Lisboa continua a monopolizar grandes eventos e obras, incluindo aquelas de cooperação internacional. Em 2022, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que a cidade possui “um potencial enorme para o investimento e que cuida dos seus investidores”. O Expresso destacou um estudo que ilustra que “Portugal é um dos países mais centralizados da OCDE”, com a Área Metropolitana de Lisboa a concentrar uma parcela significativa das compras públicas e das vendas ao Estado, evidenciando um desequilíbrio na distribuição de recursos pelo país.
Apesar de várias cidades no país terem potencial para acolher iniciativas relevantes, a capital recebe sistematicamente projetos deste género. Não é exceção a representação da Fiocruz em Portugal, um importante marco na cooperação luso-brasileira que será formalizado na próxima cimeira, segundo o Público.
A Fiocruz, considerada a maior instituição de saúde do Brasil, está a caminho de estabelecer dois espaços em Lisboa, um na Embaixada do Brasil e outro na Casa Brasil. Segundo Mário Moreira, presidente da fundação, os quadros na embaixada irão focar-se na diplomacia em saúde, enquanto a equipa na Casa Brasil trabalhará nas relações tecnológicas e industriais com os sistemas científico e tecnológico português e europeu.
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Esta iniciativa dá seguimento a um acordo assinado em 2023 entre a fundação brasileira e o governo português. Contudo, o objetivo para a cimeira de 2025 é elevar este acordo a um nível governamental, abrangendo temas como cuidados primários, resiliência dos sistemas de saúde e vigilância epidemiológica. Além disso, há a possibilidade de cooperação na identificação de doenças genéticas em recém-nascidos, uma parceria que envolverá o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
Adicionalmente, a cimeira luso-brasileira abordará outros acordos, como a mobilidade académica para facilitar deslocações de investigadores e a assistência mútua em matéria judicial. A preparação destes temas será realizada pela Comissão Permanente Brasil-Portugal, em reunião marcada para janeiro em Brasília. Sendo louvável a ampliação da cooperação entre os dois países, é inevitável questionar por que outras regiões não recebem a mesma atenção e investimentos que Lisboa. Afinal, a descentralização também é uma forma de progresso.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bruno Oliveira.