A Associação Académica da Universidade de Lisboa veio a público criticar a proposta do Governo para o novo regime jurídico das instituições de ensino superior, por considerar que esta reduz de forma preocupante a representatividade estudantil. Em causa está a diminuição do peso dos estudantes na eleição do reitor, fixando-o num mínimo de 10%, o que representa uma quebra de dez pontos percentuais face à proposta anterior. Para a estrutura estudantil, esta medida fragiliza a participação democrática dos alunos na vida universitária, perpetuando um modelo que marginaliza o seu contributo nos processos de decisão.
A endogamia universitária e a autonomia das instituições
Joaquim Pinheiro, do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, escreve sobre a endogamia universitária e a autonomia das instituições de ensino superior.
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José Ferreira Gomes reflete sobre a eleição do novo chanceler de Oxford e compara modelos de governança universitária, defendendo reformas democráticas
Gonçalo Osório de Castro, presidente da AAUL, reconhece que a introdução de patamares mínimos para todos os corpos eleitorais é, em si, positiva, mas alerta que, no caso dos estudantes, esse mínimo é manifestamente insuficiente. O dirigente teme que as instituições optem pelo mínimo legal, o que resultaria numa representatividade simbólica e sem influência real. A associação lembra ainda que as alterações propostas contrastam com o espírito do anteprojecto anteriormente apresentado, que havia merecido uma recepção mais favorável por parte do movimento estudantil. Na próxima terça-feira, representantes das associações académicas estarão reunidos com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação para defender uma revisão mais ambiciosa e inclusiva da lei.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Diana Quintela.