Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

Marcelo promulga mudanças no acesso ao ensino superior com reservas

Marcelo promulga mudanças no acesso ao ensino superior com reservas

O Presidente da República deu luz verde às novas regras de acesso ao ensino superior, mas alertou para o risco de uma aplicação excessivamente permissiva por parte das instituições.

Apesar de assumir preocupação com os efeitos práticos da medida, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou as alterações ao regime de acesso ao ensino superior aprovadas pelo Governo, segundo avançou o PÚBLICO. O diploma reduz o número mínimo de provas de ingresso exigidas aos candidatos, devolvendo às instituições maior margem de decisão sobre quantos exames pedir e quais considerar relevantes para cada curso.

Na nota divulgada pela Presidência, Marcelo alertou para o perigo de um entendimento “minimalista e facilitista” das novas regras, sublinhando que a flexibilidade agora concedida pode levar algumas instituições a baixar excessivamente a exigência. A apreensão do Presidente prende-se com a possibilidade de se repetir o cenário de anos anteriores, em que a maioria dos cursos optou por exigir apenas uma prova de ingresso, uma tendência já verificada antes do reforço da exigência introduzido em 2025.

A imposição de duas provas de ingresso em 2025 esteve associada a uma quebra significativa no número de estudantes colocados, sobretudo em instituições do interior. Simulações do Ministério da Educação indicam que, caso se tivesse mantido a possibilidade de apenas uma prova, teriam sido registadas cerca de 2800 colocações adicionais na primeira fase do concurso nacional de acesso.

O Governo defende que a alteração agora promulgada visa “reforçar a flexibilidade do sistema” e responder às dificuldades sentidas por várias instituições, sem mexer nos restantes pilares da reforma de 2023, como o peso mínimo da classificação do ensino secundário ou a obrigatoriedade de três exames nacionais para a sua conclusão. Ainda assim, o debate em torno do equilíbrio entre acesso, exigência e qualidade volta a ganhar centralidade, num contexto em que as decisões das instituições serão determinantes para o impacto real destas mudanças no sistema.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bruce Mars.

Palavras-chave