Em Bruxelas
A passagem pelo Ensino Superior é sem dúvida o marco principal na vida de um jovem. É uma fase tão completa a nível de vivências, de experiências, de conhecimentos e de expansão dos horizontes. Quando acabamos o Ensino Secundário é-nos apresentado um leque variado de opções e muitos são os caminhos que podemos escolher. Pode ser comparado a um restaurante onde é-nos apresentado um grande menu e ficamos sem saber o que escolher. A escolha daquele prato irá marcar a nossa experiência degustativa. Pois bem, a escolha do curso não é muito diferente. Ou calha-nos bem, ou não. Ciências da Educação (C.E.) – foi a minha opção, foi a minha escolha! No início não sabia muito bem ao que ia. Nunca se tinha falado muito do curso, nunca me tinham explicado ao certo quais as saídas profissionais… mas uma coisa é certa: era Educação. Era Educação a área que eu queria seguir. Conta-me a minha mãe que em criança quando me perguntavam o que queria ser quando fosse “grande” eu sempre respondia “professor”. Já com mais alguns anos, perguntavam-me “E professor de quê?” – Eis o meu dilema! Uma coisa era certa, eu queria ser professor, agora de quê, não sabia. O curso de C.E. veio resolver esse dilema. Deu-me oportunidade de conhecer todo o processo educativo e de estar inteirado do funcionamento e dos processos inerentes à Educação. Não seria professor, mas iria trabalhar numa área que sempre foi do meu interesse, a Educação. Setembro de 2011, foi a altura em que ingressei na UMa. Um ingresso que ficou marcado por experiências que guardo com o maior afinco. A minha vida académica foi vivida com muita intensidade. Sempre lutei por isso, sempre tive pessoas que me proporcionaram vivências aos mais diferentes níveis. Vivi a Praxe, vivi as iniciativas da AAUMa, vivi o curso, vivi a academia… vivi UMa vida! E 3 anos passaram, estava eu no Jardim Municipal a cortar orgulhosamente a minha fita e um mês depois, em Junho, acabaria a licenciatura. Tudo tinha passado! E agora?! Agora começava o verdadeiro desafio: a procura do emprego. Atenção que não era o primeiro emprego. Sempre trabalhei ao longo da minha formação académica, mas desta vez seria diferente. Havia uma licenciatura, havia todo um desejo de aplicar o que tinha sido adquirido ao longo de 3 anos, havia um desejo de passar da teoria à prática. Essa oportunidade surgiu! 1 de Setembro de 2014 estava eu a aterrar no aeroporto de Bruxelas. Haviam passado 3 meses do término da licenciatura. Tudo tão rápido. No dia 2 de Setembro estava eu a entrar no Parlamento Europeu. Um novo desafio chegaria até mim. Um trabalho numa grande (se não na maior) instituição europeia. Um ritmo diferente, acelerado… mas um trabalho que me agradava de todo. Um trabalho que exige muita investigação e dedicação. Este era e é o meu novo desafio nos próximos tempos. Se me perguntassem onde estaria eu depois da licenciatura, o último lugar que me ocorreria seria o Parlamento Europeu. Passaram 3 anos, mas as recordações não têm tempo e ficam para sempre guardadas na nossa vida. João Pedro Andrade Alumni
Uma Adoração dos Reis Magos com 4 reis…
Nesta a quadra do Natal chamamos a atenção para um dos quadros capela-mor da igreja do Colégio, recentemente exposto no Museu de Arte Sacra do Funchal. Esta pintura já nos havia alertado há cerca de 20 anos, mas entretanto, voltando ao seu lugar na capela-mor, a uma altura que dificulta a observação, ficou mais ou menos esquecida. Integrando a exposição dos 500 Anos da Diocese do Funchal, Madeira — Do Atlântico aos Confins da Terra, voltou a alertar-nos e a merecer uma visita com outros elementos, embora nem todos estejam de acordo para a questão dos reis magos. O quadro em questão, uma Epifania ou Adoração dos Reis Magos apresenta dois reis em primeiro plano, em princípio, os reis do Oriente e do Ocidente oferecendo ouro e incenso. Em segundo plano, um rei negro, ostentando também um presente, por certo mirra e um índio do Brasil, a par do mesmo e com uma coroa nas mãos. Ao lado uma figura jovem, sem relação com a cena central, por certo o encomendador. Os textos bíblicos não definem bem os “reis magos” e, inclusivamente se eram reis ou magos, apenas referindo o Evangelho de Mateus, que “entregaram suas ofertas: ouro, incenso e mirra”. A partir da Idade Média e com base no número de presentes, a Igreja Católica definiu a sua qualidade e, progressivamente, os nomes e as origens. Assim, Belchior, o mais velho, teria vindo de Ur, na Caldeia, representando o Ocidente; Gaspar, o mais novo, teria vindo de uma terra