Será a falta de água o motivo de uma 3.ª guerra Mundial?

Para muitos entendidos na matéria não estaríamos a especular se afirmássemos que a Terceira Guerra Mundial será provocada pela falta de água. Ismail Serageldin, director da Biblioteca de Alexandria e antigo Vice-Presidente do Banco Mundial para o Desenvolvimento Ambiental e Social Sustentável afirmou que os conflitos bélicos do século XXI seriam originados pela água.

Imagine por um instante um mundo onde a pouca água potável que existe seria distribuída apenas aos cidadãos mais ricos, devido ao seu elevado preço. Diversas obras da sétima arte têm focado cenários catastróficos, mas que normalmente se relacionam com invasões alienígenas, conspirações políticas ou com o tão fim do mundo. Tais acontecimentos não sendo impossíveis, na verdade, são pouco prováveis. A escassez de água não é uma preocupação futura, é um problema actual.

Um estudo realizado pela Universidade de Columbia revelou que há uma relação entre a escassez de água e as guerras civis. Neste concluiu-se que entre 1950 e 2004 os países que foram afectados pelo El Niño (fenómeno que altera as condições climáticas) a probabilidade de desenrolar-se um conflito bélico, nos mesmos, duplicou. O conflito do Darfur que já vitimou milhões de pessoas é prova disso, já que não foi originado unicamente por divergências políticas ou religiosas, mas também por um problema de acesso a uma nascente de água que pela sua exploração excessiva está quase seca, agudizando a disputa pela mesma.

Fazendo uma breve análise histórica, verificamos que a água tem um papel importantíssimo na vida do ser humano. Não é por acaso que as primeiras grandes civilizações se ergueram à beira de rios, como o Nilo ou o Tibre. A Madeira mostrar-nos o quão necessário é este recurso. As levadas, construções complexas que requereram trabalho árduo e uma logística incrível, permitem ainda hoje que a água abundante na região norte possa ser utilizada igualmente pelos habitantes da região sul.

O planeta Terra dispõe de muita água. Porém, apenas 3% é água potável, e só 1% está ao nosso alcance já que a restante está em forma de gelo nas calotes polares. Analisando este panorama podemos até pensar que implementando um processo de dessalinização o problema seria resolvido num ápice, mas necessitamos equacionar os custos associados a este processo. Se fosse assim tão fácil transformar água salgada em água potável não seriamos bombardeados com notícias sobre epidemias que surgem pelo consumo de água imprópria. Um centro de dessalinização implica, na actualidade, custos elevados que num cenário de escassez mundial de água não seriamos capazes de suportar. Ficamos, então, à mercê de avanços tecnológicos que futuramente permitam que este processo não nos custe tanto.

Sérgio Rodrigues

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