David Marçal, bioquímico e divulgador de ciência, assinou, no final de 2024, um ensaio crítico intitulado “O regresso à Casa Branca de um inimigo da democracia e da ciência”. Publicado no jornal Público, David Marçal analisa o impacto da reeleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, sublinhando o seu histórico de declarações anticientíficas e atitudes que desafiam os valores democráticos.
O investigador relembra episódios emblemáticos do primeiro mandato de Trump, como a rejeição de evidências científicas sobre alterações climáticas e vacinas. Segundo o autor, “Trump chegou a insinuar que vacinas poderiam causar autismo, promovendo teorias desacreditadas. Paralelamente, tratou a pandemia de COVID-19 com desdém, recomendando terapias sem fundamento científico, como a hidroxicloroquina, e sugerindo, numa ocasião, injecções de desinfetante como tratamento”.
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A crítica vai além do campo científico. Para David Marçal, “há paralelismos claros entre a negação de resultados eleitorais, como os de 2020, e a rejeição de consensos científicos. Ambos revelam uma desconsideração pelas instituições e pelos processos que sustentam a democracia e o conhecimento. Estas posturas fragilizam o tecido social e contribuem para a desinformação massiva.”
O ensaio recorda ainda momentos caricatos que ilustram o egocentrismo e o desprezo de Trump pela ciência, como o seu desagrado com a proibição de CFCs nas lacas para cabelo. “Este episódio, usado como símbolo no texto, espelha a prioridade que Trump dá a interesses pessoais em detrimento de questões globais, como a preservação da camada de ozono”.
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Para o próximo mandato, David Marçal destaca nomeações preocupantes, incluindo Robert F. Kennedy Jr., conhecido pelas suas posições antivacinas, como secretário da Saúde. “Este cenário é agravado por outros elementos pseudocientíficos escolhidos para a Administração, o que prenuncia tempos desafiantes para a ciência e a política global”.
David Marçal conclui com uma reflexão sombria: “A insistência de Trump em ‘factos alternativos’ não contribui para tornar os EUA ‘maiores outra vez’, mas, pelo contrário, ameaça o progresso científico e a saúde democrática. A história já demonstrou que minar estas bases apenas resulta em retrocessos”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Jose M.