longínqua para além do Mar Cáspio, representando o Oriente e Baltazar, mais escuro, teria vindo do extremo da Arábia e representa, geralmente, a África. Com a descoberta de um novo continente, pontualmente, como no antigo retábulo da sé de Viseu, da oficina de Francisco Henriques e Grão Vasco, conjunto datável de 1501 a 1506, o rei Baltazar aparece como um índio do Brasil, havendo vários escritos alertando então que deveriam ser quatro os reis magos, como representantes dos vários continentes. Mais tarde, o grande orador jesuíta padre António Vieira, no Sermão da Epifânia, em 1661, em que pregou veementemente a liberdade dos negros e dos índios, lembra que da “maneira que a estrela dos Magos em dois anos trouxe a Cristo três homens, e as nossas em meio ano quatro nações”, algo necessitava de ser alterado. O quadro em questão da capela-mor do colégio do Funchal fez parte do legado de D. Helena de Bettencourt e Vasconcelos, que fora casada com António de Andrade da Silva, mas sem descendência e suas cunhadas D. Brites e D. Isabel da Silva, que não casaram, repousando as três sob aparatosa lápide sepulcral no centro da capela-mor da igreja do Colégio. O codicilo do testamento de D. Helena, que institui a capela-mor é de 1624, falecendo a doadora e as suas primas em 1626. Resta saber a quem teria pertencido o quadro em questão, que apresenta um doador trajando como caçador e com um enorme cão. A pintura, realizada por volta de 1560, poderá representar um dos avós das senhoras em questão ou ter sido comprado já assim. Rui Carita Professor da UMa
Classificação da investigação científica
Podemos definir a investigação como a atividade desenhada para produzir novo conhecimento científico ou usar esse conhecimento no melhoramento das práticas educativas. Mas como é que se pode classificar a investigação ou a produção do novo conhecimento científico? Vários autores apresentam diferentes classificações de investigação contudo, no essencial, as tipologias classificativas não diferem muito. Neste artigo vamos apresentar uma tipologia de classificação na área das ciências da educação mas que pode ser extensível às outras ciências sociais. Assim, a investigação pode ser classificada quanto ao método e quanto ao propósito. Quanto ao método, embora muitos trabalhos de investigação tenham aspetos em comum, apresentam um método ou estratégia específica. Isto, apesar de terem em comum, ao longo do seu itinerário as mesmas etapas: definição do problema, elaboração das questões de investigação, recolha de dados, análise dos dados e formulação das conclusões. As diferenças existentes entre eles são devidas ao método de investigação, pois cada um deles foi concebido para responder a uma determinada questão. De facto, podemos considerar cinco categorias de investigação quanto ao método: a) Investigação histórica; b) Investigação descritiva; c) Investigação correlacional; d) Investigação experimental; e, e) investigação causal comparativa. Quanto ao propósito, esta classificação baseia-se essencialmente na aplicabilidade dos resultados e no grau em que estes são generalizáveis à população em estudo. Ambos os critérios são função do controlo da investigação exercido durante a condução do estudo. Na verdade, podemos também considerar cinco categorias quanto ao propósito de investigação: a) Investigação básica. Tem como propósito desenvolver teoria e estabelecer princípios gerais. Aquela fornece a teoria relevante para a resolução de problemas sociais. b) Investigação aplicada. É conduzida com o propósito de aplicar ou testar a teoria e avaliar a sua utilidade na resolução de problemas sociais. c) Investigação em Avaliação. O Propósito é recolher e analisar dados com o fim de facilitar tomadas de decisão que digam respeito a duas ou mais ações alternativas. d) Investigação e Desenvolvimento. Pretende desenvolver produtos para serem utilizados com determinados fins e de acordo com especificações pormenorizadas. e) Investigação-ação. O propósito desta investigação é resolver problemas de caracter prático, através do emprego do método científico. A investigação é levada a cabo a partir da consideração da situação real. A sua principal finalidade é a resolução de um dado problema para o qual não há soluções baseadas na teoria previamente estabelecida. Quando desenvolvemos investigação científica (método de aquisição de conhecimentos que permite encontrar respostas para questões precisas) é assaz importante clarificar, para nós e para outros, o propósito da nossa pesquisa. Referências e sugestões de leitura: Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da investigação: Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta (pp. 209-244). Fortin, M. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusodidacta (pp. 3-24). Gay, L. (1981). Educational research: Competencies for analysis & application (2nd ed.). Ohio: Charles Merrill Publishing Company (pp. 142-271). António V. Bento Professor da UMa
