A ignorância dos nossos universitários
Este é o título de uma peça da revista Sábado muito comentada nas redes sociais. Trata-se de uma série de entrevistas a estudantes do ensino superior português que tem por objectivo aferir até que ponto é que estes sabem responder a perguntas de cultura geral sobre vários temas e ramos. Achei decadente o facto de surgirem questões como “Qual a fórmula química da água?” onde se obtêm respostas descabidas, de entre elas “pH0”. Ou ainda “Qual a capital dos Estados Unidos da América?” e um estudante responder “Inglaterra”. Não, meus senhores, também não foi o Leonardo DiCaprio quem pintou o Mona Lisa e o Mel Gibson ainda não é a Chanceler Alemã. O fundador da Microsoft não foi, e passo a citar “aquele que morreu há pouco tempo” e o Egas era uma personagem da famosa animação infantil, como tal, nunca escreveu “Os Maias”. Atrevi-me a partilhar o vídeo nas redes sociais, o que por muitos já havia sido feito nas horas e dias anteriores. Digo “atrevi-me” porque sou um estudante universitário que não domina todos os temas e não quero com isto fazer troça dos colegas entrevistados nessa peça. A minha publicação teve muitos “Likes” e foi também alvo de inúmeros comentários, entre os quais a publicação de um vídeo semelhante, mas desta feita tendo como entrevistados docentes portugueses. Ao ser confrontada com a questão “Quem foi o primeiro presidente da república de Portugal”, uma professora quarentona responde com ar enfadonho “Está-me a pregar uma grande partida!”. Após pensar um pouco a dita docente chegou à conclusão de que o primeiro Presidente da República tinha sido Francisco Costa Gomes. Se preferirem podem assistir ainda a um professor a afirmar que a raiz quadrada de nove é trinta e seis. Logicamente que estas peças não retratam um todo da Educação Portuguesa mas sim alguns elementos mais descuidados ou pouco recordados da matéria do Ensino Básico. Tendo em conta o que vi, e se me permitem fazer uso da gíria popular, “venha o diabo e escolha”… Pedro Ideia Colaborador da AAUMa e do Voz na Matéria
Educação pelos pares
“Peer education is also a way to empower young people: it offers them the opportunity to participate in activities that affect them and to access the information and services they need to protect their health” (Youth Peer, 2006:14) “PUMa” é um projeto de educação para a saúde no âmbito da prevenção da toxicodependência que utiliza a metodologia de educação pelos pares, uma metodologia pedagógica na qual se treinam jovens estudantes universitários, para que eles possam informar e educar os seus pares, também eles estudantes. Desde o seu início, em 2008, o PUMa já formou 64 alunos da Universidade da Madeira (UMa) e conta este ano com mais um grupo de jovens dos cursos de gestão, enfermagem e biologia que se encontram em processo de formação. Não sendo um fenómeno novo, a Educação pelos Pares (EP) surgiu na década de 50 do século passado em diferentes partes do mundo como Europa, Canadá, Estados Unidos da América e Austrália, onde foram realizadas intervenções com o objetivo de divulgar, informar e educar populações jovens difíceis de atingir, transmitindo mensagens relacionadas com a saúde, especialmente na prevenção de HIV-Sida. Atualmente a EP experimenta uma popularidade crescente em países desenvolvidos (por exemplo, na Austrália) e em países em desenvolvimento (por exemplo, Zâmbia), por ser um meio útil de chegar a populações “ocultas” (McDonald e tal., 2003) fornecendo-lhes informações essenciais e profícuas. Neste sentido é bastante utilizada em programas de promoção da saúde a nível mundial e nacional, nomeadamente de educação sexual, de prevenção de infeções sexualmente transmissíveis, de violência e do uso ou abuso de substâncias psicoativas, entre outras áreas de intervenção (Brito, 2009). A educação pelos pares é considerada uma estratégia educativa muito vantajosa, eficiente e pouco dispendiosa (UNESCO, 2003), sem descurar