Os cortes orçamentais impostos pela administração Trump afetaram drasticamente os esforços globais de combate a doenças infecciosas, comprometendo o acesso a tratamentos e medidas preventivas. Durante décadas, os Estados Unidos foram um dos principais financiadores de programas de saúde pública, garantindo apoio à investigação, fornecimento de medicamentos e assistência em surtos epidémicos. No entanto, a redução abrupta do financiamento da USAID levou à suspensão de projetos essenciais, como ensaios clínicos para vacinas contra o VIH e iniciativas de vigilância epidemiológica. Esta mudança já está a ter repercussões, especialmente em países com sistemas de saúde frágeis, onde a resposta a doenças como a tuberculose e a mpox tem sido prejudicada.
A decisão de cortar 83% dos projetos da USAID significa que milhares de profissionais de saúde foram dispensados e que serviços fundamentais deixaram de ser assegurados. No Haiti, por exemplo, quase 70% dos centros de tratamento de VIH encerraram, deixando milhares de pacientes sem acesso a medicação. Na África Subsaariana, onde os EUA desempenhavam um papel vital na prevenção da transmissão do VIH, muitas clínicas ficaram sem recursos para continuar os programas. Além disso, a interrupção no transporte de amostras para análise laboratorial tem dificultado a deteção precoce de surtos, aumentando o risco de propagação de doenças.

Há discursos que são para sempre…
Todas as pessoas têm um sonho (Martin Luther King), muitas acreditam que conseguem concretizá-lo (Barack Obama) e poucas os substituiriam por uma tarde com Sócrates (filósofo) (Steve Jobs). “Chegou o

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Nos Estados Unidos, as consequências destes cortes também já se fazem sentir. O surto de sarampo, que levou à morte de pessoas não vacinadas, e a preocupação crescente com a gripe das aves são sinais de uma resposta fragilizada à saúde pública. Nomeado para a pasta da Saúde, Robert F. Kennedy Jr. tem gerado controvérsia ao adotar um discurso ambíguo sobre vacinação, misturando recomendações com desinformação. A redução de 5000 funcionários nos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americanos compromete ainda mais a capacidade de monitorizar e conter novas ameaças.
A nível global, especialistas alertam para os perigos do isolacionismo dos EUA no combate às doenças infecciosas. A partilha de dados científicos tem sido dificultada, prejudicando a cooperação internacional na resposta a epidemias. O financiamento da investigação sobre Alzheimer, por exemplo, foi suspenso, colocando em risco avanços médicos importantes. Num mundo onde a rápida circulação de pessoas e bens pode acelerar a disseminação de vírus, cortar o financiamento à ciência e à saúde pública representa não apenas um risco imediato para os países mais pobres, mas também uma ameaça para a segurança sanitária global.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Mason Hassoun.