Monumental Serenata
Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida Que as lágrimas do meu pranto São a luz que lhe dá vida. Milhares de versos escritos por diversos autores e que hoje são troados pelos cantores Coimbra e esta é uma das quadras que mais rapidamente vêm à mente de quem lembra este género musical português que em tudo está ligado aos estudantes. Não se sabe ao certo como surgiu o Fado ou Canção de Coimbra, mas de uma coisa se tem a certeza os seus autores eram estudantes universitários que usavam o género para fins diversos, tais como amorosos, lúdicos e financeiros. A palavra serenata, por seu lado, têm igual raiz latina que a palavra serão, período inicial da noite. Do ponto de vista musical, refere-se a qualquer pequena preparação musical destinada a ser apresentada num espaço exterior ao serão. Variando entre as que se destinavam a um instrumento ou a uma voz, até às que incluíam pequenas orquestras, as serenatas, sensu latu, eram muito populares entre a alta sociedade dos séculos XVII e XVIII, acabando por serem adoptadas pelos estudantes que pretendiam fazer as delícias de algum par de olhos bonitos, velados pelas sombras da noite. No século XIX, as serenatas estudantis fundiram-se na tradição dos grupos musicais estudantis, deixando a imagem original do estudante-cantor único. Já no século XX, mesmo com períodos de abandono da tradição, a serenata coimbrã evoluiu no sentido de colocar de parte a missão de corte a uma jovem mulher, alargando a temática das obras apresentadas até ao sentimento do próprio estudante, nascendo assim as baladas de despedida que passariam a ser dedicadas aos finalistas da Universidade, às escadas da velha Sé medieval, numa Serenata Monumental, no início da Semana Académica. Actualmente, a par de Coimbra, também Lisboa, Porto, Évora e outras academias têm as suas próprias serenatas monumentais como abertura das suas semanas académicas, no entanto, AAUMa deu a esta tradição uma importância própria, destacando a celebração do trabalho que realiza anualmente em prol dos estudantes madeirenses e do fado de Coimbra propriamente dito. Realizada em vários outros locais do Funchal, a Monumental Serenata Académica da Madeira voltou a encher o espaço do Pátio dos Estudantes do Colégio dos Jesuítas – reitoria da Universidade da Madeira, no dia 27 de Junho, pelas 21:00. O espectáculo contou com presença do Grupo de Fados da AAUMa, que apresentaram o seu primeiro trabalho discográfico. Com este espectáculo coroa-se o trabalho desenvolvido pelos Fatum e pela AAUMa na dinamização do Colégio dos Jesuítas. Se gosta de fado de Coimbra e não foi a última serenata, venha ao colégio no próximo dia 25 de Julho e disfrute do sarau mensal. Carlos Diogo Pereira Alumnus da UMa
O perigo das coligações
Nas últimas eleições autárquicas, a 29 de Setembro, assistiu-se em Portugal a um fenómeno nunca antes visto, multiplicando-se a existência de coligações candidatas aos órgãos locais. A Madeira terá sido, porventura, a região do país onde se pode observar com maior intensidade a panóplia de coligações que surgiu ao longo do processo que culminou no dia das eleições. Não só no poder local se fazem coligações. Os destinos da nação estão nas mãos de uma coligação entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP). Na sequência das últimas eleições legislativas, foi necessário recorrer-se a esta coligação para assegurar a governabilidade de Portugal. Também nas eleições europeias, que tiveram lugar recentemente, se fizeram várias coligações, sendo a mais sonante a que juntou os dois partidos do Governo. Na política costuma dizer-se que nem sempre um mais um é igual a dois, e foi precisamente isso que se verificou nas eleições europeias. Um dos perigos de se aliar a outro partido, é que se pode perder o eleitorado que não se reveja nessa sinergia. O resultado eleitoral da Aliança Portugal foi menor do que a soma dos resultados eleitorais passados do PSD e do CDS-PP. Outro problema, que abalou durante algum tempo o país, foi a novela da demissão “irrevogável” do agora Vice-Primeiro-Ministro. A verdade é que uma