o nível de exigência pretendido pelo facto de ser necessário investir muito quer na qualidade da formação dos educadores de pares, como na monitorização e avaliação das intervenções educativas e preventivas realizadas (Druglnfo, 2006). O consumo de substâncias psicoativas em geral e o consumo de álcool em particular no contexto académico é frequentemente abusivo e por isso constitui uma preocupação de Saúde Pública (Calvário et. al., 1997). Em Portugal surgiu um conjunto de projetos de prevenção de pares no âmbito da prevenção da toxicodependência, da minimização de riscos e redução de danos, sendo o “Antes que te Queimes” aquele que alcançou uma maior notoriedade. Criado pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra em 2007, o “Antes que te Queimes” desenvolve um trabalho preventivo e de sensibilização durante a “latada” junto dos estudantes de Coimbra, baseando a sua atividade no aconselhamento e reflexão sobre os comportamentos de consumo e outros associados ao consumo, nomeadamente o da sexualidade ou o da condução de veículos. Seguindo um trabalho semelhante, o PUMa conta já com um conjunto de atividades desenvolvidas na Universidade da Madeira, nomeadamente, campanhas de sensibilização sobre o risco do uso e abuso de substâncias psicoativas, criação de um vídeo preventivo, peddy-paper, jogo preventivo à escala humana, fins-de-semana formativos, criação de perfil no facebook, entre outros, resultado da parceria estabelecida em 2008 entre o Serviço de Prevenção de Toxicodependência e a Associação Académica da UMa. O grupo que faz parte da IV edição do PUMa já está a planear novas atividades que irão decorrer durante o ano letivo 2011-2012. FICA ATENTO E JUNTA-TE A NÓS. Teresa Fernandes Socióloga IA SAUDE, IP-RAM Serviço de Prevenção de Toxicodependência
Livre em Cristo
Ser livre em Cristo é uma expressão que pode significar muitas coisas sobre as pessoas, como a atitude, o convívio, o respeito, a responsabilidade e a maturidade para com a religião cristã. Quando se é livre em Cristo agimos em relação a tais princípios da nossa religião, assistimos e participamos na eucaristia, frequentamos a catequese, confessamo-nos e colaboramos com a comunidade paroquial em diversas actividades, somos responsáveis, sabemos respeitar (não temos preconceitos em relação à nossa religião e não a escondemos de ninguém por medo ou sentimento de exclusão face a um grupo de amigos) e, acima de tudo, somos livres, na medida em que sentimo-nos bem com os nossos actos e crenças e não temos medo de assumir o que somos nem o que fazemos. Muitos dizem que ser livre em Cristo é um estado, um momento, mas para mim é uma maneira de viver. É uma maneira de amarmos, de sermos amados, de correr riscos, de vencer batalhas, de superar abismos que, nesse momento, mais nos parecem problemas e não desafios. É poder gritar sobre o céu azul sem esperar receber resposta, recebendo olhares reprovadores dos outros como se de loucura se tratasse mas sabendo que, no outro lado, Ele ouve-nos, por mais distantes que estivermos. É podermos ser nós próprios, sem olhares reprovadores, palavras dolorosas, gestos vergonhosos, sabendo que, por mais diferentes que sejamos, teremos sempre um abrigo com Ele, recebendo-nos com um abraço, com um beijo, com carinho. É poder acreditar no futuro onde a paz é infinita, onde a esperança não morre e vive em forma de brisa que refresca-nos eternamente e onde o sorriso é o mais precioso tesouro. Muitas vezes, e através da forma como vivemos e daquilo que dizemos, demonstramos que ainda estamos presos ao pecado e não nos conseguimos libertar. Construímos as nossas próprias prisões, as celas onde seremos eternos prisioneiros, afastando-nos da presença de Cristo. E enquanto não deixamos que o amor de Deus opere nas nossas vidas construímos, tijolo a tijolo, as celas de mágoa e de ressentimento sem desfrutar do calor e do sol que a alegria e a graça do amor de Deus nos oferecem, libertando-nos