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Atrasos na contratualização deixam novos doutorandos em suspenso

Atrasos na contratualização deixam novos doutorandos em suspenso

Novos bolseiros de doutoramento denunciam atrasos prolongados na contratualização das bolsas da FCT, situação que está a comprometer projetos científicos e a agravar a precariedade no início da carreira académica.
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Vários novos doutorandos cuja bolsa foi aprovada no concurso anual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) continuam, meses depois, sem contrato assinado e sem qualquer pagamento efetuado. As queixas têm sido reiteradas pelas associações representativas, que alertam para a falta de informação clara e para a incerteza em que se encontram investigadores em início de carreira, dependentes em exclusivo deste financiamento para desenvolverem os seus projetos.

De acordo com declarações recolhidas pelo PÚBLICO, a ausência de contrato impede a execução plena dos planos de trabalho apresentados a concurso, afetando atividades essenciais como trabalho de campo, deslocações ou acesso a recursos científicos. Como as bolsas são atribuídas em regime de exclusividade, os atrasos no pagamento empurram muitos doutorandos para situações de fragilidade financeira, obrigando-os a recorrer a poupanças pessoais ou ao apoio familiar para suportar despesas básicas.

O problema é agravado pelo novo modelo de contratualização, em que a responsabilidade passou da FCT para as instituições contratantes, como universidades ou entidades públicas. Segundo a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, citada pelo PÚBLICO, muitas destas instituições não dispõem de recursos humanos suficientes para gerir atempadamente os processos, criando uma nova camada de obstáculos burocráticos e prolongando o tempo de espera dos bolseiros.

Apesar dos alertas feitos ainda antes da abertura do concurso, a situação mantém-se sem resposta eficaz. O PÚBLICO refere que a FCT foi questionada sobre estes atrasos, mas não apresentou esclarecimentos públicos até ao momento. Para os representantes dos doutorandos, o cenário atual traduz-se num “vazio” de financiamento e previsibilidade, que compromete não só o percurso individual dos investigadores, mas também a capacidade do sistema científico em assegurar condições mínimas para o desenvolvimento da investigação em Portugal.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de NCI.

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