Jardinismo: 40 anos na cadeira do poder

“Sonhou com um futuro próspero e sustentável para a terra que o viu nascer. Esse sonho realizou-se, mas trouxe consigo consequências danosas para a economia da Região e para a vida da população.”

Alberto João Jardim foi e continua a ser uma das personalidades mais marcantes da Madeira. Durante os 40 anos do Jardinismo, foram muitas as polémicas que rodearam o Presidente do Governo Regional que agora cessou funções e que foi o grande responsável pelo desenvolvimento do Arquipélago.

Jardim licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Concluído o seu estágio profissional e iniciou a sua carreira na Função Pública como Director do Centro de Formação Profissional da Madeira. Esteve ligado ao jornalismo fora da Madeira, inclusive nas comunidades portuguesas internacionais. Na política, foi co-fundador do PSD-Madeira, Vice-Presidente do Partido Popular Europeu e, claro, Presidente do Governo Regional da Madeira desde 1978.

Após o 25 de abril, foi um dos grandes defensores da autonomia política do Arquipélago, com direito a eleger órgão legislativo e executivo próprios. Já na chefia do Governo Regional, impulsionou uma grande reforma na região, apostando, sobretudo, na construção de novas infraestruturas e melhoramento das antigas por todo o território. Sonhou com um futuro próspero e sustentável para a terra que o viu nascer. Esse sonho realizou-se, mas trouxe consigo consequências danosas para a economia da Região e para a vida da população.

Independentemente da importância atribuída à sua obra, o retorno conseguido pesado no investimento feito levou a um estado periclitante das contas públicas da Madeira, com obras inacabadas ou degradadas por falta de verbas para a sua manutenção. Com o tempo surge uma imagem pública algo desgastada de líder populista e gastador de opiniões controversas, ditas de forma por vezes grosseira. Com um eleitorado de exigências diferentes das do passado, estas características que lhe valeram grande popularidade no passado, mais que prejudicam a sua imagem actual, que beneficiam.

À semelhança do seu próprio comportamento, Alberto João Jardim incita, ainda hoje, paixões antagónicas, mesmo dentro do partido que liderou durante décadas. É discutível o valor da sua obra, mas indiscutível é, e sempre será, a sua marca na Madeira.

Miguel Andrade
Aluno da UMa

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