para que sejamos livres em Cristo. A liberdade vem, e deve vir sempre, acompanhada por responsabilidade, assumindo várias formas. Não precisamos ignorar os conselhos de quem já passou pelo mesmo que nós passamos hoje, ensinamentos que nós, jovens, quase sempre ignoramos ou menosprezamos. Não podemos esquecer a responsabilidade que temos para connosco próprios e para com quem nos é especial. Por isso é importante ser livre em Cristo, pois sê-lo, para mim, é ACREDITAR: acreditar que teremos ajuda, acreditar que tomaremos a decisão mais acertada, mas sobretudo, acreditar em NÓS! Ana Carolina André Sérgio Sara Alves Vera Gonçalves Texto produzido no âmbito de um projecto do 9.º Volume da Catequese da Paróquia de Sta. Maria Maior
Maratona de cartas
Participa no maior evento de direitos humanos do mundo! Quando se aproxima o 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Amnistia Internacional desafia todas as pessoas do mundo a participarem em mais uma Maratona de Cartas. Faz a diferença! Até ao dia 17 de Dezembro vem fazer parte daquele que é o maior evento de Direitos Humanos do mundo. Chamado Maratona de Cartas, é organizado pela Amnistia Internacional e visa, durante quinze dias, unir todas as pessoas, de todos os países do globo, em torno de um mesmo objectivo: enviar apelos para mudar a situação de cinco casos de violações aos Direitos Humanos. Conhece os casos. Indigna-te. Actua… MÉXICO, Inés Fernández Ortega e Valentina Rosendo Cantú As duas mexicanas pertencem à comunidade indígena Me’phaa e foram violadas por militares. Apresentaram queixa às autoridades, o que é raro entre a comunidade indígena, mas há nove anos que o seu caso está pendente em tribunal. Vamos escrever ao Presidente mexicano, Felipe Calderón, exigindo uma investigação imediata e imparcial aos acontecimentos e protecção para as duas mexicanas. NIGÉRIA, Port Harcourt Desde o ano 2000 que mais de dois milhões de pessoas têm sido desalojadas à força na Nigéria. A situação mais urgente é agora a de Port Harcourt, uma zona ribeirinha do delta do rio Níger, onde em 2009 cerca de 17.000 pessoas ficaram já sem casa. Tudo isto em nome de alegados planos de reabilitação urbana. Vamos escrever ao Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, exigindo que garanta o Direito à Habitação adequada. ARÁBIA SAUDITA, Hamad Al-Neyl Abu Kassawy A vida do sudanês mudou a 26 de Junho de 2004, aos 31 anos, quando regressava da Síria, onde tinha ido trabalhar enquanto caixeiro-viajante. Parou na Arábia Saudita para cumprir a umra, uma peregrinação que os muçulmanos devem fazer anualmente a Meca, e foi preso ao abrigo da “guerra ao terror” promovida pelo país. Vamos escrever ao Rei Abdullah da Arábia Saudita pedindo a sua libertação, ou então que receba um julgamento justo. COREIA DO NORTE, Campo de prisioneiros políticos Yodok Quando se pensava que nunca mais o mundo iria assistir a um genocídio como o dos judeus pelos nazis, na Alemanha, eis que surgem testemunhos e imagens aéreas que provam existirem campos de concentração, ou de extermínio, na Coreia do Norte, desta vez para opositores políticos e suas famílias. Vamos escrever ao Presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-il, exigindo que os encerre e que liberte os seus prisioneiros. Conhece melhor estes quatro casos em www.amnistia-internacional.pt e imprime, no mesmo local, os apelos que basta enviares via CTT. A ti custa-te algum tempo e o preço de um selo. Para estes casos, pode ser a diferença entre a justiça e a injustiça, ou entre a vida e a morte. Faz a diferença! Cátia Silva Coordenadora Editorial Amnistia Internacional Portugal
Estórias do arco da velha
