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Medicina no Porto continua a dividir candidatos e universidade

Medicina no Porto continua a dividir candidatos e universidade

Após uma decisão desfavorável em tribunal, os candidatos excluídos do concurso especial de Medicina na Universidade do Porto anunciam novo recurso, mantendo aberta uma polémica que cruza legalidade, autonomia universitária e acesso ao ensino superior.
Unidade de Saúde na África do Sul.

O impasse em torno do concurso especial de acesso ao curso de Medicina na Universidade do Porto conheceu um novo capítulo, depois de o Tribunal Administrativo do Porto ter dado razão à Reitoria, rejeitando a ação interposta por 30 candidatos excluídos. Em causa está a decisão de não homologar a lista de colocados elaborada pela Faculdade de Medicina, após a comissão de seleção ter decidido baixar, já depois da prova realizada, a nota mínima exigida de 14 para 10 valores.

No entendimento do tribunal, a alteração dos critérios de acesso violou o regulamento do concurso, não podendo as regras ser modificadas a meio do processo, mesmo quando os candidatos já tinham sido notificados da sua admissão. A decisão sublinha que a homologação final dos resultados é uma competência exclusiva do reitor e que qualquer exceção colocaria em causa os princípios da legalidade e da igualdade entre concorrentes.

Os argumentos apresentados pelos candidatos, que invocavam uma expectativa legítima de ingresso no curso e casos ocorridos em anos anteriores, foram afastados pelo tribunal. A comparação com situações passadas, nomeadamente um episódio de 2019, não foi considerada aplicável ao atual enquadramento jurídico, reforçando a ideia de que cada concurso deve ser analisado à luz das regras em vigor no momento da sua realização.

Apesar da decisão judicial, os candidatos anunciaram a intenção de recorrer para instâncias superiores, prolongando uma controvérsia que ultrapassa o plano jurídico e tem alimentado o debate público. O caso levanta questões centrais sobre a gestão dos concursos especiais, os limites da autonomia universitária e a necessidade de regras claras e estáveis num dos acessos mais disputados do ensino superior português.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Hush Naidoo Jade.

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