coligação assenta sempre na figura de dois líderes, geralmente carismáticos. Com o anúncio da sua demissão, Paulo Portas deitou por terra do muito trabalho que tinha vindo a ser feito até àquela altura. Embora tudo se tenha resolvido, se isto acontecesse com um só partido no poder, a situação resolver-se-ia muito mais rapidamente. Também pode-se escalpelizar, ao pormenor, o que se está a passar na capital madeirense: o Funchal, onde a coligação Mudança se candidatou aos órgãos de poder local. Esta coligação integrou diversos partidos, com ideologias políticas dos mais variados sectores. Conseguiu obter uma estrondosa vitória, ganhando a maior câmara da nossa região e destronando uma liderança até então intocável do PSD. Os problemas surgiram com poucos meses de liderança de Paulo Cafôfo, pois depressa as diferentes posições sobre matérias fulcrais na boa condução dos destinos da cidade geraram uma fratura no executivo camarário. Muitos departamentos do município pararam totalmente, outros parcialmente, por toda esta problemática. Mas nem só de aspectos negativos se fazem as coligações. Elas são, por vezes, essenciais, sendo exemplo disso necessidade de governabilidade da República surgida das últimas legislativas. Tendo em conta a situação económica em que Portugal se encontrava, seria gravíssimo não se conseguir encontrar uma solução que permitisse ao Estado funcionar. Outro fenómeno recente foi o surgimento de figuras independentes na liderança das coligações, entendido como vínculo directo ao eleitorado, algo que falta no país. Em suma, é sempre necessário medir os prós e os contras, para ter uma noção da proficuidade, ou não, de determinada coligação. Maurício Ornelas
A moda dos… “detox”
Numa altura em que muito se ouvem proclamar as vantagens dos sumos “detox” argumentando a sua ação dita desintoxicante do organismo, questiono-me a razão porque se têm esquecido de tantas outras formas de desintoxicação, e bem antigas, como é o caso da sopa? Não é rica em vegetais? Não é rica em vitaminas, minerais e nos tão famosos antioxidantes? Enfim, parece-me que têm prevalecido as modas, ou melhor, algumas formas de marketing. Contudo, também há que admitir, que estes sumos parecem ser a única forma de muitos consumirem vegetais e fruta. Então que assim seja, mas é importante que sejam utilizados de uma forma supervisionada, onde são alternados com outros alimentos. Parece-me então não ser sensato, nem equilibrado, passar o dia a beber sumos, mesmo que alguns até sejam saudáveis, mas que não tornam a alimentação diária completa. O mais equilibrado será optarmos por uma alimentação baseada em alimentos de todos os grupos alimentares, portanto completa, e onde haja lugar para as diferentes formas de consumir os alimentos, desde os líquidos até aos sólidos. Convém ainda alertar, principalmente para aqueles que optam por estes sumos “detox” para perder peso, pois muitos deles até são muito calóricos… Não se deixe enganar! Bruno Sousa Nutricionista
As alterações no Ensino
Recentemente, novas alterações foram realizadas ao Ensino português. De que forma se reflectem na forma de acção dos professores e dos próprios estudantes? Ao longo da nossa vida como estudantes, vamos construindo o que pretendemos ser e exercer no futuro. A escolha, por exemplo, em ser professor é deve ser baseada muito mais do que na ambição de possuir uma licenciatura ou um mestrado. Sabemos que muitas pessoas estão na profissão errada e, infelizmente para muitos, ser professor, não foi a melhor escolha. Para além das competências académicas, um professor precisa de ter outras competências que o levem a ser um profissional notável. Saber ensinar e ter o máximo de conhecimentos na matéria é fundamental nesta profissão, mas também é necessário saber-se ser e saber transmiti-lo e à sua ciência ao público que o ouvirá o resto da vida. É comentável a forma como é feita a avaliação das premissas anteriores. Pelo que qualquer professor deverá perguntar: será que novas mudanças técnico-políticas ajudam a clarificá-las? O ingresso no Ensino Superior, na área do Ensino, torna-se menos fácil e faz com que muitos recuem na decisão. O que é preciso então, a partir de agora, para dar aulas? Foram publicadas, em Diário da República, no decreto-lei n.