Pai. Filho. Espírito Santo. Ámen. O pão foi dividido em quatro e entregue à mãe, ao pai, ao filho e à filha. Mastigou-se em silêncio, sombreado pelo zunido de moscas gordas e sebosas que se colavam às peles húmidas e carecidas de água. Os olhinhos pequenos das crianças saltavam de prato em prato, numa espécie de corrida contra o tempo: quem acabasse primeiro, poderia ficar com o pescoço que sobrara no prato de barro. O menino foi o primeiro: chupou o caldo com os beiços em forma de beijinho e jogou a colher para dentro da taça; a mão foi rápida – voou em direcção ao pescoço pouco carnudo e levou-o à boca. Uns dedos gastos pela terra sacudiram a orelha do pequeno que, dolorido, largou o osso e chorou. – Quem te disse que isso é para ti? A mãe encostou as mãozinhas ao peito e fungou baixinho. A menina baixou os olhos e continuou a comer. O pai colocou o maldito pescoço na borda do prato e sorveu o resto da sopa. Naquela casa comia-se pouco: mas trabalhava-se muito. E isso é contraditório. Muitas vezes, o único som que reinava na sala velha, aquecida por uma lareira antiga, eram os resmungos de estômagos esfomeados e fracos, seguidos por suspiros de quem tenta confortar o buraco vazio com um ar; um ar carregado de cheiros e vivências pesadas. O pai limpou o bigode, demoradamente, como que fazendo cerimónia. Os outros seis olhos concentraram-se nos movimentos do homem que pegou no pescoço e o encarou com gula. – Nesta casa, divide-se tudo. Não apenas no Natal mas todo o ano. E o pescoço foi partido em quatro porque ali podia faltar o luxo mas abundava a união. Os meninos chuparam com regalo os seus bocadinhos; a mãe sorriu e o pai viu nos olhos das suas crianças que, a cada dia, os ensinava a serem Homem e Mulher. Valentina Silva Ferreira Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
As várias formas de chegar ao ensino superior
Hoje em dia, frequentar o ensino superior adquire uma importância cada vez maior ao nível do contexto social em que estamos inseridos. O percurso que é efectuado até à data de saída raramente é esquecido. A forma como é alcançado um determinado objectivo não é posta de parte, pois os meios podem ser a explicação para determinados fins. Servindo uma entrevista de emprego como exemplo, ao dirigirmo-nos ao entrevistador para apresentar o currículo, com certeza que ele avaliará todo o passado, com base nas informações do mesmo, tendo em conta como foram atingidos vários patamares da vida académica e profissional do entrevistado. Esse resumo das nossas aptidões, que são ganhas durante toda a nossa vida, não é apenas uma forma de poder. Ele, assume um papel cada vez mais importante, e ganha um grande sentido de notoriedade sendo, por determinadas vezes, o único poder que realmente interessa. Várias são as vias de entrada no ensino superior. Podemos concorrer através do concurso nacional, tendo que para isso ter finalizado o ensino secundário ou o profissional, concursos locais, regimes especiais e até por concursos especiais com a via para maiores de 23 incluída. A nível sociológico, para muitos, nem todas possuem o mesmo valor, apesar de o tal fim, ser o mesmo. A diversificação desses modelos escolares tem servido para categorizar todos os que o frequentam. Comparando vários tipos de ensino, nomeadamente o ensino secundário e ensino profissional, podemos tirar várias ilações. O ensino secundário, para muitos, o caminho exemplar para o ingresso no ensino superior, tende a ser visto como o trilho que os académicos e os intelectuais têm de percorrer de forma exemplar para que no futuro, não se questione o mérito da sua entrada numa grande universidade. Propõe-se a dar aos seus utilizadores, capacidades viradas para o desenvolvimento do raciocínio e do espírito critico. Já o profissional, visa ao ensino de competências técnicas adaptadas e vocacionadas para o mercado de trabalho, sendo frequentado tanto por estudantes que procuram terminar o ensino secundário como por profissionais que procuram certificar as suas qualificações. Este último é muitas vezes olhado com descrença por parte dos outros alunos pois os seus cursos do secundário são como dito por muitos mais fáceis por as disciplinas leccionadas terem um nível de dificuldade inferior quando