprego está no centro das suas preocupações. No país com menos felicidade no emprego, o novo episódio do Peço a Palavra, em direto, às 16:00 desta quarta-feira.
Márcio Nóbrega, empresário madeirense, foi o convidado da emissão de 22 de junho do PEÇO A PALAVRA.

O tema da emissão desta semana do PEÇO A PALAVRA é um assunto de interesse para toda população e em, especialmente, para os jovens que estão prestes a começar a sua carreira, sejam eles universitários ou estudantes de outros graus de ensino.

A duas semanas da Graduação de 420 estudantes da UMa, a ACADÉMICA DA MADEIRA e a TSF centram o seu debate no universo do emprego. Os dados do EuroStat indicavam que, em 2023, o número de pessoas, entre os 20 e os 64 anos, que estavam empregadas, atingiu os 75% na Europa. É o valor mais alto desde que se começaram a medir estes números, em 2009, e marca três anos consecutivos de subidas. Portugal situa-se entre os países com a mais alta taxa de empregabilidade, nos 78,2%. Sobre o desemprego jovem, no 1.º trimestre de 2024, a taxa (dos 16 aos 24 anos) situou-se em 23,0%, segundo os dados do Banco de Portugal, representando um aumento em relação ao período homólogo de 2023, que era de 19,6%.

Os estudantes falaram de empregabilidade

No segundo episódio do PEÇO A PALAVRA o painel debateu o futuro profissional dos jovens, com o empresário Márcio Nóbrega e o investigador Celso Nunes. A procura de emprego, as entrevistas de trabalho, a progressão na carreira, o ambiente laboral foram outras temáticas tratadas.

Com a empregabilidade em alta na União Europeia, é importante conhecer algumas variáveis que inferem diretamente na produtividade e, consequentemente, na economia de um Estado. O índice de felicidade tem sido uma preocupação internacional e, em março deste ano, o World Happiness Report, colocava Portugal como o 56.º país mais feliz do mundo, 20 posições abaixo da vizinha Espanha. Este estudo envolvendo inquiridos de 143 países, foi patrocinado pela Organização das Nações Unidas, e envolveu a empresa norteamericana de estudo de opinião Gallup e a Universidade de Oxford. Os dados do EuroStat, relativos a 2022, mostram que, em geral, dois Estados se destacam. Por um lado, refere o organismo, Malta é o país europeu com maior otimismo e, no oposto, Portugal tem a menor satisfação profissional da União Europeia. Enquanto Portugal apresenta 21,6% dos trabalhadores a indicar uma alta taxa de satisfação, a taxa foi de 53,9% em Espanha, 59,8% em Itália e 51,7% na Grécia, para citar os números do Sul da Europa.

Na pauta de discussão, os estudantes da UMa enviaram vários temas ao painel do programa: habitação, custo de vida, impostos, felicidade no trabalho, emigração, trabalho cívico e remunerações. No painel, além de Ricardo Miguel Oliveira a moderar, estará Ismael Da Gama e Tiago Caldeira Alves, ambos da unidade de Política do Ensino Superior na ACADÉMICA DA MADEIRA. Como convidados, Márcio Nóbrega, empresário madeirense e antigo estudante da UMa, que lidera vários projetos e empreendimentos na área da restauração, da hotelaria e do turismo; e Luiz Pinto Machado, professor e antigo estudante da UMa, investigador na área da Economia do Turismo.

Além do emprego depois do curso, há vários estudantes que têm uma atividade profissional durante o seu percurso académico. Recentemente, em Portugal, foi divulgado que o número de trabalhadores-estudantes no ensino superior aumentou 24% em cinco anos. São, segundo os últimos dados de 2023-2024, mais de 30 mil trabalhadores-estudantes inscritos neste nível de ensino. São cerca de 6% dos estudantes que conjugam a atividade laboral com o estudo. Em 2022, 72% dos jovens europeus (15-29 anos) permaneceram fora da força de trabalho durante a educação formal, enquanto 25% trabalhavam. Na Europa, as maiores taxas de emprego, entre os 15 e os 29 anos, são dos Países Baixos, da Dinamarca, da Alemanha, da Áustria e da Finlândia, todos países com economias maiores do que a portuguesa, além de deterem melhores indicadores na Educação. O painel discutirá se trabalhar é uma mera necessidade ou uma obrigação e quais são as vantagens, para o estudante, de ganhar experiência e o seu rendimento enquanto tira o curso. Um dos entraves, contudo, que os estudantes enfrentam para conjugar o trabalho com o estudo é a carga horária letiva que existe no Ensino Superior. Portugal está entre os países europeus com maior carga horária letiva, apresentando, segundo um estudo do ISCTE, uma média de 21 horas de aulas semanais presenciais. Será que esta carga horária letiva é o principal motivo para não termos em Portugal muitos trabalhadores-estudantes.

O PEÇO A PALAVRA é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 69. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a ACADÉMICA DA MADEIRA, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast, nas principais plataformas do mercado.

Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Henrique Santos.