O perigo das coligações

Nas últimas eleições autárquicas, a 29 de Setembro, assistiu-se em Portugal a um fenómeno nunca antes visto, multiplicando-se a existência de coligações candidatas aos órgãos locais. A Madeira terá sido, porventura, a região do país onde se pode observar com maior intensidade a panóplia de coligações que surgiu ao longo do processo que culminou no dia das eleições.

Não só no poder local se fazem coligações. Os destinos da nação estão nas mãos de uma coligação entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP). Na sequência das últimas eleições legislativas, foi necessário recorrer-se a esta coligação para assegurar a governabilidade de Portugal. Também nas eleições europeias, que tiveram lugar recentemente, se fizeram várias coligações, sendo a mais sonante a que juntou os dois partidos do Governo.

Na política costuma dizer-se que nem sempre um mais um é igual a dois, e foi precisamente isso que se verificou nas eleições europeias. Um dos perigos de se aliar a outro partido, é que se pode perder o eleitorado que não se reveja nessa sinergia. O resultado eleitoral da Aliança Portugal foi menor do que a soma dos resultados eleitorais passados do PSD e do CDS-PP. Outro problema, que abalou durante algum tempo o país, foi a novela da demissão “irrevogável” do agora Vice-Primeiro-Ministro. A verdade é que uma coligação assenta sempre na figura de dois líderes, geralmente carismáticos. Com o anúncio da sua demissão, Paulo Portas deitou por terra do muito trabalho que tinha vindo a ser feito até àquela altura. Embora tudo se tenha resolvido, se isto acontecesse com um só partido no poder, a situação resolver-se-ia muito mais rapidamente.

Também pode-se escalpelizar, ao pormenor, o que se está a passar na capital madeirense: o Funchal, onde a coligação Mudança se candidatou aos órgãos de poder local. Esta coligação integrou diversos partidos, com ideologias políticas dos mais variados sectores. Conseguiu obter uma estrondosa vitória, ganhando a maior câmara da nossa região e destronando uma liderança até então intocável do PSD. Os problemas surgiram com poucos meses de liderança de Paulo Cafôfo, pois depressa as diferentes posições sobre matérias fulcrais na boa condução dos destinos da cidade geraram uma fratura no executivo camarário. Muitos departamentos do município pararam totalmente, outros parcialmente, por toda esta problemática.

Mas nem só de aspectos negativos se fazem as coligações. Elas são, por vezes, essenciais, sendo exemplo disso necessidade de governabilidade da República surgida das últimas legislativas. Tendo em conta a situação económica em que Portugal se encontrava, seria gravíssimo não se conseguir encontrar uma solução que permitisse ao Estado funcionar. Outro fenómeno recente foi o surgimento de figuras independentes na liderança das coligações, entendido como vínculo directo ao eleitorado, algo que falta no país.

Em suma, é sempre necessário medir os prós e os contras, para ter uma noção da proficuidade, ou não, de determinada coligação.

Maurício Ornelas

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