º79/2014 a 14 de Maio, as novas regras que definem as habilitações profissionais para poder dar aulas. A partir do ano lectivo 2015/2016, os ciclos de estudos que permitem habilitações para a docência devem ser cumpridos de acordo com as novas regras, que incidem na habilitação profissional para a docência na educação Pré-Escolar e nos ensinos Básico e Secundário e a duração dos ciclos de estudo. De igual forma, a nova legislação finda os mestrados que não têm acesso à docência, tornando a oferta formativa do Ensino Superior mais transparente e profissionalizante. A duração dos mestrados, aumenta para os três semestres nos mestrados em Educação Pré-Escolar e em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e, nos mestrados conjuntos em Educação Pré-escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico a para os quatro semestres. O diploma procede também, por exemplo, ao desdobramento do mestrado em Ensino do 1.º Ciclo e do 2.º Ciclo do Ensino Básico separando a formação de docentes do 2.º Ciclo de Português, História e Geografia de Portugal da formação de docentes do 2.º Ciclo em Matemática e Ciências Naturais, com vista a “reforçar a formação na área da docência”. O objectivo é “ter nas escolas os [professores] mais bem preparados, mais bem treinados, mais vocacionados e mais motivados para desenvolver a nobre e exigente tarefa de ensinar”, lê-se no documento. Introduzem-se mecanismos de fixação das vagas para os ciclos de estudos de licenciatura em Educação Básica e de mestrado em Educação Pré-Escolar e em Ensino, que visam “assegurar um melhor ajustamento entre a oferta de formação e as necessidades efectivas do sistema educativo.” Aguardemos, então, que haja um melhoramento no Ensino em Portugal. Cristina Teixeira
Ser voluntário
“Somente aqueles que aprenderam o poder da contribuição sincera e altruísta experimentam a alegria mais profunda da vida: a verdadeira realização.” (Anthony Robbins) Voluntário é a pessoa que realiza determinada acção de livre e espontânea vontade sem recebimento de qualquer remuneração ou lucro. É uma profissão de prestígio, visto que o voluntário ajuda quem precisa, contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário. As vantagens: Poder contactar com animais directa ou indirectamente ajudando-os e melhorando a sua qualidade de vida, conhecer pessoas com os mesmos interesses e gostos, melhorar o currículo social, desenvolver actividades novas fora da rotina e trazer-nos bem-estar, ao sentirmo-nos úteis. A SPAD aceita voluntários, com idade igual ou superior a 16 anos, que queiram prestar a sua colaboração gratuita. Para tal, é necessário preencher um formulário de proposta que deverá ser entregue nos nossos serviços administrativos, na Rua do Matadouro 10-A, no piso -1, entre as 11:00 e as 18:00, de Segunda a Sexta-feira. Dentro das actividades de voluntariado, existe um programa especial denominado “CIRCULA-CÃO”, que consiste em passear cães ao cuidado da SPAD, indicados pelos nossos serviços, melhorando o seu bem-estar e qualidade de vida. O projecto está também aberto a crianças desde que acompanhadas por um adulto. Os voluntários também podem colaborar, participando em campanhas de adopção ou de angariação de fundos e alimentos. “Não basta ter compaixão, é preciso agir.” (Paramahansa Yogananda) Raquel Estudante Directora Clínica
Ensino de português aos estrangeiros
Vim para Madeira em Fevereiro através do programa de Serviço Voluntário Europeu e estou a colaborar na Associação de Académica da Universidade da Madeira. Dentro do meu programa incluem-se as aulas de português. Estou no nível B2 e ao longo destes quatro meses tenho tido a oportunidade de estudar uma nova língua e aprender uma cultura diferente. Através da minha experiência, posso comprovar que cada língua é única e tem as suas próprias dificuldades. Como estudante espanhola em processo de aprendizagem, apesar das parecenças idiomáticas, da proximidade territorial e por ambos os idiomas serem classificados como línguas românicas, encontrei muitas. Uma das coisas que mais me têm perguntado quando conto que estou vivendo na Madeira é se falo português e quase de forma automática perguntam: “O português é um idioma fácil não? Não te custa muito a aprender.” A minha resposta é sempre a mesma: “Sim, o português é um idioma fácil para um hispano-falante porque existem muitas similaridades tanto a nível gramatical como ao nível de vocabulário, mas sem dúvida alguma que para aprendê-lo há que estudá-lo, e sair para a Zona Velha para tomar uma bica e uma cerveja não é suficiente!”