comparadas com as do ensino secundário. O ensino tende a ser cada vez mais racionalizado e os saberes que são teóricos do conhecimento sobrepõem–se aos técnicos. Esse ensino virado e dominado pelo enciclopedismo, focado numa imagem especializada/fragmentada do mundo, acaba por menosprezar e diminuir toda a aprendizagem de outros saberes, principalmente dos mais objectivos, onde entra o ensino profissional. Cada ser humano tem capacidades únicas. A forma como as quer desenvolver são da sua responsabilidade e nenhuma das escolhas do tipo de ensino que quer se deve sobrevalorizar perante as outras. Rúben Castro Estudante de Ciências da Cultura
A pequena grande caminhada do SCP-UMa
Dois anos passaram desde a abertura do Serviço de Consulta Psicológica (SCP-UMa) na Universidade da Madeira. O SCP-UMa foi criado com o objetivo de apoiar na resolução de problemas psicológicos e promover o bem-estar dos estudantes e funcionários da UMa e restante comunidade da RAM. Em mais este aniversário, importa analisar os frutos colhidos e em função destes delinear novos horizontes, tendo por base o mesmo mote e a aposta contínua numa prática sustentada. Neste sentido, o SCP-UMa, desde cedo, passou a integrar a Rede de Serviços de Aconselhamento Psicológico do Ensino Superior, sendo que atualmente, no âmbito das consultas, está a implementar um “Sistema Individualizado de Avaliação do Progresso do Paciente”, uma mais-valia na tomada de decisões clínicas, em prol de quem nos pede ajuda. O número de pessoas que tem recorrido ao SCP-UMa tem vindo a aumentar. Foram 1000 as consultas dadas, indício de que os estigmas relativos à procura de ajuda começam a ser quebrados. Note-se que a procura de ajuda não decorre apenas da existência de problemas, mas também de estigmas associados e do fator género. Efetivamente, são as mulheres as que têm recorrido mais a apoio psicológico (66%), sendo a média das idades – 26 anos, tendo o utente mais novo 3 anos e o mais velho 63. Dos utentes, 50% são estudantes da UMa. A ansiedade e as dificuldades ao nível do relacionamento interpessoal encontram-se entre os principais motivos de procura de ajuda (30% e 20%, respetivamente). Destacam-se ainda problemas de autoconfiança, dificuldades académicas e desmotivação (na ordem dos 10% cada). O SCP-UMa tem assumido como importante a criação de espaços de partilha e reflexão, com a realização de workshops destinados a diferentes populações e versando temáticas do dia a dia. Dos workshops realizados com maior afluência e que contam com mais edições, destacam-se: Como tornar a ansiedade nossa aliada…?; Como comunicar melhor…?; Embark on this adventure (mestrados do programa Carnegie Mellon Portugal); Para onde segue a carruagem? (Festa do Livro, 2011); O sabor dos anos mais maduros, entre outros. Tendo em conta estes resultados e considerando que 92% dos estudantes da UMa assume como importante a existência de um serviço com este cariz no contexto universitário (mais informações em http://scp.uma.pt), escolhemos encarar este novo ano como uma oportunidade para melhor responder às necessidades da população, bem como estar mais próximo aos desafios e dificuldades enfrentados p ulação com os Serviços de Ação Social da UMa. Por tudo isto, continua a ser nosso intuito criar pontos de partida e auxiliar nos percursos iniciados por cada um, abrindo espaços para que a mudança se opere, ou não fosse esta sinónimo de crescimento! A equipa do Serviço de Consulta Psicológica – UMa
Quando os grandes eram pequenos
