De acordo com uma reportagem da jornalista Ana Cristina Pereira, publicada no jornal Público, Bernardo Martins, antigo autarca e investigador, reflete sobre os 50 anos do 25 de Abril na Madeira, através da obra publicada em abril deste ano. “O espírito do 25 de Abril chegou à Madeira não pelo poder instituído, mas pelas pessoas”, afirma, destacando o impacto das mudanças sociais e políticas ocorridas no arquipélago. Apesar disso, o investigador considera que a autonomia foi apropriada pelo Partido Social Democrata (PSD) e utilizada para centralizar o poder.
A reportagem relembra o acolhimento, na Madeira, de figuras do antigo regime, como Marcelo Caetano e Américo Tomás, nos dias seguintes à revolução. Esta decisão foi justificada pelos Capitães de Abril como uma tentativa de garantir a segurança dos depostos líderes. Contudo, a imprensa madeirense teve um papel limitado no início, devido à censura que ainda operava no dia 25. Apenas “no dia 27 começaram a surgir notícias”, refere Bernardo Martins.

Rui Nepomuceno é o protagonista do novo lançamento da Imprensa Académica
A IMPRENSA ACADÉMICA lança uma obra biográfica sobre Rui Firmino Faria Nepomuceno, HISTÓRIA DE VIDA DO COMENDADOR RUI NEPOMUCENO, de Alexandra Nepomuceno. Uma homenagem a uma figura de proa da história moderna da Madeira e recentemente falecida.
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Mensalmente, a ACADÉMICA DA MADEIRA tem um espaço de opinião no JM Madeira. Ricardo Freitas Bonifácio, Presidente da Direção da ACADÉMICA
Com o 25 de Abril, nasceram na Madeira movimentos populares e reivindicações sociais. O autor recorda a luta pelo fim do regime de colonia, que impunha condições injustas aos colonos. “As pessoas vinham apresentar reclamações porque não tinham água, electricidade, caminhos”, conta. Essa efervescência política e social deu origem a novos movimentos cívicos e partidos que pressionaram pela autonomia da região.
No entanto, Bernardo Martins lamenta a falta de alternância democrática no governo regional. “O PSD na Madeira criou uma rede de controlo que abrange administração regional, local e organizações civis”, critica. Para o investigador, a concentração de poder no partido “penalizou a liberdade e travou os ideais de Abril”. Apesar disso, Martins mantém esperança de que a alternância política chegue à Madeira, permitindo uma renovação democrática.
“O primeiro trabalho, cientificamente realizado no âmbito da História, sobre a Revolução do 25 de Abril na Madeira”
A afirmação do historiador Nelson Veríssimo é sobre a obra O “25 DE ABRIL” NA MADEIRA: TENSÕES SOCIAIS E POLÍTICAS EM 1974-75, À LUZ DA IMPRENSA REGIONAL, da autoria de Lino Bernardo Calaça Martins.
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A Assembleia Legislativa da Madeira distinguiu Lino Bernardo Calaça Martins com o Prémio Emanuel Rodrigues e lançou a coleção “Figuras”, dedicada
O impacto da revolução foi também notório na área agrícola, com o fim do regime de colonia em 1977. Martins lembra que os colonos seguiram “vias legais e populares” para conquistar direitos sobre as terras que cultivavam. Essas transformações são, para o investigador, exemplo de como o 25 de Abril trouxe mudanças concretas, embora ainda haja desafios por resolver.
A reportagem do Público destaca como a Madeira viveu uma transição complexa, com avanços sociais e económicos, mas também com a persistência de estruturas que limitaram a liberdade democrática. “O espírito do 25 de Abril foi sendo atrofiado pelo governo regional, mas há espaço para mudança”, conclui Bernardo Martins.
A IMPRENSA ACADÉMICA, editora da ACADÉMICA DA MADEIRA que publicou a obra de Lino Bernardo Martins, em abril deste ano, promove as apresentações do livro no Porto e em Lisboa. O autor estará presente em ambos os eventos.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.