Vários novos doutorandos cuja bolsa foi aprovada no concurso anual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) continuam, meses depois, sem contrato assinado e sem qualquer pagamento efetuado. As queixas têm sido reiteradas pelas associações representativas, que alertam para a falta de informação clara e para a incerteza em que se encontram investigadores em início de carreira, dependentes em exclusivo deste financiamento para desenvolverem os seus projetos.
De acordo com declarações recolhidas pelo PÚBLICO, a ausência de contrato impede a execução plena dos planos de trabalho apresentados a concurso, afetando atividades essenciais como trabalho de campo, deslocações ou acesso a recursos científicos. Como as bolsas são atribuídas em regime de exclusividade, os atrasos no pagamento empurram muitos doutorandos para situações de fragilidade financeira, obrigando-os a recorrer a poupanças pessoais ou ao apoio familiar para suportar despesas básicas.
Digitalizar os exames exige corrigir o processo
Carlos Louro defende que os problemas registados este ano na classificação dos exames não devem travar a digitalização do sistema, mas antes servir para aperfeiçoar o modelo.
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O problema é agravado pelo novo modelo de contratualização, em que a responsabilidade passou da FCT para as instituições contratantes, como universidades ou entidades públicas. Segundo a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, citada pelo PÚBLICO, muitas destas instituições não dispõem de recursos humanos suficientes para gerir atempadamente os processos, criando uma nova camada de obstáculos burocráticos e prolongando o tempo de espera dos bolseiros.
Apesar dos alertas feitos ainda antes da abertura do concurso, a situação mantém-se sem resposta eficaz. O PÚBLICO refere que a FCT foi questionada sobre estes atrasos, mas não apresentou esclarecimentos públicos até ao momento. Para os representantes dos doutorandos, o cenário atual traduz-se num “vazio” de financiamento e previsibilidade, que compromete não só o percurso individual dos investigadores, mas também a capacidade do sistema científico em assegurar condições mínimas para o desenvolvimento da investigação em Portugal.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de NCI.