O cheiro dos Verões passados, das bonecas Barbie e Nenuco passam por mim sempre que olho para trás. Tantos anos passaram e dou por mim a abrir a pequena gaveta do coração que se chama saudade. Não posso dizer que tudo foi fácil, mas posso dizer que foi maravilhoso e educador. Tudo começou quando me mudei de armas e bagagens da minha terra natal para um lugar onde todos pareciam se conhecer excepto eu. Madeira, o meu destino até hoje. Aos poucos com o meu “portunhol” ou “espanholês” fui conquistando o coração dos primos e amigos e adaptei-me, ganhando amizades que duram ainda. Lembro-me vivamente das brincadeiras do meu grupinho de infância. Éramos 7 mas parecíamos 14. Além das 7 crianças haviam 10 adolescentes, mas como é óbvio nunca entrávamos nas brincadeiras dos “grandes”. Quando isso acontecia, voltávamos a chorar para o colo das mamãs, porque tínhamos levado com a bola na cara, ou com algum pontapé. A casa da minha avó fazia muitas vezes parte do espaço elegido do dia pois havia uma enorme cerejeira em que todos adorávamos fingir que éramos macacos, ou pendurávamos cordas e fazíamos um baloiço improvisado. Na época das cerejas, esquecíamos completamente o baloiço e comíamos cerejas durante horas enquanto cuspíamos os caroços uns para os outros, chamando a isso de “a metralhadora dos caroços”. Ainda na casa da minha avó, outra das brincadeiras era a cabra cega devido ao largo espaço que existia. Era um dos nossos jogos preferidos até ao dia que esfolei uma perna toda. Aí desistimos e deixou de ser da nossa predilecção. Ainda me rio sempre que recordo um dos episódios mais perigosos e hilariantes da minha infância. Influenciei todos para festejarmos os Santos Populares à nossa maneira, e assim foi. Às escondidas dos nossos pais levámos montes de livros e cadernos para um mini descampado mesmo em frente à minha casa e ateámos-lhes fogo. Foi espectacular ver aquelas chamas todas, mas infelizmente a minha mãe sentiu o cheiro a queimado e veio ver o que se passava. Olhou para nós e para a nossa tamanha asneira e começou a gritar. Olhámos uns para os outros e começámos a chorar e, só depois de nos acalmarmos, é que percebemos o que se tinha passado. Tínhamos ateado não só a nossa fogueira de S. João, como também o poste de iluminação pública e toda a vizinhança iria ficar sem electricidade em casa. Uma das minhas muitas recordações é aqueles frascos antigos do sabão Fairy. Quando não estávamos na casa da minha avó, estávamos na casa da minha tia. Surripiávamos o sabão da cozinha da minha tia, estendíamos a mangueira e os azulejos do pátio faziam o resto. Era um escorrega mesmo estupendo para crianças de 6 ou 7 anos. Depois de nos fartarmos vestíamos a roupa novamente e, como já tínhamos o sabão na nossa posse, fazíamos bolas de sabão com restos de tubo para fios eléctricos. Quando o sabão estava no fim éramos descobertos e aí tínhamos grandes sermões à nossa espera. Recordo-me da minha primeira mentira. Tinha 5 anos e achava que andar na escola fazia de mim adulta. Cheguei a casa toda convencida da minha mentira, numa sexta-feira e disse à minha irmã mais velha que a professora nos tinha mandado como trabalho de casa nada mais nada menos do que aprender a ler. Não sabia eu no que me estava a meter. No princípio não havia nada mais adulto do que aquilo. Adorava ler os ditongos. Após a primeira hora comecei a arrepender-me e decidi contar a verdade. Grande problema. Ela não acreditou em mim e se acreditou fingiu que não, obrigando-me a aprender. Lembro-me vivamente de que a primeira palavra que li foi igreja. E soube tão bem depois daquele sacrifício todo. É possível uma criança aprender a ler num só fim-de-semana? Sim, é. Serviu-me de castigo e de lição. Nunca mais lhe menti e deixei de tentar ser adulta, porque lá no fundo adorava ser criança (e se pudesse ainda o era). Naquela altura, Playstation, Nintendo, iPod eram nomes que nem passavam pela nossa cabeça e agradeço por isso. Lembro-me de só ter uma Gameboy e nem era propriamente criança quando a recebi, pois já tinha 12 ou 13 anos. Para mim a nostalgia do cheirinho a cadernos e livros novos, da borracha bem branquinha e do lápis por afiar eram bem mais importantes do que o CD acabado de sair ou o novo modelo de telemóvel. À procura da fotografia para a Revista JA, encontrei fotografias com sorrisos desdentados ou com calças que rasgávamos propositadamente para podermos ter aqueles remendos que se colavam. Vejo que só somos crianças uma vez, por mais vezes que recordemos os tempos passados. A infância para mim foi única e infelizmente nunca mais volta. Era bom se o tempo parasse, pelo menos até que conseguisse jogar à cabra cega sem escoriações, até que o Fairy fizesse mais um escorrega, até que as minhas bonecas se fartassem de mim. Se podia viver sem a minha infância? Poder até podia, mas não seria a mesma coisa. Nathaly Oliveira Presidente da Comissão de Praxe 2011-2012
