Segundo um artigo de opinião publicado no jornal Público, a precariedade enfrentada pelos investigadores em universidades portuguesas como a de Coimbra (UC) é descrita como uma realidade crua, onde os profissionais são tratados como “chicletes: mastigados e deitados fora”. Apesar de desempenharem um papel fundamental na reputação e funcionamento das instituições, muitos destes investigadores veem os seus contratos temporários terminarem sem perspetiva de continuidade.
A Universidade de Coimbra, reconhecida pelo seu prestígio científico, enfrenta um desafio crescente no âmbito do programa FCT-Tenure, criado para integrar investigadores doutorados. “Apenas 63 das 175 candidaturas preparadas pela UC foram financiadas”, apontam os autores do artigo, destacando que áreas essenciais estão a ser despriorizadas. Na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, por exemplo, apenas 16% das posições submetidas foram aprovadas, deixando 155 investigadores em situação precária.
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“Sem perspetiva de estabilidade, muitos investigadores acabarão por abandonar a ciência”, alertam os autores. Esta situação compromete não apenas o futuro dos profissionais, mas também o progresso científico do país, que depende diretamente do trabalho destes investigadores para manter o nível de qualidade internacionalmente reconhecido.
Para os autores do artigo, é urgente repensar o modelo de integração e financiamento científico em Portugal. “As universidades beneficiam do trabalho dos investigadores, mas encaram a maioria deles como um problema a ser eliminado ou mantido na precariedade”, concluem. Sem mudanças estruturais, o desinvestimento em ciência e a falta de reconhecimento dos investigadores poderão resultar na perda de talento e na redução da capacidade científica nacional.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Andra C. Taylor Jr.