. Na verdade, tenho que reconhecer que muitas vezes os espanhóis pensam que como são idiomas parecidos, “se nos entiende”, não há problema. Na maioria das vezes não nos esforçamos por falar em português e este é o erro mais grave porque, lá por nos entenderem, não significa que estejamos a falar bem. Comunicar correctamente é outra coisa, há que estudar os verbos, conhecer a gramática, aprender vocabulário, que praticar a pronunciação. O espanhol e o português são muito parecidos mas precisamente por isso é muito fácil cair no erro do “portunhol”: um dos enganos consiste em falar espanhol apenas trocando as palavras que terminam em “-ción” por “-ção” e as que terminam em “-dad” por “-dade”. E assim se cai no erro dos falsos amigos. Essas palavras que são iguais em português e em espanhol mas significam coisas distintas, as vezes opostas. Mas o maior problema não é o que resulta da aplicação dessas palavras enganosas. Nós espanhóis temos enormes problemas com a “pronunciación”, não apenas em português mas sim no geral, em qualquer idioma. Custa-nos muito distinguir, por exemplo, entre as vogais surdas e sonoras; entre os “esses” e os “zês”, os “vês” e os “bês”, entre as cordas vocais abertas e fechadas. E alguns de nós ainda têm problemas em pronunciar as vogais nasais, tão usadas no português. E se a isso juntarmos o facto de os portugueses terem uma capacidade sobre-humana para comer vogais e falar sem abrir a boca, o português já não parece assim tão fácil. Acho que todos os que estão a aprender uma nova língua encontram dificuldades. Todos fazemos muitos erros mas não temos de sentir vergonha disso, é a maneira de aprender, em qualquer parte do mundo. Assim, como diriam os meus colegas portugueses, força! Mayka Rubio Voluntária Espanhola na Académica da Madeira
A primeira Diocese Global História, Cultura e Espiritualidade
REDESCOBRIR A MADEIRA O CLEPUL (Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa da Universidade de Lisboa), a Universidade da Madeira através do seu polo do mesmo Centro, com a colaboração das demais instituições regionais, como a própria Diocese do Funchal, o Centro de Estudos de História do Atlântico, etc., vão levar a efeito em setembro deste ano um congresso internacional que reunirá algumas centenas de investigadores das várias áreas da História, Cultura e Espiritualidade, tendo como pano central os 500 anos da Diocese. A Diocese do Funchal foi criada numa época económica e culturalmente especialmente próspera para Portugal e para a Europa, pelo que a nova diocese confluiu o que de melhor artisticamente se produzia no continente europeu, salvaguardando as dimensões da ilha, claro. Esta situação mantém-se até aos nossos dias, mediante a continuidade da ideia de centro internacional de comércio e de negócios, depois ainda associado a espaço de turismo e de lazer internacionais. Primeira diocese dos descobrimentos portugueses, foi ainda durante algumas décadas arquidiocese, no seio da qual surgiram as dioceses dos Açores, de Cabo Verde, de São Tomé, da Bahia (no Brasil) e de Goa (na Índia). O património edificado religioso do espaço madeirense segue, em linhas gerais, os padrões vigentes no continente português, com pequenas adaptações locais, mas com um interessante espírito de salvaguarda de património, que permitiu, por exemplo, a manutenção do maior conjunto de tetos de inspiração mudéjar e o único conjunto manuelino de equipamento da capela-mor de uma sé, ainda no seu local e com a articulação original. O mesmo se passou com o património móvel, onde se conseguiu salvaguardar um muito interessante espólio de pintura, escultura e alfaias religiosas de cariz flamengo, também um importantíssimo conjunto de alfaias de prata, parte das quais de produção local, mas não só, tal como de retábulos de talha dourada e outro equipamento litúrgico. A Região Autónoma da Madeira viveu nas últimas décadas um excecional surto de construção e de desenvolvimento geral, por ventura, o mais acelerado da sua História e que poderia ter tido um complexo impacto no património religioso edificado, muito do qual já fora do contexto para que foi construído. Entretanto, uma excecional, consciente e avisada articulação entre a Diocese e a Região permitiram uma campanha de reabilitação verdadeiramente notável, mas que só o tempo poderá julgar. No entanto, os contínuos pedidos nos últimos anos para a presença em eventos internacionais vários de peças do património religioso madeirense, algumas das quais apresentadas como cabeças-de-cartaz, indiciam já o absoluto reconhecimento do trabalho levado a efeito. Por estes e outros motivos, espera-se a presença no Funchal de várias centenas de investigadores das áreas em questão e a absoluta projeção deste evento. Rui Carita Professor da UMa