À conversa com Luísa Soares
Faço parte daquela pequena percentagem de professores da Universidade da Madeira que são os nativos da ilha. Que um dia saíram e outro dia decidiram voltar. Para mim olhar o horizonte desde criança não foi limitador. Pelo contrário, foi o princípio de uma pequena grande descoberta. Como nativa desta ilha maravilhosa e como retornada depois de uma longa temporada no Porto e em Barcelona, voltei às origens, e reparei que o mundo regional mudou… Existe uma Universidade nova, com um leque diversificado de professores, regionais, nacionais e estrangeiros, os jovens podem escolher um leque variado de percursos de formação. Em 1992, quando saí, não era assim… Agora é e ainda bem. No momento atual é preciso atrair os jovens do continente e do estrangeiro e fazer o processo ao contrário. Recebê-los, formá-los, integrá-los e deixá-los escolher: ficar ou voltar. Como um dia nos receberam. O mundo precisa de descobrir a Universidade da Madeira. Não cabemos todos no mesmo sítio, mas os diferentes e as diferenças serão bem-vindas. Gosto muito de trabalhar com os jovens desta ilha e não só me dá muito prazer ensinar–lhes conteúdos, mas também formá-los no verdadeiro sentido da palavra F-O-R-M-A-R. Na 6.ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, (sim é verdade, ainda me dá muito gosto consultar um grande dicionário de papel, em vez de ir ao Google), o significado é “dar forma a; organizar; constituir, armar; compor, imaginar; (…) descrever; imprimir qualidades; desenvolver-se; tomar forma (…). É isso que gosto de fazer. Formá-los para descobrirem eles próprios mais conteúdos que lhes permitirão ver o mundo de uma forma melhor. Gostaria que a nossa cultura incentivasse mais os jovens a saírem de casa dos pais e a fazer os estudos também fora da ilha, depois de passarem pela UMa. A formação hoje em dia não termina no 2.º Ciclo. Costumo dizer aos meus alunos “vão, mas voltem”. Preciso que me ajudem a ensinar às novas gerações que o horizonte não é o fim. É o princípio de uma pequena grande descoberta. Mais orgulho tenho naqueles madeirenses que vejo terem nascido cá, com gerações anteriores igualmente nascidas cá e conseguem quebrar o ciclo cultural e familiar e vão… perdem o medo de passar o horizonte que todos os dias vemos onde quer que estejamos na ilha. O amor e a amizade também são isso mesmo, tal como diz Mário Quintana, não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam, porque quando se torna em nó, já deixou de ser um laço! Não há sítio melhor para viver do que aqui. É único no mundo: demorar o tempo de uma música no rádio do carro a chegar ao trabalho. Depois de experimentar as horas de trânsito na via de cintura interna e a via norte do Porto, a CREL em Lisboa, ricos momentos de chegada ao trabalho….Por isso vão, mas voltem… a via rápida é tão mais agradável de se percorrer… A cultura madeirense incentiva muito as mulheres a estudarem na ilha. No meu tempo de decidir ficar ou ir para o continente e continuar os estudos a nível superior, estudar línguas, ser professora de inglês, ser guia turística era o mais incentivado, pelo menos na minha família. Assim não precisas de sair, ficas por aqui perto de nós. Cuidas dos pais quando forem velhinhos…. Não tinha queda para as línguas. Gostava de ouvir histórias. Gostava de ouvir os outros e fui aprender a ser psicóloga, ao contrário da expectativa familiar. Quando se experimenta a saída, a