O artigo do Público explora um estudo pioneiro sobre a raiva conduzido pela Universidade do Minho, que pretende compreender melhor esta emoção complexa e muitas vezes estigmatizada. Liliana Capitão, investigadora responsável pelo projeto, afirmou ao jornal que “a raiva tem sido negligenciada na investigação. É muitas vezes referida nos meios académicos como a emoção esquecida”. A investigação recria experiências de raiva em ambiente laboratorial para desvendar os seus mecanismos cerebrais e comportamentais.
Durante os últimos meses, 70 participantes foram submetidos a exercícios como recordar episódios de raiva num cubículo silencioso e escuro, equipados com aparelhos que monitorizam reações fisiológicas. Este método permite observar o impacto do sistema nervoso simpático, que “reage em situações de medo ou luta”, mas também parece estar associado à raiva. Para Liliana Capitão, compreender o papel das “pistas sociais nos outros” é essencial, pois pessoas predispostas à raiva podem interpretar expressões faciais de forma enviesada.
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O estudo inclui ainda um inovador “jogo de espelhos”, que projeta imagens diferentes em cada olho para analisar como o cérebro processa emoções de ameaça ou raiva. “Há uma relação entre a forma como as pessoas processam estas pistas a nível inconsciente e a forma como sentem raiva”, destaca a investigadora ao Público. Este mecanismo poderá ajudar a desenvolver ferramentas terapêuticas para controlar explosões emocionais.
Apesar de estar em fase inicial, a investigação promete contribuir significativamente para desmistificar a raiva e criar intervenções mais eficazes. “Dificilmente as respostas que Liliana Capitão conta obter nos próximos dois anos resolverão o estigma científico em torno da raiva”, mas a equipa está confiante de que Portugal terá um papel importante neste avanço.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Markus Spiske.