culpa pode ser avassaladora e quase inibidora de uma boa integração no mundo fora da madeira. Os madeirenses quando saem, tendem a juntar-se uns com os outros, em vez de procurarem fazer amigos de outras regiões do país. Isso diminui a sensação de isolamento que por vezes se sente. Conhecer pessoas de trás os montes, do Algarve, de Lisboa, do Porto, do entroncamento facilita a integração. Os sotaques são diferentes e isso é desde logo um bom desbloqueador de conversa, para os jovens mais tímidos. Os contextos das residências universitárias facilitam este intercâmbio de regiões e são muito ricos para o treino de competências sociais e no fortalecimento de laços sociais entre os jovens. Eu tive a sorte de experimentar a vivência de estudante numa residência universitária e foi uma experiência única, cheia de aventuras, de aprendizagens de criação de laços de amizade extraordinários. Na rua seguinte à minha residência universitária no Porto, havia uma outra residência universitária masculina. Nesta altura de estudante, em que nossa mente é maioritariamente comandada pelas hormonas, lembro-me que o meu namorado, membro da tal residência universitária masculina, fez-me uma declaração de amor em serenata a tocar viola, pela noite dentro e com todos os colegas da residência masculina em coro debaixo da minha varanda. Amei-o para sempre. Penso que só temos coragem para fazer isso aos 20 e poucos anos… Como dizia Carl Rogers “Um dia percebemos que não se pode prender pássaros nem corações e que, estar junto, não é estar ao lado, mas sim do lado de dentro.” Por isso vão em paz, aventurem-se no mundo fora daqui, porque estarão sempre do lado de dentro. Luísa Soares Professora Auxiliar do CCAH Directora de Curso de Psicologia 1.º Ciclo
Controlo da qualidade
Quem nunca ouviu falar em qualidade nos dias de hoje?! Qualidade é um termo cada vez mais frequente no nosso vocabulário, seja em termos de produto, serviço ou até de vida. Qualidade é todo um conjunto de procedimentos estabelecidos segundo normas, que permitem atingir os objectivos com mais eficácia e eficiência! Com o aparecimento de produtos com cada vez melhor qualidade, as pessoas adquiriram uma nova cultura e tornaram-se mais exigentes e sensíveis para pormenores anteriormente descurados. Quando falamos em pessoas, falamos também nas empresas que cada vez mais apostam na qualidade dos seus produtos ou serviços para satisfazer as necessidades dos clientes, reduzirem custos, aumentarem a produtividade e competitividade, melhorarem a imagem e prestígio, aumentarem a confiança dos funcionários e clientes, etc.. Podemos dizer que a qualidade é fundamental para a sobrevivência das empresas e o que temos visto é uma grande adesão na implementação de sistemas de gestão da qualidade nas suas organizações! Por isso, nós jovens estudantes, temos que nos preparar para estas novas exigências do mercado! É claro que a formação nesta área é muito cara mas hoje em dia é um grande investimento a nível profissional que podemos realizar! Existem várias entidades de formação que leccionam esta matéria e na Universidade da Madeira também está incluída nalguns cursos. Na maioria das entidades, os objectivos desta formação é estudar a metodologia conducente à implementação de Sistemas de Qualidade, sendo objecto de estudo as Normas ISO e o Sistema HACCP, entre outras. Tópicos complementares e específicos tais como a organização das empresas, a implementação dos sistemas de qualidade e o controlo de qualidade de processos e de produtos. A título pessoal dizemos-lhe que a formação na área da ‘Qualidade’, é muito gratificante e compensadora. Adquirimos um vasto conhecimento na área da Qualidade e através da elaboração de alguns trabalhos, passamos a ter a nossa 1.ª experiência prática no ramo. Consideramos que a formação na área de ‘Controlo da Qualidade’ é muito importante pois permite uma melhor preparação para o futuro profissional. Sílvia Lima Estudante da UMa